Homem aguarda UTI com hemodiálise há uma semana no DF

Com duas ações para conseguir vaga, Ernesto Teles da Silva está no Hospital Região Leste e precisa ser transferido para filtrar sangue

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atualizado 17/01/2020 19:46

Desespero é o sentimento que define a família do aposentado Ernesto Teles da Silva, 67 anos. Diagnosticado há mais de uma semana com grave insuficiência renal, ele precisa ser transferido a uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que disponha de equipamento para hemodiálise. Duas ações chegaram à Justiça, mas a Secretaria de Saúde do Distrito Federal alega falta de vagas.

O problema do antigo servidor da Universidade de Brasília (UnB), no entanto, começou há mais tempo. Com mal de Parkinson, ele precisou ser internado no Hospital Região Leste (HRL, antigo Hospital Regional do Paranoá), no mês passado, com pneumonia.

De acordo com a esposa dele, Valdecy Oliveira Teles, 66, o quadro de saúde de Ernesto se encontra em declínio. “Só piora. Ele está todo entubado e machucado”, afirma.

No último dia 11, a situação piorou. Os médicos perceberam que Ernesto não conseguia mais urinar e foi constatada a necessidade de internação imediata em uma UTI que realize o processo de hemodiálise, procedimento que filtra o sangue de quem tem problemas nos rins.

Na quinta-feira (16/01/2020), o advogado da família entrou mais uma vez com ação na Justiça e teve o pedido deferido. O juiz Rogério Faleiro Machado deu à sua decisão força de mandado, com necessidade de “ser cumprido com urgência, em regime de plantão”.

Foram dadas 24 horas para que a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) conseguisse o leito necessário. Entretanto, às 14h desta sexta (17/01/2020), o tempo expirou sem que o homem fosse transferido.

Com o tempo passando e sem que o marido receba o tratamento necessário, Valdecy se desespera. “Parece que não há interesse em salvar as pessoas. Essa noite, eu nem dormi. Estou muito triste. Os dias parecem nublados, mas a gente precisa ter esperança”, diz, emocionada.

O que diz a Secretaria de Saúde

Por meio de nota, a Secretaria de Saúde disse que o paciente está inserido na Central de Regulação, aguardando um leito de UTI específico, que tenha suporte para diálise. O órgão, de acordo com a pasta, “funciona 24 horas e faz buscas constantes para verificar a disponibilidade de leitos que atendam às exigências de cada paciente”.

O texto diz que a vacância do leito ocorre “mediante alta por melhora clínica, óbito ou transferência de estabelecimento de saúde dos pacientes que já os ocupavam previamente” e que os critérios para encaminhamento levam em conta “a gravidade de cada caso, de acordo com prioridades médicas”.

A nota finaliza informando que “o paciente permanece sendo assistido pela equipe do Hospital da Região Leste (antigo Hospital do Paranoá)”.