Um ano e meio após feminicídio de capoeirista, família cobra justiça
Sandra Rodrigues, de 37 anos, foi vítima de um crime brutal. Depois da execução, o corpo da mulher foi jogada dentro de um contêiner

Já se passou um ano e cinco meses desde que a capoeirista Sandra Rodrigues, 37 anos, foi encontrada carbonizada dentro de um contêiner de obras na avenida principal do Guará I. O crime chocou a cidade que viu a mulher crescer e desenvolver seu lado social nas praças da região administrativa. O principal suspeito do crime é o ex-companheiro da vítima – Márcio do Nascimento Batista, 36, conhecido como Mano.
Segundo a família, apesar de todas as evidências, o suspeito continua negando o crime e a data do júri popular vem sendo adiada devido a sucessivos recursos impetrados pela defesa do acusado. Márcio aguarda o julgamento preso.
Disposta a lutar por justiça, a irmã de Sandra, Sheiza Braga, retornou ao Distrito Federal com o intuito de acompanhar de perto o desenrolar do inquérito. “Minha família foi literalmente destruída. A perda brutal de um ente querido sempre deixa sequelas e um vazio irreparável. Nossa mãe se mudou para João Pessoa e levou os dois órfãos, de 10 e 16 anos. Ela não tem condições psicológicas de lutar por justiça”, destacou.
Apesar da demora no julgamento de Márcio, Sheiza mantém a esperança de que o acusado receberá punição dura. “Minha irmã foi morta por ser mulher e da maneira mais cruel possível. Que nossas leis façam valer a pena a dor das famílias destruídas. Hoje, vivo em função de ver o assassino pagar pelo que fez”, frisa.

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Sandra Rodrigues morou no Guará e deixou cinco irmãs: três por parte de mãe e duas por parte de pai. Apaixonou-se pela capoeira ainda na infância e, ao longo do tempo, passou seus conhecimentos adiante, o que lhe rendeu o carinhoso apelido de Sandrinha da Capoeira. Ela costumava ministrar aulas em praças públicas da região administrativa.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFA advogada criminalista Julia Oliveira, que atua na área há 25 anos, explica os motivos da demora para que o júri popular seja marcado. “Os recursos inerentes aos processos judiciais são facultativos. Existem procedimentos dentro do Código Penal: são inerentes tanto da defesa quanto da acusação e do juízo. Temos casos como o do ex deputado Adão Xavier, de repercussão nacional, ocorrido em 2004, em que o processo está em trâmite. Também temos o da Adriana Villela, do crime da 113 Sul, que já vai fazer 10 anos. Márcio está respondendo por feminicídio e o processo está bem adiantado”, destaca a defensora.



