Após “pagar de doido”, psicólogo que matou 17 gatos passa em exame de sanidade
Psicólogo Pablo Stuart Fernandes Carvalho chegou a ser preso no fim de março do ano passado, mas foi solto sete meses depois
atualizado
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Um laudo produzido pelo Instituto de Medicina Legal (IML) do Distrito Federal descartou a tese de insanidade de Pablo Stuart Fernandes Carvalho (foto em destaque). O psicólogo é acusado de matar pelo menos 17 gatos.
O caso veio à tona há pouco mais de um ano. No dia 12 de março de 2025, a Polícia Civil recebeu denúncias de protetoras de animais que afirmaram que Stuart torturava até a morte os felinos.
Ele chegou a ser preso no fim de março do ano passado, mas foi solto sete meses depois. O processo corre na 1ª instância e agora está na fase de alegações finais.
O advogado de Stuart disse que acredita na inocência de seu cliente, e que ela “será devidamente demonstrada no momento oportuno, especialmente por ocasião das alegações finais, quando todos os elementos constantes nos autos serão analisados de forma técnica e criteriosa” (leia mais abaixo).
Relembre o caso
- Em 18 de março do ano passado, o Metrópoles revelou o caso de Pablo Stuart Fernandes Carvalho, 30 anos, psicólogo acusado de maltratar e matar diversos gatos.
- Para além da crueldade, os crimes chamam a atenção porque absolutamente todos os felinos adotados por Pablo eram cinza e tinham pelagem rajada.
- Pablo procurava protetores de animais pedindo para adotar os bichinhos. Um mês após uma adoção, ele inventava histórias para as doadoras afirmando que os bichos haviam sumido e pedia outro animal.
- Ele conseguiu adotar pelo menos 20 felinos entre setembro de 2024 e março de 2025.
- Após a divulgação inicial do caso, a maior dúvida era o que havia acontecido com os gatos. Depois, a investigação policial concluiu que Pablo matou quase todos os animais adotados — uma das cuidadoras conseguiu recuperar um deles.
- Áudios obtidos pelo Metrópoles e depoimentos de vizinhos comprovaram o teor macabro das atitudes de Pablo: ele jogava os bichinhos contra a parede e os torturava com banhos indevidos no apartamento onde morava, no Gama.
- Depois das primeiras denúncias e da repercussão do caso, Pablo foi preso pela PCDF em 25 de março de 2025. Dias depois, a Justiça converteu a prisão em preventiva.
- O psicólogo passou por audiências na 2ª Vara Criminal do Gama em 18 de setembro e 9 de outubro. Na primeira data, a Justiça ouviu as testemunhas de acusação; na segunda, foi a vez de a defesa se posicionar.
- A defesa do psicólogo recorreu da prisão, e a 2ª Vara Criminal do Gama aceitou o pedido de revogação da prisão preventiva em 30 de outubro de 2025. Ele está livre desde então.
- O registro profissional de psicólogo de Stuart está cancelado.
Laudo psiquiátrico
O Metrópoles teve acesso ao laudo psiquiátrico de Stuart, concluído após a revogação da prisão preventiva dele.
Segundo o documento, o acusado apresenta perturbações de saúde mental, mas possui plena capacidade de entendimento e de se autodeterminar. Ou seja, segundo o parecer do IML, o investigado é são e tem consciência de seus atos.
Veja o que o documento apontou:
- Na época dos fatos, Stuart tinha transtorno ansioso não especificado e transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de estimulantes (incluindo cafeína) de forma abusiva.
- Atualmente, ele é portador de transtorno misto de ansiedade e depressão.
- Ambos os transtornos ansiosos são considerados perturbações da saúde mental e estão relacionados a estresse.
“Ao tempo dos fatos, possuía plena capacidade de entendimento e plena capacidade de se autodeterminar. Portanto, caso seja realmente o autor dos crimes a ele imputados, não houve nexo causal entre os crimes praticados e seus transtornos ansiosos ou decorrentes do uso de estimulantes, incluindo a cafeína”, afirmou o laudo.
Pedido de condenação
A versão final do inquérito conduzido pela PCDF apontou para a suspeita de assassinato de 21 gatos. No entanto, o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) pediu a condenação de Stuart pelo crime de maus-tratos praticados por 17 vezes, com aplicação de agravantes para elevar a pena.
A Promotoria de Justiça considerou que havia provas robustas somente para 17 casos. Para os demais, as evidências não foram consideradas suficientes para sustentar a acusação.
Veja imagens de alguns dos gatos adotados por ele:
A acusação busca que a condenação seja calculada uma vez por cada gato. Ou seja, se a pena for de 1 ano e 3 meses referente a maus-tratos, o MPDFT quer que seja computada 17 vezes, chegando a mais de 20 anos de prisão.
A acusação também solicitou a proibição de guarda de animais, multa e reparação mínima em favor das vítimas e da coletividade. Stuart não poderá mais ser tutor de qualquer bicho.
Atualmente, corre o prazo para a defesa de Pablo apresentar suas alegações finais. Na sequência, o juiz de 1ª instância definirá a sentença, por condenação ou absolvição. Seja qual for o resultado, caberá recurso para ambas as partes.
Justiça pelos Tigrados
A protetora de animais Juliana Campos faz parte do movimento Justiça pelos Tigrados, que busca a reparação pelas mortes, tortura e mau-tratos contra os gatos.
Para a ativista, em caso de condenação, deve-se aplicar a Lei Sansão (Lei nº 14.064/2020), que aumenta o pena de 2 a 5 cincos de reclusão para cada crime.
“A gente quer a mudança de comportamento da sociedade. Não maltratem os animais. Não maltratem nenhum tipo de animal. Nossa expectativa é pela condenação máxima, que ele pegue por cada um deles em regime fechado”, afirmou.
Outro lado
Em nota, o advogado Diego Marques Araújo, que defende Stuart, disse que “recebeu com serenidade o pedido de condenação apresentado pelo Ministério Público”.
“Confiamos que, ao final do processo, prevalecerá a verdade dos fatos e será proferida sentença que reconheça a inocência do acusado, em estrita observância aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa”, afirmou.




















