Humorista ex-Dilma interpreta Damares Alves: a “Danada Alves”
Conhecido por viver Dilma Rousseff, o comediante traz uma leitura irônica da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos
atualizado
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Logo após gravar um vídeo interpretando Dilma Rousseff mandando um recado para Sergio Moro, o humorista Gustavo Mendes, 30 anos, atendeu ao Metrópoles. O comediante mineiro radicado em São Paulo fez da paródia política uma de suas principais apostas no palco e no YouTube. Atualmente, ele tem conquistado milhares de visualizações com outra personagem: a ministra Damares Alves, que na releitura ganhou o nome de “Danada Alves”.
Nos vídeos, Mendes faz uma interpretação bastante caricata da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Ele busca explorar as principais contradições do discurso da política, marcado por posicionamentos contrário à militância LGBT ou ao que é chamado pelo governo de ideologia de gênero.
“Vivo muito de perto essa realidade das igrejas neopentecostais. É uma loucura o que algumas delas se tornaram”, comenta o humorista. A partir do reconhecimento desse discurso, ele decidiu parodiar a ministra. “Eu não queria fazer o personagem do Bolsonaro, pois todo mundo já estava nessa linha. Busquei algo diferente”, conta.
Danada Alves traz diversas características que Mendes já utilizava em sua “versão” de Dilma Rousseff. Os trejeitos exagerados da ministra ganham força, assim como o intensivo uso dos palavrões e das expressões características. “[A construção] foi feita pegando essa prática de uma fatia da população cristã de desejar o mal ’em nome de Deus’. Aquele papo de ‘com Deus não se brinca, senão ele te dá um câncer’. Onde isso é cristão?”, questiona.
Polarização
No atual contexto polarizado da política brasileira, fazer humor com uma figura política é sempre um grande desafio. Mendes, no entanto, tem uma visão muito clara de como as piadas devem atingir os governantes.

“Às vezes, esquecem que sempre fiz humor de oposição, porque humor tem que ser oposição! Não acredito em político ou em partido, acredito em projeto. Fiquei seis anos interpretando a Dilma e criticando o governo dela. Quando ela saiu, passei a ironizar o Michel Temer. Agora, o Bolsonaro está no poder”, avalia.
Mesmo assim, o humorista percebe algumas críticas movidas por conta da política. “É uma minoria, mas é muito barulhenta”, diz. Mendes não pretende viver outros personagens da atual gestão. “A imitação acaba gerando uma simpatia pela figura ironizada. Não quero muito ajudar membros desse governo”, conclui;
YouTube
Em seu canal no YouTube, Mendes possui 729 mil inscritos. Os vídeos com a paródia da ministra superam, quase sempre, a marca de 100 mil visualizações. Em outras redes sociais, o comediante também tem bons números: 315 mil seguidores no Instagram, por exemplo.

O humorista reconhece a importância do YouYube em sua carreira. “Foi a plataforma que me fez estourar. Gravava vídeos no canal dos outros, não tinha a dimensão do tamanho dessa rede. Hoje, estou trabalhando lá com força total”, revela.
Além das redes sociais, Gustavo Mendes viaja o Brasil com shows em teatros. “No começo, na hora da política, sentia uma divisão na plateia. Agora, as coisas estão mudando, acho que a ideia do ‘salvador da Pátria’ está caindo por terra.”
