Festas on-line viram tendência e têm agenda do funk ao cult: confira opções

Bares e casas de festas espalhados por todo o país aderiram aos eventos virtuais com intuito de se manterem ativos em meio à pandemia

atualizado 13/07/2020 20:22

festas on-linearte/metropoles

De primeira, pode parecer estranho – talvez porque seja um pouco mesmo. Mas é inegável que, por conta da pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, a cena mais comum nas baladas nos últimos quatro meses é uma série de quadradinhos. Depois de um início tímido, as festas on-line cresceram, possuem agenda e atraem público sedento por diversão. Os eventos virtuais também viraram uma forma de boates e produtores se manterem ativos e faturando.

Mesmo com o vai e vem de determinações judiciais e de autoridades, aglomerações, festas, shows e boates foram proibidos mediante decreto. Portanto, além do público, os próprios empresários do setor precisaram criar um “novo normal” e, com isso, as festas on-line viraram tendência.

A cada fim de semana, o número de eventos cresce, assim como o público interessado. Uma rápida pesquisa no Sympla, por exemplo, mostra as diversas opções disponíveis – com uma vantagem, você pode, na mesma noite, ir a uma balada em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Florianópolis e terminar a noite em Brasília. Os estilos também são os mais variados possíveis.

Tem o funk pancadão, na balada Tá Na Gaiola, que será via Zoom, às 21h. Os ingressos custam a partir de R$ 5 – nessa modalidade de festas, são oferecidas entradas mais caras para quem deseja ajudar as produtoras. Mais uma opção é o Freedom 90’s, também neste sábado, às 22h, com músicas do gênero Flash House & Dance. Os ingressos são gratuitos ou, caso deseje ajudar com doações, saem por R$ 10.

Tem festa junina tradicional, outras um pouco mais moderninhas, baladas alternativas. Bom, o cardápio é bastante variado. A publicitária Caroline Sousa, que é frequentadora desses eventos, cita como destaque a celebração dos 30 anos do Outro Calaf, um dos redutos mais tradicionais do Distrito Federal.

“A festa foi incrível. Mesmo estando em casa, deu para matar a saudade, deu para ver a galera se divertindo. Tinha um pessoal que parecia estar de fato no Calaf, dançando, bebendo, gente com jogo de luz, achei muito divertido. Vi uma galera fantasiada, maquiada, arrumada”, lembrou Carol.

Para a publicitária, as festas on-line têm sido alternativas mais agradáveis do que as live-shows – outra grande tendência da pandemia. “É possível interagir com o público. Funciona assim: a gente não consegue ouvir as pessoas, só o DJ. Aí, quando a pessoa dançava, aparecia na tela, brincava um pouco, e mudava para outro”, relata. Carol pode ficar alegre, o Outro Calaf, segundo apurou o Metrópoles, prepara nova balada virtual em 18 de julho.

“Nosso plano é tornar essas festas quinzenais, com curadorias variadas”, explicou a proprietária do bar, Priscila Calaf. A ideia veio depois do sucesso da primeira edição, realizada em 27 de junho. Exibido por meio do Zoom, o evento arrecadou doações para os funcionários do estabelecimento.

Veja como foi a primeira festa on-line do Calaf:

“Em junho de 2020, completamos 30 anos de existência como uma casa que promove a cultura do DF em sua pluralidade. Programamos um grande festival gratuito, ocupando as ruas do Setor Bancário Sul. Infelizmente, a pandemia fez com que tivéssemos que reformular as comemorações, mas não poderíamos deixar de celebrar. Foi uma experiência diferente, mas muito válida”, explica Priscila.

“As festas on-line trazem outra vibração, são um novo modo de estar junto, mesmo estando com as portas fechadas”, completa a empresária. Segundo a proprietária do Outro Calaf, a primeira balada vendeu 800 ingressos e teve público variado. “Dos senhores da velha guarda do samba aos adolescentes do funk batidão”, comemora.

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Dificuldades

Apesar do sucesso das festas on-line, o produtor Kaka Guimarães, responsável pelo Birosca e SubDulcina, alerta que os eventos não são suficiente para cobrir o rombo deixado pela pandemia.

“As festas on-line funcionam para que a gente consiga se manter junto e deixar a marca em evidência, porém, não são capazes de cobrir os custos da cadeia produtiva. Mas é um movimento importante”, avalia Kaka.

O empresário garante que produzirá festas on-line, provavelmente a partir de agosto, como uma forma de entreter o público. “Temos que suprir essa necessidade ancestral de estar juntos”, destaca Kaka.

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