Defesa Civil vistoria 28 prédios após abalos registrados em Brasília

Segundo o subsecretário do órgão, Sérgio Bezerra, não há abalos nas estruturas e risco à população

atualizado

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BEzerra
1 de 1 BEzerra - Foto: Michael Melo/Metrópoles

Às 10h45 desta segunda-feira (2/4), os aparelhos do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (Obsis-UnB) receberam o alerta do terremoto ocorrido na Bolívia, a cerca de 1.600Km de distância da capital federal, e sentido em vários pontos da cidade. Imediatamente, a população entrou em pânico. As pessoas evacuaram prédios inteiros na área central e relataram tremores percebidos sobretudo em regiões como o Setor Comercial Sul.

Passado o susto, a Defesa Civil vistoriou 28 prédios no centro de Brasília e concluiu que as estruturas não foram abaladas, conforme noticiou o subsecretário do órgão, Sérgio Bezerra. De acordo com o professor George Sand França, do Obsis-UnB, o fenômeno foi provocado devido ao choque de duas placas tectônicas. Mais pesada, a Nazca mergulhou para debaixo da sul-americana, sobre a qual o Brasil se encontra posicionado.

Apesar de ser um terremoto de alta magnitude – 6,8 na escala Richter –, os efeitos foram pequenos na Bolívia. Isso se explica, segundo o docente, porque a profundidade do abalo foi elevada – em torno de 557km abaixo do solo.

“A bomba de Hiroshima, no Japão, provocou um abalo sísmico de menor intensidade do que esse, mas os danos foram maiores pela proximidade com a superfície. Se esse terremoto fosse mais próximo do solo, o efeito na Bolívia seria catastrófico”, pontuou George França.

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Apesar do susto, os reflexos na capital também não foram graves. Na escala de intensidade, que vai de 0 a 12, o tremor ficou entre 3 e 4, informou ainda o especialistas da UnB. O número é considerado baixo. Isso ocorreu devido a fatores como magnitude, posição geográfica, horário, quantidade de edificações e índice populacional.

“Tremores em Brasília não são novidade. Por incrível que pareça, são comuns. Mas o risco é sempre mínimo. Porém, apesar de as chances serem remotas, não podemos afirmar que nunca ocorrerá um terremoto de alta magnitude na capital federal”, alertou o professor George França.

Ele atua com mais 10 analistas e quatro professores no observatório – onde é feita a análise de dados recebidos de estações sismográficas espalhadas por todo o país. “São cerca de 80 estações pelo Brasil realizando esse trabalho de monitoramento e repassando as informações aos órgãos competentes e à população”, explica o docente.

 

JP Rodrigues/Especial para o Metrópoles

George França, professor do Observatório Sismológico da UnBA partir dos dados, é feita uma triangulação que identifica o local exato e a magnitude dos terremotos. Logo, é possível monitorar as atividades sísmicas daquele território. Cada uma das 80 estações fica responsável por cobrir uma área específica. O Observatório da UnB abrange as regiões Norte e Centro-Oeste. “Nosso trabalho envolve as aulas ministradas na universidade e também a pesquisa para entender o interior da Terra, onde ocorrem os tremores”, assinala o professor.

Ainda segundo França, os cortes financeiros previstos para acontecer devido à grave crise financeira que assola a UnB, em um primeiro momento, não devem ter impacto sobre o seu setor. “Grande parte da nossa verba vem de parcerias e projetos com várias instituições. A princípio, não devemos ser afetados”, garante.

De acordo com o subsecretário da Defesa Civil, Sérgio Bezerra, os efeitos do abalo sísmico foram mais intensos na faixa que vai do centro do Plano Piloto à Esplanada dos Ministérios. Conforme ressaltado por ele, os prédios do perímetro foram construídos de “maneira muito robusta” e “feitos para trabalhar”, isto é, são maleáveis, capazes de se contraírem e dilatarem diante de estremecimentos, sem causar grandes prejuízos. “Foi utilizado muito concreto, muita ferragem. É aquele fenômeno que sentimos em casa quando passa um veículo pesado, só que mais prolongado”, disse, referindo-se ao tremor dessa manhã.

Editoria de Arte/Metrópoles Editoria de Arte/Metrópoles

Relatos
Supervisor da Bancorbrás, no SCS, Peterson Ricarte, 45 anos, contou que ele e colegas estavam em reunião no sétimo andar da empresa quando começaram a sentir a mesa balançar. “Imediatamente, pedi para as pessoas descerem. Fiquei com as pernas trêmulas. Nunca tinha vivido isso”, narrou.

Aline Campos, 34, é analista na mesma empresa. Além do susto, ela teve tontura durante o tremor, enquanto usava o computador. “Deu um desespero e só pensei em ficar o mais longe possível”, relatou. A cientista política Camila Meireles, 41, também trabalha no SCS e diz ter sentido o prédio balançar de um lado para outro.

Colaborou Saulo Araújo

 

 

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Aline Campos, que trabalha no mesmo edifício, também sentiu o abalo
Diversas pessoas sentiram o tremor
Na região central da capital federal, trabalhadores deixaram os prédios
Pessoas que evacuaram edifícios no Setor Comercial Sul
Prédios que tremeram foram evacuados às pressas
No momento do tremor, Peterson Ricarte estava no sétimo andar de um prédio no Setor Comercial Sul
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No momento do tremor, Peterson Ricarte estava no sétimo andar de um prédio no Setor Comercial Sul

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Aline Campos, que trabalha no mesmo edifício, também sentiu o abalo
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Aline Campos, que trabalha no mesmo edifício, também sentiu o abalo

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Diversas pessoas sentiram o tremor
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Diversas pessoas sentiram o tremor

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Na região central da capital federal, trabalhadores deixaram os prédios
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Na região central da capital federal, trabalhadores deixaram os prédios

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Pessoas que evacuaram edifícios no Setor Comercial Sul
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Pessoas que evacuaram edifícios no Setor Comercial Sul

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Prédios que tremeram foram evacuados às pressas
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Prédios que tremeram foram evacuados às pressas

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A Defesa Civil pede a todas as pessoas que sentiram os efeitos do terremoto para evacuarem imediatamente os prédios
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A Defesa Civil pede a todas as pessoas que sentiram os efeitos do terremoto para evacuarem imediatamente os prédios

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Tremor ocorreu por volta das 11h
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Tremor ocorreu por volta das 11h

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Carros estão sendo retirados da Garagem do Tribunal de Contas do Distrito Federal
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Carros estão sendo retirados da Garagem do Tribunal de Contas do Distrito Federal

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Prédios da Asa Norte, do Setor Comercial Sul e do Setor de Indústrias Gráficas foram atingidos e balançaram
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Prédios da Asa Norte, do Setor Comercial Sul e do Setor de Indústrias Gráficas foram atingidos e balançaram

WhatsApp/Reprodução
O Tribunal de Contas do DF (TCDF) também foi esvaziado
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O Tribunal de Contas do DF (TCDF) também foi esvaziado

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No Setor Comercial Sul, o abalo foi mais forte
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No Setor Comercial Sul, o abalo foi mais forte

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Setor Comercial Sul
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Setor Comercial Sul

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