Acusado de matar mulher trans em BH passará por exame psiquiátrico. Vídeo
Justiça de Minas determinou avaliação de sanidade mental de réu denunciado por feminicídio em Belo Horizonte
atualizado
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Belo Horizonte – Uma decisão da Justiça de Minas Gerais determinou a instauração de um incidente de insanidade mental para avaliar as condições psíquicas de Matheus Henrique Santos Rodrigues, acusado de matar a ex-companheira, a mulher trans Christina Maciel Oliveira, em Belo Horizonte, em outubro de 2025.
A medida foi determinada pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, da 1ª Vara do Tribunal do Júri Sumariante da Comarca de Belo Horizonte, após a apresentação de novos documentos médicos pela Defensoria Pública de Minas Gerais. Segundo a defesa, o acusado realiza acompanhamento no Centro de Referência em Saúde Mental (Cersam) e faz uso de medicamentos indicados para tratamento psiquiátrico.
Ao analisar o pedido, a magistrada destacou que relatórios médicos anexados ao processo apontam suspeita de transtornos mentais e de comportamento, além de possíveis problemas relacionados ao uso de substâncias entorpecentes. Diante dos indícios, a Justiça considerou necessária a realização de uma avaliação especializada para verificar a condição mental do réu.
Com a abertura do incidente, foi nomeado um curador para acompanhar o acusado durante o procedimento. A defesa e o Ministério Público ainda poderão apresentar questionamentos aos peritos antes da realização do exame psiquiátrico, que será conduzido pelo Instituto Médico Legal (IML).
A juíza ressaltou que a instauração do incidente não interrompe o andamento da ação penal. O processo segue normalmente, e uma eventual conclusão sobre a capacidade mental do acusado somente será considerada na fase de julgamento.
Na mesma decisão, a magistrada negou um pedido da defesa para transferência do réu para outra unidade prisional. O requerimento havia sido fundamentado em questões relacionadas à identidade de gênero, mas foi rejeitado após manifestação da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
O caso já se encontra na fase final de instrução processual. Ministério Público e defesa foram intimados para apresentar as alegações finais antes da decisão que definirá se o acusado será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Relembre o caso
Christina Maciel Oliveira, de 45 anos, foi morta no dia 20 de outubro de 2025, na Avenida Padre Pedro Pinto, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ela foi brutalmente agredida pelo então companheiro após uma discussão em via pública.
Segundo a investigação da Polícia Civil, o relacionamento durava cerca de três anos e era marcado por episódios de violência. Familiares relataram que Christina já havia tentado encerrar a relação diversas vezes e chegou a pedir ajuda aos parentes semanas antes do crime, afirmando temer pela própria vida.
No dia do assassinato, testemunhas relataram que a vítima tentou colocar fim ao relacionamento mais uma vez. Pouco depois, já na rua, ela foi atingida por um soco, caiu no chão e sofreu sucessivos chutes e pisões na cabeça. A ação durou cerca de 12 segundos e provocou esmagamento craniano, causando a morte da vítima.
Preso em flagrante, o suspeito confessou o crime e afirmou que não aceitava o término do relacionamento. A Polícia Civil concluiu o inquérito em dez dias e o indiciou por feminicídio. Conforme entendimento adotado pela investigação, mulheres trans estão protegidas pela legislação que tipifica o feminicídio no Brasil.