Técnicos acusados de matar pacientes não se arrependeram, diz polícia

Delegado disse que investigados tentaram negar o crime, mas, confrontados com as provas, confessaram sem demonstrar arrependimento

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Foto colorida de paciente em coma deitada na cama do hospital - Neurologista explica o que é o coma e por que ele acontece - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de paciente em coma deitada na cama do hospital - Neurologista explica o que é o coma e por que ele acontece - Metrópoles - Foto: wutwhanfoto/Getty Images

Os três técnicos de enfermagem presos por suspeita de matarem três pacientes do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), ao injetarem substância letal, não demonstraram arrependimento durante depoimento à polícia.

O delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, disse que os três suspeitos foram extremamente frios.

“Quando mostramos os vídeos não esbanjaram nenhuma reação e nenhum arrependimento. Frieza total“, destacou.

Inicialmente, os presos tentaram negar os crimes dizendo que apenas aplicavam os medicamentos que eram indicados pelos médicos. No entanto, ao serem confrontados com as provas dos crimes, confessaram com frieza total, segundo o delegado. Eles não explicaram a motivação.

Nesta manhã, operação da Polícia Civil do DF (PCDF) prendeu três técnicos de enfermagem suspeitos de matarem ao menos três pacientes que estavam internados no Hospital Anchieta, entre novembro e dezembro 2025. Os presos têm 28, 24 e 22 anos – eles não tiveram a identidade revelada pela polícia.


Entenda o caso

  • A primeira fase da operação foi deflagrada na manhã de 11 de janeiro, com apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE).
  • Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal.
  • Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.
  • A polícia busca esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e se houve participação de outras pessoas.
  • As investigações tiveram novo avanço na última quinta-feira (15), com a deflagração da segunda fase da Operação Anúbis.
  • Nessa etapa, a Polícia Civil cumpriu mais um mandado de prisão temporária contra uma investigada e realizou novas apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

O caso foi denunciado às autoridades pelo próprio hospital, após a unidade de saúde observar circunstâncias atípicas relacionadas ao trio na UTI. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota. (Confira nota completa abaixo).

O delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, explicou como os suspeitos atuavam e detalhou que, em um caso específico, um dos técnicos de enfermagem administrou um produto químico de limpeza no paciente.

“Em um dos casos ele sugou um desinfetante no quarto de um paciente com a seringa e aplicou ao menos 10 vezes no paciente”, afirmou o delegado.

Entre as vítimas, estão uma professora aposentada, de 75 anos, um servidor da Caesb, de 63, e um jovem, de 33.

A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento para esclarecer completamente os fatos, identificar todos os envolvidos e apurar se os homicídios ocorreram de forma isolada ou sistemática dentro da unidade hospitalar.

Confira a nota do hospital na íntegra:

“Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.

Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.

Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.

O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.

O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça”.

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