Escola de TikTok e gestor de YouTube: redes sociais criam novas carreiras

Enquanto muitas empresas sofrem com a crise, redes sociais abrem espaço para vários nichos profissionais ganharem dinheiro na web

atualizado 24/01/2021 10:51

TikTokYanka Romao/Arte Metrópoles

É fato que as redes sociais já passavam por período de ascensão quando a pandemia de Covid-19 limitou o contato físico apenas ao essencial. No entanto, foi a partir do isolamento que essas plataformas se consolidaram, assumiram novos papéis e se tornaram a forma mais democrática possível de ganhar dinheiro.

Para além dos digital influencers, vários profissionais passaram a depender 100% da internet para manter seu relacionamento com o púbico. Na música, por exemplo, artistas restringiram o trabalho às lives, lançamentos no streaming e challenges com potencial de transformar qualquer canção em um viral de sucesso.

Enganam-se, porém, os que acreditam que é preciso seguir o caminho da fama para se dar bem na internet. Isso porque a profissionalização das redes como plataformas de negócio também abre portas para quem não tem vocação artística ou desenvoltura em frente em câmeras.

Trabalhando com teatro e eventos há pelo menos oito anos, o empresário Pedro Gazzola estava acostumado a se relacionar com o meio artístico e achou curioso quando o público começou a solicitar a presença de fenômenos da internet, como Kéfera, Christian Figueiredo, Whindersson Nunes, Felipe Neto e outros.

“Resolvi me aprofundar nesse mercado digital. Comecei empresariando o youtuber Enaldinho, na época com 300 mil inscritos. Hoje são 16 milhões.  Nosso casting também conta com mais de 10 nomes e ultrapassa 50 milhões de seguidores”, destaca.

O segmento em que Pedro atua, de assessoria a produtores de conteúdo digital, deve crescer ainda mais em 2021. Segundo projeções, o mercado total endereçável (TAM) do marketing de influência, ou seja, a receita disponível para serviços envolvendo influenciadores, vai bater a casa dos R$ 10 bilhões no país este ano.

Além desse nicho, há muitos outros para explorar. “Existe um mundo de oportunidades para quem quer trabalhar com internet sem ter que aparecer no ‘vídeo’. Nosso modelo de trabalho, que compreende gestão e agenciamento de carreiras de criadores de conteúdo, é um ótimo exemplo disso. Porém, também existem outros caminhos possíveis, como  se tornar um editor de vídeos, filmmaker, redator, roteirista, produtor e muitas outras opções que se encontram no ‘backstage'”, pontua.

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Treinando TikTokers

A empresária e especialista em estratégias digitais, Clarissa Millford, encontrou uma forma criativa de aproveitar o momento. De olho no crescimento do Tiktok e suas peculiaridades, ela fundou a Academia de TikTokers, cujo objetivo é capacitar pessoas físicas e empresas a gerarem conteúdo nas rede e obter o engajamento necessário para monetizá-lo.

“Quem deseja apostar na plataforma precisa conhecê-la, desenvolver apresentações rápidas e objetivas”, afirma. “Isso requer conhecimento técnico, timing e estratégia, não se trata de simplesmente ligar a câmera e sair postando, a lógica é distinta em relação aos conteúdos de entretenimento“, explica.

A empresa foi fundada em agosto do ano passado e, até o momento, já capacitou pelo menos 900 alunos, além de fechar contratos com grandes empresas como a VIVO. Clarissa não revela cifras, mas confirma que o modelo de negócio tem feito sucesso ao explorar o aplicativo durante a pandemia. “Explicamos em detalhes como criar microvídeos, como crescer seguidores e como fazer o algoritmo da plataforma trabalhar a seu favor”, conta Clarissa.

Hora de apostar no app chinês

Primeiro aplicativo chinês a registrar recordes de downloads no mundo, o TikTok bateu 2 bilhões de usuários em 2020 e virou um fenômeno global entre jovens e adolescentes. No app, o foco são vídeos de até 60 segundos, de musicais e memes a mensagens políticas, inclusive indiretas.

Para garantir a chance de ganhar dinheiro por meio da plataforma chinesa de um jeito descomplicado é preciso se apressar. Segundo Clarissa, a empresa ainda vive uma fase de testes, o que beneficia diretamente os usuários.

Já parou para pensar porque tantos nomes se tornaram conhecidos por meio do TikTok? A explicação está aí. “Enquanto um vídeo do Reels, ferramenta criada similar criada pelo Instagram, entrega um vídeo para mil pessoas, o TikTok alcança até 100 mil usuários com o mesmo conteúdo.”TikTok e Instagram

TikTok e Instaram têm investido nos microvídeosAlém disso, o tráfego pago, também conhecido como impulsionamento, não foi disponibilizado para os usuários em geral, o que faz a competividade por views ser bem menor.

“Hoje, no Instagram e no Facebook você vai ter que pagar pra ter visibilidade porque já existem autoridades, empresas, artistas investindo pesado. No TikTok, não. Então o que o usuário vai precisar trabalhar é a qualidade do seu conteúdo, a relevância e autenticidade. Esse momento em que a entrega é 100% orgânica é ideal para construir uma audiência”, conclui.

Dicas de ouro

À pedido do Metrópoles, Pedro compartilha alguns macetes para quem está começando a produzir seu próprio conteúdo. “Para se dar bem nas redes sociais não é preciso investir dinheiro inicialmente, mas necessita-se muita dedicação e consistência para que você consiga sempre alimentar a plataforma, com vídeos e fotos que consigam chamar a atenção de pessoas que tenham o mesmo interesse e gerar valor para seu público”, garante.

Além disso, é preciso um planejamento para que se tenha conteúdo ao longo de toda semana. “Deixar de postar por longos períodos afeta bastante o engajamento. É necessário persistência, constância e paciência”, conclui.

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