O que sabemos sobre Dark Horse, filme de Bolsonaro financiado por Vorcaro
Dark Horse promete mostrar os bastidores da marcante campanha presidencial de Bolsonaro em 2018
atualizado
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O ex-presidente Jair Bolsonaro será retratado no filme Dark Horse, novo projeto do diretor Cyrus Nowrasteh. O longa, que promete mostrar os bastidores da campanha presidencial de 2018, voltou aos holofotes após reportagem do Intercept Brasil revelar que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria destinado cerca de R$ 61 milhões para financiar a produção.
Entre os principais momentos retratados na trama está o atentado sofrido pelo então candidato, esfaqueado durante um comício em Juiz de Fora (MG).
Bolsonaro será interpretado por Jim Caviezel, conhecido mundialmente por viver Jesus Cristo em A Paixão de Cristo. Nos últimos anos, o ator também ganhou notoriedade por declarações antivacina e pelo apoio a teorias conspiratórias.
O roteiro do longa é assinado pelo deputado federal Mario Frias, ex-secretário de Cultura e aliado próximo de Bolsonaro. Segundo o parlamentar, o filme pretende apresentar “a verdade” sobre os acontecimentos de 2018, em uma abordagem voltada principalmente ao público simpático ao ex-presidente.
Para interpretar os filhos de Jair Bolsonaro, foram escalados Marcus Ornellas no papel de Flávio Bolsonaro, Sérgio Barreto como Carlos Bolsonaro e Eddie Finlay interpretando Eduardo Bolsonaro.
Dark Horse tem lançamento confirmado nos cinemas brasileiros para 11 de setembro de 2026.
“Thriller político tenso sobre poder, mídia e fé sob ataque”
Cyrus Nowrasteh definiu o longa como um “thriller político tenso sobre poder, mídia e fé sob ataque”. Em entrevista ao Deadline, o diretor afirmou que o projeto foi pensado para ir além de uma simples cinebiografia.
“Desde a concepção, quando Mario [Frias, responsável pelo roteiro do longa] me apresentou a história de Dark Horse, o projeto foi idealizado não apenas como um retrato biográfico, mas como um tenso thriller político sobre poder, mídia e fé sob ataque, com significado cultural não apenas no Brasil, mas em todos os países”, declarou.
“A história da ascensão improvável de Jair Bolsonaro e a tentativa de assassinato contra ele em 2018 ofereceram um contexto para explorar até onde sistemas arraigados podem ir para se preservar. E como um político pode se tornar um porta-voz das esperanças e dos medos de uma nação”, completou.
Vorcaro pagou R$ 61 milhões para filme de Bolsonaro
Segundo o Intercept Brasil, os recursos para a produção teriam sido solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro a Vorcaro. A reportagem afirma que pelo menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações financeiras ligadas ao projeto.
Parte do dinheiro teria sido transferida pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro, segundo a publicação.
Diálogos divulgados pelo site mostram Flávio e Vorcaro discutindo o andamento da produção e preocupações com atrasos nos pagamentos. Em um dos áudios revelados, o senador menciona o risco de “dar calote” em nomes envolvidos no filme, como Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.
“Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, diz Flávio no material divulgado pelo Intercept.
Denúncias nos bastidores
Além da relação com Daniel Vorcaro, o filme sobre Bolsonaro também enfrentou denúncias feitas por trabalhadores brasileiros que participaram das gravações entre outubro e novembro de 2025, em São Paulo. As queixas apresentadas por figurantes e técnicos incluem relatos de agressões, problemas estruturais e condições de trabalho consideradas inadequadas.
Um dos atores afirmou ter sido agredido por membros da segurança durante uma diária no Memorial da América Latina, em 21 de novembro. Segundo o relato, a produção proibiu celulares no set, mas não disponibilizou um local seguro para armazenamento dos aparelhos. O figurante decidiu entrar com o celular e disse ter sido arrastado e empurrado para fora do espaço após a revista.
Segundo informações da Revista Fórum, o ator também relatou atrasos em pagamentos e episódios envolvendo alimentação inadequada. De acordo com ele, figurantes chegaram a consumir comida estragada e alguns trabalhadores permaneceram tanto tempo impedidos de deixar o set que acabaram fazendo necessidades fisiológicas na própria roupa.
O caso foi levado ao Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (Sated-SP), que abriu um dossiê para reunir denúncias recebidas por canais oficiais.

















