Histórias escondidas em fitas: conheça um digitalizador de mídias

Amante do cinema, há mais de 30 anos Martin Andre Schwantes se dedica ao ofício de imortalizar imagens antigas

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Perfil Martin Schwantes
1 de 1 Perfil Martin Schwantes - Foto: Vinícius Santa Rosa/Metrópoles

Os primeiros passos de um filho, a cerimônia de formatura da universidade, a festa de casamento dos pais… O valor sentimental de um acervo familiar bem guardado é imensurável. Por isso, a frequente surpresa dos clientes de Martin Andre Schwantes, 57 anos, ao descobrir o preço para transformar, por exemplo, uma antiga fita VHS em arquivo MP4: R$ 20.

Desde a criação da Vídeo Release Produções, em 1987, Martin encontrou na digitalização de áudios e vídeos antigos uma forma de recuperar e eternizar a memória da capital federal – e de sua gente. Em estúdio construído em uma sala improvisada em sua própria casa, no Lago Norte, o catarinense residente em Brasília desde os 21 anos de idade, viu a cidade-museu crescer através dos olhares plurais dos candangos.

“Às vezes, a pessoa estava filmando uma criança andando de bicicleta e, sem querer, acabou captando a arquitetura e o cotidiano da época”, conta o profissional.
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Martin recupera fitas de áudio e vídeo antigas e converte para formatos digitais

Uma das imagens que mais marcaram a carreira do digitalizador, porém, ultrapassa as linhas do quadrado. Após um dos tantos desabamentos de terra que desabriga e mata, ano após ano, moradores do Rio de Janeiro, Martin recebeu a missão de salvar uma fita antiga, encontrada em meio aos destroços.

Com o cuidado de um restaurador de obras de arte, o empresário retirou os negativos de um bloco de lama. “Parecia um tijolo”, ressalta. Ao entregar o pendrive ao dono, descobriu o motivo da preciosidade do arquivo. “Na fita, havia as únicas imagens da filha dele, morta no desabamento. Fiquei tão tocado que nem cobrei o serviço”, lembra, com os olhos marejados.

Momentos como esse trazem à memória de Martin Andre Schwantes o menino que, aos 12 anos, ganhou sua primeira Super-8 e escolheu o audiovisual como hobby e, anos depois, profissão. “Foi uma paixão herdada do meu pai, que sempre teve câmeras e costumava filmar nossos momentos em família. Até hoje tenho vídeos meus, de quando era pequeno”, recorda. “É um privilégio manter essas lembranças”, completa.

 

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Em 1987, fundou a produtora de audiovisual Vídeo Release Produções
Há 10 anos, levou o estúdio ao quintal de sua casa, para ficar mais próximo da família: a esposa, Sandra, e os dois filhos, Caio, de 23 anos, e Cauê, de 12
O negócio cresceu e Martin passou a atender pessoas e empresas de todo o Brasil
Martin é conhecido pelo acervo de equipamentos raros
Martin Andre Schwantes tem 57 anos
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Martin Andre Schwantes tem 57 anos

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Em 1987, fundou a produtora de audiovisual Vídeo Release Produções
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Em 1987, fundou a produtora de audiovisual Vídeo Release Produções

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Há 10 anos, levou o estúdio ao quintal de sua casa, para ficar mais próximo da família: a esposa, Sandra, e os dois filhos, Caio, de 23 anos, e Cauê, de 12
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Há 10 anos, levou o estúdio ao quintal de sua casa, para ficar mais próximo da família: a esposa, Sandra, e os dois filhos, Caio, de 23 anos, e Cauê, de 12

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O negócio cresceu e Martin passou a atender pessoas e empresas de todo o Brasil
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O negócio cresceu e Martin passou a atender pessoas e empresas de todo o Brasil

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Martin é conhecido pelo acervo de equipamentos raros
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Martin é conhecido pelo acervo de equipamentos raros

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Na “cápsula do tempo” de Martin, é possível perder-se nas inúmeras cenas exibidas, simultaneamente, em mais de 10 telas. Um trabalho mecânico, sim, mas curioso e poético, a depender do olhar do espectador. “Para atender a demanda, coloco várias fitas rodando ao mesmo tempo, calculo a duração de cada gravação, cronometro e deixo as máquinas fazerem o serviço”, explica.

A alta procura dá-se ao fato de Martin ser o único da cidade, e um dos poucos do país, a possuir uma infinidade de equipamentos raros: de gravadores de áudio de rolo Amex e projetores single 8 e câmeras Super-8 (película), ambos da década de 1960, a atual Sony PDW 1800 para discos XDCam, de uso profissional de vídeo. “Muitas empresas terceirizadas que prestam serviço para órgãos públicos e privados me procuram para auxiliá-los”, conta.

De acordo com ele, as peças também são muito requisitadas por cineastas para compor cenas de filmes de época. “Eu não costumo alugar, normalmente empresto os equipamentos para alguns amigos antigos, que conheço desde a época do Cine Clube Glauber Rocha”, revela Martin, um dos 23 fundadores do tradicional espaço brasiliense. Seja apenas uma fita, ou 300, como acontece nos contratos com grandes empresas, ele garante dar o mesmo tratamento. “Atendo a todos com o mesmo esmero, pois lido com expectativas e recordações alheias”, conclui.

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