Hospital passou a investigar técnicos ao notar mortes por “circunstâncias atípicas”

O Hospital Anchieta instaurou, por iniciativa própria, uma investigação interna contra os profissionais acusados de três homicídios

atualizado

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1 de 1 pcdf prisão (1) (1) - Foto: Divulgação/PCDF

O Hospital Anchieta instaurou, por iniciativa própria, um comitê de investigação contra os técnicos de enfermagem acusados de três homicídios ao notar que mortes foram por “circunstâncias atípicas” na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), em Taguatinga (DF).

Com base nas evidências colhidas, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio hospital requereu a instauração de inquérito policial, “bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026”.

Os casos são tratados como homicídios e estão no centro da Operação Anúbis, que significa deus grego da morte, conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP) da Polícia Civil do DF. A motivação para os atos não foi esclarecida.

Segundo as apurações, os principais alvos da investigação são duas técnicas de enfermagem e um técnico de enfermagem. Eles têm 22, 24 e 28 anos e nã tiveram suas identidades reveladas pela PCDF. O trio é suspeito de provocar a morte de pacientes por meio da aplicação indevida de composto químico diretamente na veia das vítimas.

“Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes”, disse o Anchieta em nota.

A unidade privada de saúde ressaltou ter entrado em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. O hospital destacou que o caso tramita em segredo de Justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.

“O hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça”.


Entenda o caso

  • A primeira fase da operação foi deflagrada na manhã de 11 de janeiro, com apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE)
  • Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal.
  • Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.
  • A polícia busca esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e se houve participação de outras pessoas.
  • As investigações tiveram um novo avanço na última quinta-feira (15), com a deflagração da segunda fase da Operação Anúbis.
  • Nessa etapa, a Polícia Civil cumpriu mais um mandado de prisão temporária contra uma investigada e realizou novas apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

A Polícia Civil informou que as apurações seguem em andamento para esclarecer completamente os fatos, identificar todos os envolvidos e apurar se os homicídios ocorreram de forma isolada ou sistemática dentro da unidade hospitalar.

Confira a nota do hospital na íntegra:

“Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.

Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.

Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.

O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.

O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça”.

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