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O tremor de terra sentido no Distrito Federal na manhã de segunda-feira (2/4), após um terremoto atingir a Bolívia, deixou claro que o brasiliense não está preparado para enfrentar esse tipo de fenômeno. Apesar de os edifícios afetados terem sido evacuados, o procedimento não seguiu o protocolo de segurança para situações de abalos sísmicos.

Quem afirma é o capitão do Corpo de Bombeiros Ronaldo Reis, que condenou o fato de muitas pessoas permanecerem sob as marquises dos prédios após o esvaziamento dos edifícios.

“Ao descer de uma estrutura em uma situação como essa, a pessoa deve se manter a uma distância segura de qualquer construção. Aquele procedimento foi completamente equivocado. Ao ficar embaixo do prédio, você se coloca como possível vítima. É preciso se afastar”, alerta o militar.

Além de manter distância das edificações, o bombeiro destaca outros detalhes que devem ser observados ao cessarem os tremores. “A primeira coisa que se deve fazer é acionar o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil. Depois, é importante ver se os vidros estão trincados ou quebrados, se as janelas não têm nenhum dano e também se não há vazamento de água”, diz Reis.

Ainda segundo o capitão dos Bombeiros, “só depois de o edifício ser devidamente vistoriado, as pessoas podem retornar. O fato de terremotos não serem comuns no Brasil faz com que a população não saiba como agir”.

 

Prédios feitos para resistir
Apesar do susto, especialistas ouvidos pelo Metrópoles asseguram que os prédios em Brasília têm condições de suportar, ilesos, tremores de terra como os registrados nessa segunda (2/4), ou até mais fortes.

Professor da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em patologia de edificações, Dikran Berberian enfatiza que o brasiliense pode ficar tranquilo quanto aos sismos. “Não existe problema nenhum, os prédios de Brasília conseguem aguentar um certo nível de tremores e, como não temos problema de abalos no Brasil – sobretudo na capital, pelas características da nossa crosta –, não existe risco”, conclui.

Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU-DF), Daniel Mangabeira, os cálculos dos edifícios são feitos para que eles resistam a determinadas situações. “Em áreas de risco, o índice é um. Onde não há risco, é outro. Brasília não tem característica de atividade sísmica a ponto de abalar uma estrutura. Mas, se fosse um tremor de grande escala, é claro que as estruturas não estariam aptas”, afirma.

Editoria de Arte/Metrópoles Editoria de Arte/Metrópoles

De acordo com o subsecretário da Defesa Civil, Sérgio Bezerra, os efeitos do abalo sísmico foram mais intensos na faixa que vai do centro do Plano Piloto à Esplanada dos Ministérios. Conforme ressaltou, os prédios do perímetro foram construídos de “maneira muito robusta” e são capazes de se contraírem e dilatarem sem grandes prejuízos. “Foi utilizado muito concreto, muita ferragem. É aquele fenômeno que sentimos em casa quando passa um veículo pesado, só que mais prolongado”, disse.

“Brasília não tem histórico algum de terremoto, e não se justifica o investimento de recursos públicos voltados para treinamento da população. Se fizéssemos isso, vocês [imprensa] estariam rindo da nossa cara”, afirmou Bezerra.

*Colaboraram Bruno Medeiros e Victor Fuzeira

 

 

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