Patrulha do açúcar: 21,2% dos brasilienses consomem doces em excesso

O número é o sexto maior entre as 27 capitais brasileiras e está acima da média nacional, que ficou em 20%. Problema é maior entre jovens de 18 a 24 anos

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1 de 1 doces - Foto: Pixabay

Esta é para você que não consegue resistir a um brigadeiro: segundo um estudo do Ministério da Saúde, 21,2% dos brasilienses consomem doces em excesso. O número é o sexto maior entre as 27 capitais brasileiras e está acima da média nacional, que ficou em 20%. Os resultados são preocupantes principalmente porque o consumo excessivo de açúcar é um dos fatores que causam a diabetes, doença crônica que hoje atinge 7% da população do DF.

Segundo o endocrinologista e nutrólogo Delmir Rodrigues, a batalha contra o consumo excessivo de açúcar é especialmente difícil no Brasil. “O brasileiro se acostumou a consumir coisas muito doces. Colocamos açúcar em sucos de frutas, por exemplo, que já são adoçados naturalmente. Além disso, há uma grande cultura de alimentação industrializada, que costuma ter muita adição de açúcar”, afirma.

A orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que o indivíduo consuma, no máximo, 50 gramas de açúcar por dia. O povo brasileiro tem ingerido 50% a mais do que deveria, segundo a entidade. Além dos doces, alimentos ricos em carboidratos também se transformam em glicose quando metabolizados pelo corpo e aumentam o nível de açúcar no sangue.

No DF, o problema é ainda maior entre pessoas de 18 a 24 anos, faixa na qual o índice de consumo excessivo de doces chega a quase 30%. “Tenho visto muitos jovens vindo ao consultório obesos e com diabetes. Isso é resultado da falta de atenção que os pais costumam dar à alimentação das crianças desde a infância”, afirma o dr. Delmir Rodrigues.

Era o caso da estudante Júlia Seabra, de 22 anos, que decidiu modificar a dieta depois de assistir a um documentário. O filme mostrava a quantidade de açúcar presente em produtos rotulados como saudáveis em supermercados. “Fiquei chocada. A taxa era muito maior do que eu esperava”, diz. Além disso, a garota se identificou com as características de quem consome açúcar em excesso: “Sempre me alimentei mal e podia sentir que vivia cansada, sem disposição. Depois que vi o documentário, percebi que provavelmente isso era causado pela glicose exagerada no sangue.”

Júlia, então, decidiu tomar uma medida brusca: cortou da dieta todos os alimentos que tinham açúcar adicionado e passou a priorizar produtos naturais. Hoje, já se sente mais disposta e pretende voltar a ingerir açúcar aos poucos. “Para mim, era mais fácil parar de comer de uma vez. Agora, que já estou acostumada, quero voltar a consumir esses produtos em quantidade menor que antes”, afirma.

Para o médico Delmir Rodrigues, nem todo mundo precisa ser tão abrupto quando Júlia. “O açúcar é viciante. Então, a melhor forma para diminuir o consumo excessivo é, aos poucos, ir substituindo os alimentos que fazem mal por outros com menos açúcar. Com o tempo, o corpo vai se acostumando e passa a exigir uma ingestão menor de açúcar”, aconselha.

O médico também aconselha os pais a monitorarem a alimentação dos filhos desde pequenos, para evitar problemas no futuro. “A dieta das crianças é reflexo da dieta das famílias. Portanto, os pais têm que ficar atentos ao que os filhos comem, além de inserir alimentos saudáveis para que os pequenos se acostumem a comer o que faz bem”, afirma.

Diabetes
Entre os malefícios que o consumo excessivo de açúcar pode causar está a diabetes tipo dois. Devido à grande ingestão da substância, o pâncreas precisa produzir muita insulina, hormônio que reduz a taxa de glicose na corrente sanguínea. Essa produção exagerada acaba por sobrecarregar o órgão, até que ele deixa de funcionar, causando a alta concentração de açúcar no sangue e, portanto, a diabetes.

A doença é mais regular entre mulheres acima de 65 anos e pode levar a complicações como o pé diabético: quando uma área infeccionada ou machucada nos membros inferiores torna-se uma úlcera e pode levar até à amputação da perna. Nos últimos dez anos, a taxa de pessoas com a diabetes no Brasil passou de 5,5% para 7,4%.

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