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Às 10h45 desta segunda-feira (2/4), os aparelhos do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (Obsis-UnB) receberam o alerta do terremoto ocorrido na Bolívia, a cerca de 1.600Km de distância da capital federal, e sentido em vários pontos da cidade. Imediatamente, a população entrou em pânico. As pessoas evacuaram prédios inteiros na área central e relataram tremores percebidos sobretudo em regiões como o Setor Comercial Sul.

Passado o susto, a Defesa Civil vistoriou 28 prédios no centro de Brasília e concluiu que as estruturas não foram abaladas, conforme noticiou o subsecretário do órgão, Sérgio Bezerra. De acordo com o professor George Sand França, do Obsis-UnB, o fenômeno foi provocado devido ao choque de duas placas tectônicas. Mais pesada, a Nazca mergulhou para debaixo da sul-americana, sobre a qual o Brasil se encontra posicionado.

Apesar de ser um terremoto de alta magnitude – 6,8 na escala Richter –, os efeitos foram pequenos na Bolívia. Isso se explica, segundo o docente, porque a profundidade do abalo foi elevada – em torno de 557km abaixo do solo.

“A bomba de Hiroshima, no Japão, provocou um abalo sísmico de menor intensidade do que esse, mas os danos foram maiores pela proximidade com a superfície. Se esse terremoto fosse mais próximo do solo, o efeito na Bolívia seria catastrófico”, pontuou George França.

Arte/Metrópoles

 

Apesar do susto, os reflexos na capital também não foram graves. Na escala de intensidade, que vai de 0 a 12, o tremor ficou entre 3 e 4, informou ainda o especialistas da UnB. O número é considerado baixo. Isso ocorreu devido a fatores como magnitude, posição geográfica, horário, quantidade de edificações e índice populacional.

“Tremores em Brasília não são novidade. Por incrível que pareça, são comuns. Mas o risco é sempre mínimo. Porém, apesar de as chances serem remotas, não podemos afirmar que nunca ocorrerá um terremoto de alta magnitude na capital federal”, alertou o professor George França.

Ele atua com mais 10 analistas e quatro professores no observatório – onde é feita a análise de dados recebidos de estações sismográficas espalhadas por todo o país. “São cerca de 80 estações pelo Brasil realizando esse trabalho de monitoramento e repassando as informações aos órgãos competentes e à população”, explica o docente.

 

JP Rodrigues/Especial para o Metrópoles

George França, professor do Observatório Sismológico da UnBA partir dos dados, é feita uma triangulação que identifica o local exato e a magnitude dos terremotos. Logo, é possível monitorar as atividades sísmicas daquele território. Cada uma das 80 estações fica responsável por cobrir uma área específica. O Observatório da UnB abrange as regiões Norte e Centro-Oeste. “Nosso trabalho envolve as aulas ministradas na universidade e também a pesquisa para entender o interior da Terra, onde ocorrem os tremores”, assinala o professor.

Ainda segundo França, os cortes financeiros previstos para acontecer devido à grave crise financeira que assola a UnB, em um primeiro momento, não devem ter impacto sobre o seu setor. “Grande parte da nossa verba vem de parcerias e projetos com várias instituições. A princípio, não devemos ser afetados”, garante.

De acordo com o subsecretário da Defesa Civil, Sérgio Bezerra, os efeitos do abalo sísmico foram mais intensos na faixa que vai do centro do Plano Piloto à Esplanada dos Ministérios. Conforme ressaltado por ele, os prédios do perímetro foram construídos de “maneira muito robusta” e “feitos para trabalhar”, isto é, são maleáveis, capazes de se contraírem e dilatarem diante de estremecimentos, sem causar grandes prejuízos. “Foi utilizado muito concreto, muita ferragem. É aquele fenômeno que sentimos em casa quando passa um veículo pesado, só que mais prolongado”, disse, referindo-se ao tremor dessa manhã.

Editoria de Arte/Metrópoles Editoria de Arte/Metrópoles

Relatos
Supervisor da Bancorbrás, no SCS, Peterson Ricarte, 45 anos, contou que ele e colegas estavam em reunião no sétimo andar da empresa quando começaram a sentir a mesa balançar. “Imediatamente, pedi para as pessoas descerem. Fiquei com as pernas trêmulas. Nunca tinha vivido isso”, narrou.

Aline Campos, 34, é analista na mesma empresa. Além do susto, ela teve tontura durante o tremor, enquanto usava o computador. “Deu um desespero e só pensei em ficar o mais longe possível”, relatou. A cientista política Camila Meireles, 41, também trabalha no SCS e diz ter sentido o prédio balançar de um lado para outro.

Colaborou Saulo Araújo

 

 

 

 

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