
Demétrio VecchioliColunas

Dark Horse termina com conspiração de ministro careca; leia o roteiro completo
Filme sobre Jair Bolsonaro tem última cena retratando reunião de poderosos que inclui um ministro do STF magro e careca
atualizado
Compartilhar notícia

Dark Horse, espécie de autobiografia de Jair Bolsonaro (PL) financiada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, termina com uma acusação de que o Supremo Tribunal Federal (STF) faz parte, desde 2018, de uma conspiração contra o político.
A coluna teve acesso à íntegra do roteiro do filme, que tem como última cena uma reunião na casa de Paulo Pontes (o vilão fictício “Cicatriz”, que, na história, foi preso em 1985 por Bolsonaro e desde então é seu inimigo mortal), coincidindo com o dia da posse de Bolsonaro em 2018.
O roteiro destaca que a reunião tem a participação de um homem magro, careca e de aparência séria e hipócrita, indicando explicitamente que ele poderia ser um Ministro do Supremo Tribunal Federal (“A SLENDER MAN, bald, serious, self-righteous in his demeanor. He could be a Supreme Court Justice. Could be”).
Enquanto a cerimônia de posse passa na televisão, o grupo se acomoda ao redor de uma mesa. Paulo Pontes caminha até o aparelho e desliga a TV, deixando a tela preta. É a última cena. Na sequência, vem o epílogo.
“Em 2022, Bolsonaro perde a reeleição por um ponto e meio. Acusações de manipulação eleitoral e fraude se alastram. Manifestações ocorrem por todo o Brasil, em sua maioria pacíficas. Mas muitos são presos. Em 2025, Bolsonaro é acusado de tentativa de golpe, condenado e sentenciado a 43 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal. Fim”
O filme foi gravado no fim do ano passado, com locações principalmente em São Paulo, a partir, segundo a família Bolsonaro, de financiamento obtido por intermédio de um fundo de investimentos no Texas (EUA). O roteiro é todo em inglês, assim como as falas.
Leia o roteiro completo: 7th-draft-dark-horse-10-7-2025-_comparison
Jair Bolsonaro, que à época retratada no filme era deputado federal, é apresentado como um azarão (dark horse em inglês) na corrida presidencial. Michelle, sua esposa, é uma mulher profundamente preocupada com a segurança e a saúde do marido.
Responsável por intermediar a busca por investimento do banqueiro Daniel Vorcaro na vida real, Flávio Bolsonaro é retratado no filme como sendo um senador da República – ainda que só viesse a ser eleito naquela eleição de 2022 – responsável por cuidar da imagem pública do pai. É Flávio, por exemplo, quem organiza como a família desmentiria a “fake news” da morte de Jair após a facada.
O filme tem também personagens fictícios, como a repórter Lara Clarke, que inicialmente busca prejudicar a imagem de Bolsonaro, mas acaba descobrindo pistas sobre a conspiração por trás do atentado. Tato é o intermediário que contrata “Aurélio” para dar a facada no candidato, sob as ordens de Paulo Pontes, o Cicatriz, o grande antagonista e mentor intelectual do crime. Ele é um barão das drogas que busca vingança contra Bolsonaro por uma prisão ocorrida em 1985.
Outro personagem fictício é Luis Ancantara, um membro da equipe de campanha que, na trama, é revelado como um traidor que colabora com os conspiradores. Já Hugo Betão é amigo de longa data e protetor de Bolsonaro, que atua como seu segurança informal e é extremamente leal.

















