Promotor sobre técnicos de enfermagem: “Os três agiram para matar”

Bernardo Resende, do MPDFT, acusa as defesas dos técnicos de adotarem estratégia para incriminar apenas um dos três réus

atualizado

metropoles.com

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Técnicos de enfermagem
1 de 1 Técnicos de enfermagem - Foto: Reprodução/Web

O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) é taxativo ao dizer que os três técnicos de enfermagem acusados de matar pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta têm responsabilidade direta na morte das vítimas. Para o promotor de Justiça Bernardo de Urbano Resende, o trio agiu “para matar”.

A declaração foi dada logo após o segundo dia de julgamento de Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22. Para o promotor Bernardo Resende, Amanda e Marcela adotaram uma estratégia de incriminar Marcos para tentar se livrar de uma pena rigorosa.

“Estou há 27 anos no júri e estou cansado de ver essa questão de as pessoas tentarem jogar a culpa no outro, e é essa a estratégia adotada [pelas técnicas de enfermagem] nesse processo. Eles [os advogados de defesa] querem que quem responda pelos crimes seja o Marcos e que as outras duas técnicas sejam liberadas“, alegou o promotor.

“Mas, na realidade, estamos perto de concluir de forma absoluta que os três agiram de forma unânime, todos visando matar aquelas pessoas.”

Resende encerrou afirmando que o Ministério Público vai solicitar que o caso vá ao Tribunal do Júri. “Depois de toda essa documentação que a defesa entende que precisa ser juntada ao processo, esse processo vai ao Ministério Público para apresentar o que a gente chama de alegações finais, e o Ministério Público já adianta: vamos pedir que eles vão a júri, revelou.

“Entendo que há provas mais do que suficientes para que eles sejam condenados”, pontuou Resende.


Entenda o caso

  • Em 11 de janeiro, a Polícia Civil do DF (PCDF) deflagrou a primeira fase da Operação Anúbis. Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente, e mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
  • Àquela altura, porém, o caso ainda não havia vindo à tona. O teor da operação só foi noticiado em 19 de janeiro, quando a PCDF confirmou que três técnicos de enfermagem foram presos por suspeita de envolvimento em mortes de pelo menos três pacientes do Hospital Anchieta.
  • O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após a instituição notar estranheza nos óbitos e semelhança entre os casos.
  • Descobriu-se, então, que Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, teriam injetado altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca em João Clemente Pereira, 63; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75.
  • Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as medicações, enquanto Amanda e Marcela davam cobertura.

Quem eram as vítimas

Os pacientes mortos na UTI do Hospital Anchieta são João Clemente Pereira, 63, Marcos Moreira, 33, e Miranilde Pereira da Silva, 75.

Marcos Moreira, 33 anos, era morador de Brazlândia (DF) e servidor dos Correios. Ele deixou uma filha de 5 anos. O servidor dos Correios deu entrada na UTI com dores abdominais e morreu em 1º de dezembro de 2025. O velório aconteceu no dia seguinte, no Campo da Esperança de Brazlândia.

Outra vítima é João Clemente Pereira. Ele tinha 63 anos e era servidor da Caesb. Segundo a família, o paciente reclamava de dores de cabeça. No hospital, foi constatado que ele estava com um coágulo na parte superior do crânio.

Após cirurgia, o paciente apresentou algumas complicações pulmonares devido à intubação, mas melhorou com o passar dos dias. Em 18 de novembro, sofreu quatro paradas cardíacas e morreu. João Clemente se aposentaria em dois anos. Ele deixou a esposa, dois filhos e um neto.

A terceira vítima é a professora Miranilde Pereira da Silva, 75. Segundo a investigação policial, o técnico preso injetou desinfetante na mulher. Os técnicos de enfermagem estão presos desde o dia 12 de janeiro e aguardam julgamento.

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