Segurança sobre duas rodas: DF ganhou 87 km de ciclovias em 2019

Com uma das três maiores malhas cicloviárias do país, Distrito Federal tem 553 km de faixas para bicicletas em 28 regiões administrativas

Homem anda de bicicleta em ciclovia de Águas ClarasRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 17/03/2020 0:14

Buscando ampliar formas de mobilidade sustentável pela capital do país, o Governo do Distrito Federal (GDF) estendeu a malha cicloviária da unidade federativa em 87 km no último ano. Com um dos três maiores trechos de ciclovia do país, o DF conta com 553,95 km de faixas próprias para bicicletas em 28 regiões administrativas.

De acordo com informações da Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF (Semob), em 2017, Brasília tinha 442 km de ciclovias. Em 2018, 466,60 km. No ano passado, o número aumentou 18,72% em relação ao anterior, com ampliação de 87,35 km em todo o Distrito Federal.

Ainda segundo a pasta, o GDF visa aumentar ainda mais a malha cicloviária. Para 2020, já existem 112,14 km de ciclovias licitadas ou com projetos executivos concluídos, que preveem a readequação desses espaços e a construção de novos trechos, como em Brazlândia, Paranoá, Planaltina e Lago Norte.

Veja abaixo o mapa das ciclovias no DF:

Ajuda no trajeto para o trabalho

A maior parte da malha cicloviária do DF está no Plano Piloto, com 119,95 km. Acostumado a passar pelo Eixo Monumental diariamente, João Batista Ferreira, 58 anos, é um dos que utilizam frequentemente as ciclovias do centro da capital do país. De segunda a sexta, o servidor público sai de sua residência, no Cruzeiro, rumo ao trabalho, na Asa Norte.

Apesar de fazer o trajeto para o trabalho há cinco meses apenas, ele tem o hábito de pedalar constantemente desde 2013. “Depois que comecei a andar de bicicleta pelo Eixo Monumental, não parei. É a paz, a tranquilidade, de se livrar do trânsito. Você não tem esse estresse de ficar no engarrafamento”, destacou.

Para João Batista, alguns lugares da cidade têm iluminação precária nas áreas próprias para bicicletas. “A ciclovia é algo que está crescendo aqui. E quanto maior a claridade no local, melhor. É bem mais seguro para a gente”, ressaltou.

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Caminhos mais seguros

O aposentado João Povoá, 62, usa o meio de transporte todos os dias há cinco anos. “Comecei a levar uma vida na bicicleta a partir do momento em que tive problema no joelho. Fazia corrida e tinha de passar por cirurgia para continuar, e eu não quis. Então, adotei o ciclismo”, contou.

Ele sai do Park Sul, onde reside, para pedalar no Parque da Cidade durante a semana. Segundo o aposentado, o caminho que faz tem se tornado mais seguro ao longo dos anos. “De uns tempos para cá, vejo que essa parte de ciclovia vem melhorando gradativamente”, assinalou.

No entanto, Povoá pontua que o governo precisa ampliar a malha cicloviária de forma que as faixas entre as RAs e o Plano Piloto fiquem interligadas.

“Eu não me arriscaria a pedalar na rua. Acho que, se pudessem ampliar as ciclovias, principalmente para as cidades satélites, muitas pessoas usariam mais a bicicleta. Eu mesmo não uso mais carro. Qualquer atividade que tenho de fazer, até ir ao supermercado, vou de bicicleta”, frisou.

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Ruas mais adaptadas

Luciana Guimarães de Medeiros, 52, atravessa o Parque da Cidade todos os dias úteis da semana para chegar ao trabalho. A servidora pública sai do Sudoeste para a Asa Sul de bicicleta há cinco anos. Aos sábados e domingos, ela utiliza o veículo de duas rodas para atividades de lazer.

“Tenho duas bicicletas, essa normal e uma elétrica. Às vezes, quando tem muita coisa para carregar ou o sol está muito quente, vou trabalhar na elétrica. Mas, desde que não chova, vou sempre de bicicleta”, disse.

Para sua maior segurança, Luciana escolhe passar pelo parque diariamente para pedalar pela ciclovia. “Saio da minha casa e já pego a ciclovia. Atravesso a rua em frente ao parque, faço todo o trajeto nela e já estou no trabalho. Mas sempre por esse caminho, porque morro de medo de andar pela rua mesmo”, relatou Luciana.

Como tem o hábito de passar com frequência por caminhos próprios para ciclistas, a servidora pública avalia que, nos últimos anos, as ruas estão mais bem adaptadas para pessoas que transitam de bicicleta.

“Em relação a outras cidades, acho que não temos muito o que reclamar. Ainda há fatores que podem ser melhorados. Às vezes, a gente anda e tem uns trajetos que terminam do nada, por exemplo. Mas acredito que são coisas que ainda estão sendo aprimoradas”, considerou a servidora.

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Morador de Arniqueira, o empresário Rubens Capital (foto em destaque), 52, começou a pedalar todos os dias há dois anos, após fazer exames médicos e descobrir que precisava praticar mais atividades físicas.

Diariamente, ele sai de sua residência para andar de bicicleta no Parque de Águas Claras todas as manhãs e sempre escolhe passar pelas ciclovias. “Às vezes, vou ao Plano Piloto pedalando”, garante.

“As pessoas respeitam bastante. Tendo educação, dá para todo mundo passar livremente”, ponderou. “[As ciclovias de Brasília] melhoraram muito de uns três, quatro anos, para cá. Acho que é algo que vai aperfeiçoar ainda mais, porque vi que estão construindo outras. Acredito que vai ser muito bom”, completou Rubens.

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Ampliação na malha cicloviária

Segundo informou o subsecretário de Infraestrutura e Planejamento da Semob, José Soares de Paiva, ao Metrópoles, o governo busca ampliar a malha cicloviária do DF com a intenção de aprimorar a mobilidade urbana no Distrito Federal.

“O trabalho da secretaria baseia-se na política nacional de mobilidade urbana, que tem dois focos primordiais: o transporte público coletivo e o transporte alternativo – onde entra a bicicleta. Então, dentro disso, a Semob produziu um plano de mobilidade ativa que prevê investimento principalmente em ciclovias, calçadas e melhorias de acesso a hospitais e escolas”, destacou.

Sobre as reclamações de ciclistas quanto à falta de continuidade em determinados trechos da cidade, Paiva salientou que a pasta planeja construir novos caminhos a fim de conectar pontos diferentes pelo DF.

“Nesses novos 112 km que serão construídos, parte está voltada para o que chamamos de ciclovias de ligação. Vamos unir pontos que terminam em determinado local a um outro adiante, de modo a permitir a continuidade de quem anda de bicicleta por aquele caminho”, garantiu.

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Outro lado

A Secretaria de Economia esclarece que os recursos para infraestrutura de ciclovias podem estar incluídos em obras de urbanização, além das verbas destinadas exclusivamente para esse fim.

Assim, em 2019, foram empenhados R$ 9.706.128 na malha cicloviária. Outros R$ 4.601.219 contemplaram obras de urbanização, que também incluem ciclovias, pavimentação de calçadas, paisagismo, entre outros. Para 2020, o orçamento autorizado para investimentos nesse setor é de R$ 2.543.573.

O Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER/DF) informa que existem nas rodovias distritais aproximadamente 42 km de acostamento ciclável, 57,3 km de ciclovias e projeto de construção de mais 90 km de ciclovias, para os próximos três anos. O órgão não dispõe de detalhes acerca de locais e extensões para passar no momento.

Valores já empregados em trajetos para bicicleta e previsão para mais investimentos também não foram disponibilizados pelo DER. Isso porque praticamente todas as ciclovias construídas nas rodovias fazem parte de um pacote maior de obras, como por exemplo a do Trevo de Triagem Norte e Ligação Torto-Colorado.

A ciclovia que o DER iniciou em 2019, que é totalmente avulsa, ou seja, apenas ela como obra, sem fazer parte de uma outra maior, foi a da ligação Santa Maria/Gama, na DF-483. O investimento foi de R$ 922 mil.

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