Carnaval 2020: centro de Brasília é dominado por foliões

No Setor Comercial Sul, os brasilienses curtem a folia. Em bloco LGBT, teve manifestação contra Bolsonaro

Andre Borges/Especial para o Metrópoles

atualizado 22/02/2020 19:46

Com muita cor, brilho e empolgação, centenas de foliões agitaram a capital federal, neste sábado (22/02/2020), no Setor Carnavalesco Sul. No local, dois palcos e um trio elétrico receberam diferentes blocos ao longo do dia.

Segundo a organização do evento, cerca de 30 mil pessoas eram esperadas no SCS durante este sábado (22/02/2020).

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Ao longo da manhã, no local, se apresentaram os blocos: Deus Ajuda Quem Seu Madruga, das 5h às 10h; e Folha Seca, das 8h às 10h. À tarde, foi a vez do Bloco Sustentável Patubatê, das 10h às 16h; Bloco MamaTá Difícil, das 17h às 23h; Bloco As Leis de Gaga, 11h às 17h; e Bloco Limbo, das 17h às 23h.

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No bloco LGBTQ+ As Leis de Gaga, que continuou mesmo depois do horário previsto para encerrar, cerca de 6 mil pessoas estiveram presente.

Durante o evento, o público protestou diversas vezes contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), aos gritos de: “Ei, Bolsonaro, vai tomar no cu”. “Fora machismo, fora racismo, fora assédio e fora Bolsonaro”, disse um dos integrantes do bloco carnavalesco.

Memes

Para o arquiteto Marcos Afonso Pires Severo, 22 anos, a utilização do espaço do Setor Comercial Sul para as festividades de Carnaval foi o que mais lhe atraiu. “Eu achei incrível a realização do Carnaval aqui. A gente nunca usa esse espaço e agora posso sentir que estamos ocupando a cidade. É um local que tem um potencial gigante e que deveria ser usado mais vezes para eventos como esse”, avaliou.

“É um local muito bom mesmo. Eu estou amando”, acrescentou o namorado dele, Felipe Ferraz, 24.

Juntos, os dois chamaram atenção de outros foliões com a fantasia que representa um meme que ficou famoso na internet, de ratos vestidos como membros do alto clero.

“No meme, tem os ratinhos e umas palavras do latim: ‘Dorime, Ameno, Latire’, que são de uma música clássica”, explicou Marcos. “A gente tem com uma amiga a fantasia escrito ‘Ameno’, mas perdemos ela e agora ficou incompleto”, afirmou Felipe, rindo.

Andre Borges/Especial para o Metrópoles

O estudante de odontologia João Gabriel Costa produziu a fantasia com que veio para o Carnaval. A ideia é não voltar pra casa no zero a zero. “Quero beijar na boca né?”, brinca. Frequentador das festas promovidas no local, o jovem afirma que neste ano a folia está melhor e mais segura. “Esta estrutura com vários palcos é muito boa. Da para curtir diversos sons. A segurança e o policiamento também está maior, desde que cheguei não vi nenhuma confusão”, avalia.

MamaTa Difícil

No segundo ano que o bloco MamaTa Difícil se apresenta na capital, aproximadamente 4 mil pessoas são esperadas para prestigiar as apresentações. No evento marcado por protestos contra o presidente da República, integrantes do bloco pediam por maior valorização à arte brasileira.

“É um protesto que fazemos contra a censura que a classe artística vem sofrendo do presidente Bolsonaro. Nós somos um grupo de artistas e queremos deixar nossa manifestação contra isso”, salientou a organizadora do bloco carnavalesco Luísa Carvalho.

No palco, um cartaz pendurado exibia a seguinte frase: “A arte brasileira da próxima década será revolucionária, libertadora, empoderada, indígena, negra, feminina… Ou será isso ou não será nada”.

O cartaz é uma crítica a um discurso do secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim, feito em janeiro deste ano. À época, a fala do secretário, semelhante ao do ministro de Adolf Hitler da Propaganda da Alemanha Nazista, Joseph Goebbels, culminou em sua demissão.

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