Carnaval 2020: Raparigueiros reúne multidão no Eixo Monumental

Segurança no bloco foi reforçada. Polícia Militar montou dois cordões para revistar os foliões

Andre Borges/Especial para o Metrópoles

atualizado 23/02/2020 23:32

Um dos blocos de Carnaval mais tradicionais de Brasília, o Raparigueiros animou os brasilienses na noite deste domingo (23/02/2020). A concentração ocorreu ao lado da Torre de Televisão, no Eixo Monumental.

O grupo Papel Machê agitou a galera com sertanejo e axé, cantando de Chiclete com Banana a Wesley Safadão e Carlinhos Brown. Até a última atualização deste texto, os organizadores não haviam divulgado estimativa de público. A via foi tomada por foliões da Torre de TV até o Mané Garrincha.

O policiamento no bloco foi reforçado. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) montou dois cordões de revista e cercou parte do Eixo Monumental. Para se aproximarem dos três trios que animaram a festa, os foliões passavam pela abordagem policial. Os militares recorreram ao uso de spray de pimenta para conter possíveis confusões.

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Mesmo com o reforço na segurança, foram registrados focos de confusão. A PM intervia rapidamente para separar os brigões.

O Raparigueiros é conhecido por ser um dos blocos mais “tensos” do DF, com frequentes registros de brigas, desavenças e assaltos. Em 2019, ao menos 12 pessoas foram esfaqueadas, segundo a Polícia Militar.

De acordo com o Corpo de Bombeiros (CBMDF), naquele ano houve outras quatro vítimas feridas com “instrumentos perfurocortantes”. Além disso, um PM teve a perna cortada por faca ao prender um ladrão de celulares e outro militar foi ferido no braço ao receber uma garrafada.

Este ano, até a última atualização deste texto, a Secretaria de Segurança Pública não havia divulgado balanço sobre ocorrências no domingo de Carnaval.

Outros blocos do domingo

Nos outros eventos que saíram pelas ruas do DF neste domingo, o clima foi de festa. No Bloco das Montadas, milhares de pessoas se reuniram no Setor Bancário Norte, em uma grande festa. O público lotou o ambiente e curtiu a folia em clima de diversidade.

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“É um dos poucos blocos LGBT em que a gente ainda pode se sentir à vontade, e acho que isso é o mais importante. Todo mundo quer se divertir, estar na mesma energia. Aqui, conseguimos manter o sentimento de respeito e segurança, no geral”, ressaltou o artista plástico João Azevedo, 24 anos.

Para festejar neste domingo, ele fez a própria fantasia. “É a Wanda, do [desenho] Padrinhos Mágicos. Eu tinha a peruca, a coroa, e fui improvisando. Fiz a varinha, os óculos, a asa. Acho que essa é a graça do Carnaval, você ser criativo”, assinala.

Carolina Sampaio, 25, é frequentadora dos blocos LGBTs da cidade. Na opinião da jovem, esse é o melhor jeito de fugir do assédio. “Gosto do clima de respeito. Aqui nas Montadas não tem homem te puxando pelo braço, dando em cima. Pelo contrário, todo mundo está curtindo numa boa”, salienta.

Segundo os organizadores, 60 mil pessoas passaram pela festa.

Veja:

Respeito

O bancário Fábio Henrique Ferreira, 52, participa do bloco pela primeira vez neste ano com os amigos e elogia a diversidade presente no evento.

“Nunca tinha vindo, mas estou achando fantástico. Um bloco sem preconceito, em que você se sente à vontade. Há democracia, a gente se diverte”, destacou.

O auxiliar de cozinha Douglas Cardoso, 29, reforça o caráter respeitoso do ambiente. “É um bloco tranquilo, onde todo mundo é bem-educado. As pessoas são respeitosas, pedem licença. Estou achando maravilhoso”, enfatizou.

Durante a apresentação das drag queens, o público protestou contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Eduardo & Mônica

Com a proposta de tocar do samba raiz ao axé music e à MPB, o bloco Eduardo & Mônica começou a esquentar o Complexo Yurb, no Setor de Clubes Sul, neste domingo, por volta das 15h. Às 17h30, segundo a organização do evento, o local já contava com 20 mil pessoas.

Até o final da festa, prevista para acabar à meia-noite, se apresentarão, além da banda oficial, atrações como o Bloco Teteretê, Peçanha e Banda, Cordel do Samba e DJs Maffra, Cotonete e Paula Torelly.

Para curtir a balada, o público caprichou na fantasia. Raquel Corazza e Rodrigo Bonna prestigiaram o bloco pelo segundo ano. No último, vieram de princesa Leia e Han Solo, da saga Star Wars. Em 2020, o traje faz homenagem a uma outra produção: Stranger Things. Ambos foram de caça-fantasmas, fazendo referência a um episódio da série que reverencia o clássico do cinema dos anos 1990.

“Nos dedicamos muito à fantasia. Tem que ser, né?”, destaca Raquel. Os dois reservaram o domingo de Carnaval para ir ao bloco porque consideram que é um dos melhores programas para se fazer em Brasília na data. “Gostamos da pluralidade dos sons”, ressalta Rodrigo.

Lalyne Lua e Thiago Freitas, apesar de terem decidido na véspera os adereços que usariam no domingo, surpreenderam com a criatividade empregada na fantasia. A dupla chamava a atenção por onde passava.

“Estamos de casamento marcado, cheio de dívidas. Virei para ela e disse: ‘Vamos de noivos quebrados’”, brinca Thiago, que caprichou na maquiagem de abatido e carregava uma placa com os dizeres “Pagando o casamento”.

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Este é o quarto ano do bloco brasiliense que tem como marca a pluralidade de gêneros musicais. Em 2019, mais de 30 mil pessoas participaram da folia – mesmo com chuva. A estrutura para 2020, no entanto, conta com várias tendas para garantir a festa em caso de mau tempo.

Além disso, a banda oficial, comandada por Marquinho Vital, Meolly e Diogo Villar, preparou um repertório com mais de duas horas e meia de show – com clássicos do Legião Urbana, Raimundos, Plebe Rude, Cássia Eller, Capital Inicial, Natiruts, Maskavo, entre outros grupos.

No espaço há dois palcos, um destinado às atrações principais e outro alternativo, em que se apresentarão bandas locais. O lugar também conta com camarotes, um deles do Metrópoles.

Rafaella Camargo, Bruna Alessandra e Franciene Rodrigues marcam presença no bloco todos os anos e, desta vez, trouxeram os amigos mineiros Thiago Gontijo e Jorge Rairton para conhecerem o Carnaval brasiliense, que “já é um dos mais populares do país”.

“É o melhor evento, gostamos de todas as atrações e também tem a questão da segurança”, frisa Rafaella.

“Esta é nossa casa, onde nos sentimos bem. A gente criou uma marca no Carnaval de Brasília, prestigiando bandas daqui, e acho que é isso que atrai tanta gente. As pessoas se identificam com o Eduardo & Mônica”, declarou Diogo, um dos músicos do bloco.

Ceilândia

Moradores de Ceilândia aproveitaram o Carnaval neste domingo com muito axé e funk na área central da cidade. Para a folia, foi montado um palco no estacionamento em frente à Feira Permanente da região administrativa.

Esta é a 25ª edição do bloco Menino da Ceilândia. Além da estrutura projetada para o evento, o bloco contou com carro de som, dançarinos de frevo e bonecos de Olinda.

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Baratinha

No 33° ano do bloco infantil Baratinha, no Estacionamento 12 do Parque da Cidade, as famílias se concentraram desde as 14h para assistir aos shows.

A professora Edna Galvão, 36, leva a filha de 6 anos para o bloco desde que a garota nasceu. “Ela é de janeiro. No mês seguinte, já veio para a Baratinha”, comentou.

Para a pequena Elisa Galvão, o bloco da Baratinha é o melhor da cidade. “Gosto de poder usar fantasia”, comentou.

Fernanda de Moraes, 36, participa do evento há 5 anos. Neste Carnaval, curtiu a folia ao lado do companheiro, Thiago Massa, 36. Para a administradora, um dos pontos positivos da festa é a organização.

“É um ambiente seguro, familiar. Fomos de manhã em outro bloco infantil, mas não vingou porque estava chovendo. Aqui, pode chover que tem onde ficar”, disse.

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Em família

O casal de aposentados Elma Oliveira, 62, e Ricardo Oliveira, 65, vão com a família para o bloco infantil há cerca de 30 anos. Antigamente, levavam os filhos pequenos. Hoje, saem para festejar com o neto.

“Os meninos adoravam, brincavam no parque. Agora, evoluiu, está mais organizado. É um evento muito bom para a família”, considerou Elma.

Sua filha Daniele Borges Oliveira, 35, lembra de participar da festa mirim desde os 5 anos. Neste domingo, a fisioterapeuta foi pela primeira vez com o filho de 4 anos, Pedro Davi de Oliveira Carluccio. “É organizado, seguro, animado. Só de ter o espaço que ele pode se divertir, é ótimo.”

Segundo a mãe do garotinho, foi Pedro quem escolheu a própria fantasia. “Ele queria vir de palhacinho. Mas, depois, disse: ‘Eu quero ir brincar de esqueleto'”, relatou Daniele.

Bloco da Carmela

Pela primeira vez se apresentando no Carnaval da capital, o Bloco da Carmela atraiu público de todas as idades ao Palco 24. “A gente veio para se divertir. É um bloco para a família, para criança“, destacou Carmela, estrela da Rádio Metrópoles.

A apresentação fez parte da festa no Setor Carnavalesco Sul (SCS) neste domingo. A folia começou cedo para acabar tarde. No espaço, dois palcos e um trio elétrico recebem diferentes blocos até as 23h.

Confira as fotos do Bloco da Carmela:

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Estreia positiva

Para a artista, a estreia na festividade brasiliense, apesar do aguaceiro, foi positiva. “Aqui temos uma senhora de 70 anos e um bebê de 7 meses. Isso para mim já vale a festa. Vemos gente de todas as cores, de todas as cidades. Gente que, mesmo em meio à chuva, resolveu vir para cá. Já valeu para a gente”, comentou.

“Obrigada a todos que vieram mesmo com a chuva. Vamos espalhar amor por esse DF hoje”, disse Carmela ao público.

As amigas Léia Lima, 49, e Elza Souza, 45, ouvem o programa da artista no rádio todos os dias e aproveitam o bloco desde o início do evento.

“Vamos até o fim! Eu amo a Carmela. Sou a fã número um dela”, afirmou a cabeleireira Léia. “Ela é muito acessível. Já tiramos foto com ela. Estou amando”, completou Elza.

“Eu sigo a Carmela e ouço a rádio todo dia. Então, trouxe a minha amiga para aproveitar comigo”, declarou a auxiliar de telemarketing Nilce Ximenes, 54.

A amiga é Wenia Primo, 37. Ela também levou o filho, Yan Primo, 9, para celebrar o Carnaval no Setor Comercial Sul. E elogiou a folia no espaço. “O Carnaval para ele aqui é bem tranquilo, mais seguro. Como não está tão cheio, acho bem melhor assim.”

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