
Marrocos bate recorde na Copa com 11 jogadores nascidos fora do país
Marca inédita contra o Brasil reflete projeto de formação e captação de talentos que transformou a seleção africana nos últimos anos

O empate por 1 x 1 com o Brasil rendeu a Marrocos uma marca inédita na história das Copas do Mundo. Durante parte da partida, a seleção africana atuou em campo com 11 jogadores nascidos fora do país.
O feito chamou atenção, mas não é por acaso. Nos últimos anos, Marrocos transformou a captação e a formação de talentos em uma política de Estado, apostando tanto em jogadores desenvolvidos no próprio território quanto em atletas da diáspora marroquina espalhada pela Europa, conforme explicado pelo Metrópoles nos últimos dias.
Contra o Brasil, apenas o meio-campista Azzedine Ounahi nasceu em solo marroquino entre os titulares. Quando ele deixou o gramado no segundo tempo, a equipe passou a ter apenas jogadores nascidos em outros países, como França, Espanha, Bélgica, Holanda e Canadá.
Apesar do local de nascimento, todos possuem ascendência marroquina e optaram por defender a seleção africana.
A estratégia faz parte de um projeto desenvolvido ao longo dos últimos 15 anos. Em 2009, o país inaugurou a Academia Mohammed VI, centro de formação criado para impulsionar o desenvolvimento do futebol nacional e revelar uma nova geração de jogadores.
O investimento ajudou Marrocos a se consolidar como uma das principais forças do continente. Além da histórica campanha que terminou com o quarto lugar na Copa do Mundo de 2022, a seleção conquistou recentemente o Mundial Sub-20 e chegou à edição de 2026 embalada por uma geração considerada uma das mais talentosas da história do país.
Paralelamente à formação interna, a federação marroquina também intensificou o monitoramento de jovens com raízes familiares. Muitos deles passaram pelas categorias de base de seleções europeias antes de optarem por representar os Leões do Atlas.
O resultado é um elenco repleto de atletas que atuam nas principais ligas do mundo. Nomes como Achraf Hakimi, do Paris Saint-Germain, e Brahim Díaz, do Real Madrid, simbolizam uma política que ajudou Marrocos a se firmar entre as seleções mais competitivas do cenário internacional.
Atual sétimo colocado no ranking da Fifa e um dos países-sede da Copa do Mundo de 2030, Marrocos tenta transformar o crescimento fora das quatro linhas em resultados cada vez maiores dentro de campo.



