Para a família, morte da vendedora Noélia foi crime premeditado

Nesta segunda (21/10/2019), polícia retoma depoimento de testemunhas para chegar ao autor do crime. Mulher levou um tiro no rosto

atualizado 21/10/2019 16:37

Reprodução/Redes sociais

A 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires) dá prosseguimento nesta segunda-feira (21/10/2019) aos depoimentos de testemunhas ligadas à vendedora Noélia Rodrigues de Oliveira, 38 anos, encontrada morta na sexta-feira (18/10/2019), no Assentamento 26 de Setembro, com um tiro no rosto. Ela saiu da Asa Norte na quinta-feira à noite (17/10/2019), após fechar a loja na qual trabalhava no Brasília Shopping, e desapareceu.

Para a família, o algoz de Noélia é uma pessoa conhecida. “É um quebra-cabeça a ser resolvido. Muito triste. Mas, para mim, foi planejado, porque a pessoa estava armada”, disse Egídio Oliveira, 55, irmão da vítima. “Não sabemos o demônio que fez essa maldade. Uma covardia. Isso é com a polícia agora, mas ela nunca chegou depois da meia-noite em casa, sempre foi muito cuidadosa. A filha dela só dormia quando a mãe chegava”, completou.

Sobrinho de Noélia, Arthur Henrique Silva de Oliveira, 28, também acredita que a vítima conhecia o autor do feminicídio. “Pela forma como ocorreu, ela o conhecia. Minha tia não entraria no carro de um desconhecido por conta própria”.

No início da tarde, o marido de Noélia, Marcos Paulo Mendes Santana, 42, também esteve na delegacia. Ele teria ido, segundo seu advogado Geraldo Madureira, buscar o celular apreendido pela polícia na sexta-feira e objetos da mulher. “Meu cliente não precisou prestar esclarecimentos e, se precisasse, teria prestado”, informou o defensor. Para Madureira, “a participação de Marcos no crime está praticamente descartada, porque se a polícia devolveu os bens é porque não vai precisar dessas provas num tribunal”, justificou. Pontuou ainda que, no final de semana, o companheiro da vítima era “tratado como suspeito”.

A PCDF também apreendeu a moto, o carro e as roupas usadas por Marcos Paulo no dia em que Noélia se encontrava desaparecida.

 

Myke Sena/Especial para o Metrópoles
O marido de Noélia (de camiseta branca) entre o irmão da vítima e o advogado Geraldo madureira

 

Sobre a denúncia de violência doméstica contra Santana, o advogado reforçou que o caso não teria relação com a morte de Noélia. “Foi um acontecimento registrado como violência doméstica, por conta de uma briga generalizada entre parentes. Até quem denunciou foi o irmão dela. Uma semana depois, já estavam conciliados”, destacou.

Ainda de acordo com o defensor de Marcos Paulo, o seu cliente não suspeita de ninguém que possa ter cometido o feminicídio. “Ele só cita o comportamento dela de não pegar transporte pirata, de não pegar carona com desconhecido. Está inconformado. Desde o início falou que é um absurdo o que aconteceu. Já trouxe tudo de prova que pediram, tudo ele trouxe para a delegacia”, completou.

Noélia havia registrado duas ocorrências de violência doméstica contra o atual marido – com quem tem dois filhos –, em 2010, e contra o ex-companheiro – pai de seu primogênito –, em 2007. As denúncias não prosperaram nem chegaram à Justiça. Não há, porém, informação se a vítima retirou as queixas ou se os inquéritos foram arquivados.

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Segundo Geraldo Madureira, o cliente colabora com as investigações. O crime é considerado como feminicídio. “Ele está sendo tratado como suspeito por causa de um protocolo equivocado da PCDF, que tratou o caso como feminicídio. Ele já foi ouvido e prestou esclarecimentos, não depoimento”, explicou o advogado de Marcos Paulo em entrevista ao Metrópoles, na sexta-feira (18/10/2019).

Questionado a respeito do relacionamento do casal, o defensor do marido da vítima disse que não poderia falar sobre o assunto, uma vez que não participava da vida pessoal dos dois.

Desaparecimento

Noélia foi vista pela última vez com vida na saída de um shopping na Asa Norte, local onde trabalhava. Nas imagens, é possível observar a vítima ao celular. À polícia, o marido contou que falou com a mulher por telefone, dizendo que a buscaria no ponto de ônibus, como era rotina entre o casal.

Na quinta-feira (17/10/2019), porém, Noélia não desceu do ônibus, o que levou Marcos Paulo a iniciar uma campanha de “procura-se” na internet, além de acionar a PCDF. A vítima foi encontrada morta, em Vicente Pires, com um tiro no rosto.

O adeus
Um misto de tristeza e revolta marcou o velório de Noélia, no cemitério de Taguatinga, nesse domingo (20/10/2019). O corpo chegou ao local por volta das 12h30, e o sepultamento teve início as 16h. Marcos Paulo participou da cerimônia de despedida na Capela 1 ao lado dos dois filhos mais novos – um garoto de 5 anos e uma menina de 9. O primogênito da vítima, de 16, também esteve no local. As crianças choraram muito e foram levadas embora logo depois.

Noélia era a caçula de 14 irmãos. Um deles, Odemar Oliveira Guedes, 42, veio do Tocantins para o enterro. “Meus pais moram no Ceará e não puderam vir pela idade. Só Deus sabe o que estão passando. Queremos que as autoridades tomem providências. Minha irmã era muito trabalhadora”, falou. “Só Deus sabe o que estamos sentindo. Espero que a justiça seja feita, a de Deus e a do homem.”

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