O que acontece com Bolsonaro no final de Dark Horse? Veja o roteiro
Roteiro de Dark Horse mostra Bolsonaro condenado a 43 anos de prisão e sugere referência a Alexandre de Moraes no STF
atualizado
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Previsto para estrear em setembro, Dark Horse dominou o debate público na última semana, após denúncias de que o ex-CEO e banqueiro Daniel Vorcaro teria desembolsado R$ 61 milhões para a produção — valor que faria parte de um acordo total de R$ 134 milhões. Paralelamente, a polícia investiga um contrato de R$ 108 milhões de wi-fi da Prefeitura de São Paulo com uma ONG ligada ao longa. Parlamentares de Stambém destinaram R$ 8 milhões em emendas a empresas e entidades associadas à produtora do projeto.
Em meio à repercussão, o roteiro obtido pela coluna Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, revelou como termina a trama inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro — incluindo uma condenação fictícia do ex-presidente a 43 anos de prisão. Na vida real, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão em regime inicial fechado na ação que investigou um plano de golpe de Estado.
O epílogo de Dark Horse acompanha Bolsonaro desde a recuperação do atentado sofrido em 2018 até sua queda política e jurídica em um futuro projetado pelos autores.
O roteiro mostra Bolsonaro deixando o hospital em Juiz de Fora após sobreviver à facada. Em uma cena descrita como decisiva para a construção do “mito”, o então candidato ignora protocolos de segurança, vai ao encontro de apoiadores e abre a camisa diante da multidão para exibir as cicatrizes da cirurgia, em resposta às acusações de que o atentado teria sido forjado. A partir daí, o texto afirma que o político se torna “imparável” eleitoralmente.
Enquanto isso, a trama paralela envolvendo espionagem e conspiração termina de forma violenta. Os personagens Tato e Jorge, apontados como intermediários da tentativa de assassinato, são localizados em um hotel próximo ao hospital. Eles acabam mortos durante uma invasão liderada pelo Tenente Ramos, que executa os dois ao perceber que tentavam alcançar armas. A morte dos dois impede que possíveis ligações entre o atentado e eventuais mandantes sejam descobertas.
O roteiro também insinua uma conspiração dentro das instituições contra Bolsonaro. Em uma das cenas finais, o vilão Paulo Pontes, o “Cicatriz”, participa de uma reunião secreta ao lado de um homem descrito como “esguio”, “calvo”, “sério” e com postura “autojustificada”. O texto ainda destaca que ele “poderia ser um ministro do Supremo Tribunal Federal”, em uma caracterização vista como referência indireta ao ministro Alexandre de Moraes.
Na cena, Pontes desliga a televisão que transmitia a posse presidencial, indicando que a “guerra das sombras” contra Bolsonaro continuaria mesmo após a eleição.
O encerramento do filme traz ainda um letreiro final que resume acontecimentos posteriores. A cronologia inclui a eleição de Bolsonaro em 2018, a conclusão oficial de que o autor da facada teria agido sozinho e, depois, a derrota do então presidente na eleição de 2022 por uma margem apertada de 1,5%, em meio a denúncias de fraude.
No trecho final do filme, ambientado em 2025, Bolsonaro aparece sendo acusado de tentativa de golpe e condenado pelo STF a 43 anos de prisão — número que corresponde à soma máxima das penas dos crimes atribuídos ao ex-presidente, diferente da condenação de 27 anos e 3 meses aplicada na vida real.
O filme trata a condenação como o ápice de um ciclo iniciado no atentado de 2018 e concluído com a retomada do controle político e institucional pelo sistema que, segundo a narrativa da obra, nunca teria aceitado a ascensão do Dark Horse.















