Galinho de Brasília leva 6 mil pessoas às ruas da capital

O tradicional bloco não desfilou em 2019, e voltou às ruas da cidade em clima de descontração

Jacqueline Lisboa/Esp. Metropoles

atualizado 22/02/2020 17:57

As ruas de Brasília estão coloridas, com foliões e bloquinhos que animaram este sábado (22/02/2020) de Carnaval. Uma das primeiras atrações do dia foi o Galinho de Brasília, que ligou as caixas de som por volta das 10h da manhã, com o Pintinho de Brasília, versão infantil da festa. De acordo com informações da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF),  seis mil foliões desfilaram junto do bloco.

Em virtude do cortejo, a via N1 ficou fechada e a via Contorno do Estádio Nacional de Brasília, funcionando em sentido único e anti-horário.

Quem chegou cedo para curtir com os filhos disse que valeu a pena. “Estamos aqui desde às 10h, queríamos curtir a festa com mais segurança. Foi nota 10, a organização está de parabéns”, elogiou a brasiliense Grazielle Pacheco, que veio à festa acompanhada da filha, Isabel, 5 anos, pela primeira vez. “Ela também está adorando”, garante.

O escritor Mateus Santana trouxe o pequeno Abayomi, 2, para seu primeiro Carnaval. A ideia é que ele possa curtir a companhia de outras crianças. “Estamos aqui há pouco mais de uma hora e varias já chegaram aqui para brincar com ele. É o melhor bloco pra curtir com crianças. Tem boa estrutura para se abrigar da chuva”, avalia.

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Folia raiz

Oscar Torres e Marco Antônio são frequentadores assíduos do bloquinho com inspirações pernambucanas. Este ano, a dupla trouxe o amigo Pedro Martins para aproveitarem juntos o primeiro dia oficial de Carnaval na cidade. “A gente curte muito a proposta do bloco”, justificou.

Quem também costuma curtir a data ao som de frevo é a carioca Nadege Maria, 76. Com sangue pernambucano na veia, ela não perde um Galinho desde que chegou em Brasília, há mais de duas décadas.

“Meu pai era louco por frevo, montava até coreografia. Herdei essa paixão dele”, declara a foliã, acompanhada de Maria Elisabeth, 63, fiel companheira de Galinho.

A programação de Carnaval das duas começa e termina no tradicional bloco. “Guardamos o pique para vir hoje, porque aqui tem mais a nossa cara. Não gostamos muito de sertanejo, funk e rock, estilos que tocam nos outros blocos”, pontua Maria. “Aqui, é Carnaval raiz”, completa Nadege.

Criado por amigos pernambucanos e inspirado no Galo da Madrugada, o tradicional bloco brasiliense completa 28 anos de carnaval de Brasília. Pela primeira vez, o Galinho sai na Funarte e, por isso, a expectativa de público é uma incógnita até para os organizadores. “Nosso compromisso é com a qualidade da festa e com a manutenção da cultura do frevo”, afirma Romildo de Carvalho Júnior, um dos organizadores.

Não é só folia

Além de cantar e dançar ao som de frevo, teve brasiliense que veio ao Galinho para protestar. É o caso de Ana Paula Tombini, que trouxe um acessório peculiar pra a foliã: uma placa com os dizeres: “Hoje eu tomo cachaça e amanhã, os meios de produção”.

Segundo a estudante, o adereço é uma crítica ao capitalismo. “Não sou contrária ao sistema, mas essa é uma provocação, porque o carnaval também é um ato político, um momento pra gente questionar e refletir”, explica.

Comércio

Segundo informações da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Distrito Federal, a cidade deve receber 1,2 milhão de pessoas no Carnaval deste ano. Um número que anima todo o comércio, incluindo os ambulantes. Ana Cristina, 32, montou uma banquinha com tiaras e adereços de carnaval na concentração do Galinho e, antes mesmo do início do desfile, às 14h30, poucas unidades ainda estavam disponíveis. “O pessoal começou a investir pesado no look de Carnaval, todo mundo a caráter, com muito glitter. Bom demais para os negócios”, diz.

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