Editoras acusam Marcelo Crivella de censurar obras na Bienal

Pelas redes sociais, Intrínseca e Companhia das Letras se posicionaram contra o prefeito do Rio de Janeiro

DivulgaçãoDivulgação

atualizado 06/09/2019 16:25

Após o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), enviar 15 funcionários da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) à Bienal do Livro, no Riocentro, para identificar e lacrar livros “considerados impróprios”, editoras usaram as redes sociais para se posicionar contra a ação do governante. As empresas fizeram questão de chamar de “censura” o ato perpetrado pelo Poder Executivo do município.

A Editora Intrínseca, que publica títulos com temática LGBT, disse repudiar “todo e qualquer tipo de discriminação ou censura”.

A Companhia das Letras, a maior editora do Brasil, seguiu no mesmo caminho e lançou a campanha “Leia com Orgulho”, que se posiciona contra a ação de Crivella.

Entenda o caso

O prefeito do Rio de Janeiro (RJ), Marcelo Crivella (PRB), anunciou na noite dessa quinta-feira (05/09/2019) uma determinação para que organizadores da Bienal do Livro recolhessem os gibis que mostram os personagens Wiccano e Hulkling como namorados. Segundo Crivella, o quadrinho oferece “conteúdo sexual para menores”. Os exemplares dA HQ, no entanto, esgotaram em apenas 29 minutos. Os fiscais não encontraram exemplares.

A Prefeitura informou que a medida não se trata de homofobia, mas sim de respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que recomenda que “publicações com cenas impróprias a crianças e adolescentes sejam comercializadas com lacre”.

De acordo com a presidente da Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da OAB, Suzana do Monte Moreira, a determinação do estatuto só se aplica nos casos em que há imagens de nudez ou sexo explícito. No caso do livro da Marvel, há somente uma imagem de um beijo entre dois homens inteiramente vestidos dentro do livro, não na capa.

Últimas notícias