Os Onze: livro sobre história recente do STF narra crises e bastidores

Obra assinada pelos jornalistas Felipe Recondo e Luiz Weber ganha lançamento em Brasília nesta terça (13/08/2019)

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 13/08/2019 7:14

Os jornalistas Felipe Recondo e Luiz Weber lançam nesta terça (13/08/2019), em Brasília, o livro Os Onze — O STF, Seus Bastidores e Suas Crises. A obra mergulha no dia a dia da Suprema Corte brasileira com relato de fatos que determinaram decisões em épocas diversas: do Mensalão ao turbulento início do governo do presidente da República, Jair Bolsonaro. A sessão de autógrafos é seguida de debate e acontece no restaurante Carpe Diem (104 Sul), a partir das 19h.

O desejo de escrever sobre a rotina do Supremo Tribunal Federal vagueia pela mente de Recondo desde 2007, quando começou a fazer a cobertura da instituição. Mas o convite do ex-colega de redação Luiz Weber para um projeto com esse tema só chegou uma década depois. “Finalizamos a apuração juntos e definimos um tom para o trabalho. Os Onze não é um livro contra o Supremo ou para devassar o tribunal, é, na verdade, um trabalho sobre o STF”, explica Recondo.

Este não é o primeiro livro de Felipe Recondo sobre a atuação dos ministros do STF. Em 2018, o escritor publicou Tanques e Togas, título que se fixou, especificamente, no papel do Supremo durante a ditadura militar do Brasil. “Todas as fases do Supremo são bastante interessantes. Eu havia acumulado muito material de pesquisa e documentos desse período, por isso escrevi”, conta.

Segundo o autor, com a morte do ministro Teori Zavascki, em acidente de avião, e as dúvidas sobre o futuro da operação Lava Jato, a editora Companhia da Letras encomendou um novo volume. “Mas, na verdade, já estava nos meus planos”, completa.

Leitura importante

De acordo com Recondo, é notória a importância de se conhecer os ministros do STF. Hoje, as decisões ganham exposição midiática e são determinantes para o direcionamento político do país.

“Num tribunal cada vez mais compartido, em que as decisões individuais são numerosas, em que juízes solitariamente podem anular os efeitos de emendas constitucionais, suspender nomeações do presidente da República e etc, conhecer cada um dos ministros é fundamental para compreender o somatório de forças, o colegiado, a instituição. Sendo o Supremo um somatório de individualidades, é essencial saber quem eles são”, ressalta Recondo.

Questionado se os ministros têm votado as pautas de forma menos colegiada e mais individualmente, Recondo recorre à frase cunhada pelo jurista, professor e magistrado brasileiro Sepúlveda Pertence: “Os ministros são 11 ilhas”. “Mas ele dizia que as ilhas formavam um arquipélago”, cita.

Para o autor, atualmente é difícil enxergar colegialidade no Supremo. O que, segundo ele, gera prejuízos internos e consequências externas, como a exposição de agendas individuais e a percepção, correta ou não, de que ministros têm vinculações com bandeiras ideológicas e partidárias. “Tudo isso pode corroer a legitimidade e a imagem do tribunal. Este processo está descrito ao longo de todo o texto, porque é marcante, é definidor deste Supremo de hoje”, conclui.

Lançamento do livro Os Onze — O STF, Seus Bastidores e Suas Crises
Nesta terça-feira (13/08/2019), a partir das 19h, no restaurante Carpe Diem (104 Sul). Entrada franca. Classificação indicativa livre

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