Rock e Brasília é uma parceria que durará para sempre

Apesar do gênero não ter a mesma força de antes, o impacto na cena cultural brasiliense é inegável

Ricardo Junqueira/DivulgaçãoRicardo Junqueira/Divulgação

atualizado 12/07/2019 14:30

Não da para falar do Dia do Rock, comemorado neste sábado (13/07/2019), sem lembrar a ligação do ritmo com Brasília. A tal Capital do Rock carrega, para o bem e mal, esse alcunha em seu DNA cultural. Na lista de faixas, são várias as canções que citam o Distrito Federal.

Desse imenso repertório, vale destacar uma música para dar musicalidade a essa análise. É Travessia do Eixão, faixa gravada no último disco da Legião Urbana, Uma Outra Estação (1997).

“Nossa Senhora do Cerrado
Protetora dos pedestres
Que atravessam o Eixão
Às seis horas da tarde
Fazei com que eu chegue são e salvo
Na casa da Noélia”

Por que essa e não outras mais conhecidas, como Eduardo e Mônica, Faroeste Caboclo ou Música Urbana? Essa faixa é mais representativa daquela turma que revolucionou o rock brasileiro nos anos 1980. Reza a lenda, inclusive, que Renato Russo sempre a usou como aquecimento vocal antes dos shows, mas só decidiu gravá-la no ocaso da Legião.

A ligação umbilical de Brasília com o rock começa no final dos anos 1970: quando uns jovens que não suportavam mais o tédio (com T bem grande) de Brasília começaram a fazer uma releitura do punk rock britânico e norte-americano. A tal Turma da Colina pegou Ramones, Talking Heads, Sex Pistols e Television e botou a então jovem capital no cenário cultural brasileiro.

“Foi, sem dúvidas, o primeiro movimento cultural nascido em Brasília que foi relevante nacionalmente. Colocou a cidade no roteiro culturo do país”, conta o jornalista e biógrafo de Renato Russo, Carlos Marcelo.

Nesse cenário, Brasília exportou, ao menos, três bandas que deram o significado do rock nacional: Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. O grupo liderado por Philippe Seabra ganhou disco de ouro (200 mil cópias vendidas) com o álbum O Concreto Já Rachou – a banda, inclusive, prepara uma volta com um trabalho de inéditas.

Anos 1990

Na década seguinte, o rock seguiu fazendo sucesso na cidade. Brasília havia crescido, mas seguia entediando os jovens. Nesse marasmo, Digão e Rodolfo criaram a banda Raimundos, que virou um fenômeno nacional e segue firme com shows e turnês.

As referências eram os punks, a cultura regional brasileira e a galera da colina. “A gente tem um legado, uma história. Quem já foi rei, nunca perde a majestade. Brasília sempre será a cidade que projetou as melhores bandas de rock do Brasil, afirma Digão, atual vocalista dos Raimundos.

A lista segue com o Maskavo Roots, já influenciada pelos reggae, Bois de Gerião, Little Quail e outras que, a despeito do menor impacto nacional, mantiveram viva a tradiçao brasiliense.

Tempos atuais

Nos últimos anos, o rock (nacional e internacionalmente) virou um gênero que mais vive da mais da história do que das bandas contemporâneas. É errado dizer que nada surgiu nos últimos anos, mas os “anos dourados” do gênero ficaram no passado.

Em renovação (ou mudança completa), o rock segue tendo frutos em Brasília – mesmo que, atualmente, a capital tenha sido mais relevante em gêneros como o sertanejo e o eletrônico –, como as bandas Móveis Coloniais de Acaju, Scalene e Rios Voadores.

Neste Dia do Rock, fica aí uma playlist do RockBSB:

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