Mirelle Pinheiro

DF: técnicos se passaram por médicos para matar pacientes em hospital. Veja vídeo

Um dos técnicos, de 24 anos, utilizou indevidamente o sistema eletrônico do hospital que estava aberto em nome de um médico

atualizado

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1 de 1 hospital - Foto: PCDF/Reprodução

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga como técnicos de enfermagem teriam se aproveitado de falhas internas e do acesso aos sistemas hospitalares para provocar a morte de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital em Taguatinga. A motivação para os atos ainda não foi esclarecida.

Ao menos três pessoas morreram após procedimentos irregulares, e três ex-técnicos — dois homens e uma mulher — foram presos. Os casos ocorreram no Hospital Anchieta, em Taguatinga. Os crimes foram, inclusive, denunciados pelo próprio hospital.

As apurações, que correm sob sigilo, apontam que o grupo agia de forma coordenada dentro da rotina hospitalar.

Segundo a investigação, um dos técnicos, de 24 anos, utilizou indevidamente o sistema eletrônico do hospital que estava aberto em nome de um médico para prescrever um medicamento incompatível com o quadro clínico das vítimas.

Em seguida, ele retirava o remédio na farmácia da unidade e o aplicava diretamente nos pacientes, sem qualquer autorização ou ciência da equipe médica responsável.

Duas dessas aplicações ocorreram em 17 de novembro do ano passado e a terceira em 1º de dezembro. As vítimas eram uma professora aposentada de 67 anos, um servidor público de 63 anos e um homem de 33 anos, todos internados na UTI.

Além do medicamento prescrito de forma irregular, a Polícia Civil apurou que, em um dos casos, o técnico chegou a aplicar desinfetante por meio de seringa, em ao menos dez ocasiões, diretamente em um dos pacientes.

A substância não possui qualquer indicação para uso intravenoso e pode causar danos graves e imediatos.

Ação registrada por câmeras

Os investigadores tiveram acesso às imagens das câmeras de segurança instaladas na UTI, que registraram a movimentação dos suspeitos no interior da unidade.

As gravações mostraram a presença dos técnicos junto aos leitos das vítimas nos horários compatíveis com os procedimentos irregulares.

Inicialmente, os três ex-técnicos negaram qualquer participação nos crimes. No entanto, após serem confrontados com as imagens e outros elementos colhidos durante a investigação, acabaram confessando o envolvimento.

Segundo a Polícia Civil, o homem de 24 anos foi o responsável direto pela aplicação dos medicamentos, enquanto as duas mulheres, de 22 e 28 anos, teriam auxiliado em pelo menos dois dos episódios, seja dando suporte logístico, seja facilitando o acesso aos pacientes.

Prisões e avanço da investigação

As prisões ocorreram no último dia 11, durante a primeira fase da operação conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP).

Na mesma ação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.

Na segunda fase da operação, deflagrada na quinta-feira (15), a Polícia Civil apreendeu novos dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

O material será analisado para aprofundar a investigação, identificar a dinâmica completa dos crimes e verificar se houve outros episódios semelhantes.

A PCDF apura ainda se os homicídios foram atos isolados ou se existia um padrão de conduta dentro da unidade hospitalar.

O que diz o hospital

Confira a nota enviada pelo Hospital Anchieta:

“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.

Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.
Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.

Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.

O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.

O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça.”

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