Arquiteta se inspira na geografia de Brasília para criar obras de arte

As peças de Helena Trindade conquistam brasilienses residentes em diversos países do mundo, em busca de lembranças da terra natal

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 12/04/2019 19:31

Inspirada pela cidade-museu, a arquiteta Helena Trindade, 30 anos, tem movimentado o mercado de artes local com obras afetivas que retratam a cartografia da capital federal. O burburinho em torno das criações da brasiliense é alto e já levou peças da sua primeira série, Brasília Minimalista, para várias partes do mundo. Em sua terra natal, a jovem ainda resiste aos desafios impostos a artistas em início de carreira.

Foi durante um mestrado na Inglaterra, em 2015, que a arquiteta formada pela Universidade de Brasília (UnB) começou a enveredar pelos caminhos das artes plásticas. “Durante o curso, eu fazia várias maquetes, no final havia sobrado materiais e eu decidi fazer uma surpresa para minha mãe: recortar um mapa de Brasília e dar de presente a ela”, lembra. Com os restos de pedaços de madeira e acrílico, a jovem criou três quadros e postou no Instagram. O resultado? Uma enxurrada de pedidos de amigos que gostariam de comprar as peças.

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A artista plástica criou uma série de quadros da cartografia brasiliense

 

De lá para cá, Helena não parou mais. Voltou ao Brasil e montou um ateliê no Lago Sul, local onde testa novas formas, cores e texturas. Com o aumento do acervo, promoveu uma exposição em sua própria casa. Foi a galerias, embaixadas, convidou artistas, curadores e alguns amigos apaixonados por arte. A resposta positiva a incentivou a continuar.

A determinação de Helena deu frutos e fez com que a arquiteta fosse convidada por curadores para integrar a lista de exposições coletivas realizadas em galerias importantes da cidade, como o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). E com a identidade artística forjada por muita experimentação nos últimos quatro anos, a artista conseguiu realizar a primeira mostra individual, promovida pela Castália (102 Norte), em 2019.

No Brasil tem pouco estímulo para a arte. Ter a primeira oportunidade é muito difícil, não tem espaço destinado àqueles que nunca expuseram. Por isso, decidi ir até as pessoas, foi minha maneira de ultrapassar essas barreiras

Helena Trindade

Apesar de lamentar a falta de apoio e interesse das galerias em receber obras de “iniciantes”, a jovem celebra o engajamento do público. “Os brasilienses sentem muita identificação com o traçado urbano, é uma relação afetiva mesmo. As pessoas veem o mapa e enxergam um pouco delas ali, da sua infância, das suas raízes. Não é só uma peça de arte”, afirma Helena.

Helena teve de criar um site para dar conta dos pedidos. O sucesso é tão grande que a urbanista recebeu encomendas com pedidos de quadros com os mapas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e também de outras cidades, como Praga, capital da República Tcheca, e Winnipeg, no Canadá. “Meu intuito é que as minhas obras ganhem cada vez mais amplitude, alcancem mais pessoas e eu consiga entrar em outros mercados”, conclui a artista, que prepara nova série, desta vez, com formas e desenhos abstratos.

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