Veja as versões em depoimento de técnicos acusados de mortes em UTI

Marcos Vinícius, Amanda e Marcela, acusados de matar três pacientes no Hospital Anchieta, prestaram depoimento nesta segunda-feira (8/6)

atualizado

metropoles.com

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Arte Metrópoles/Lara Abreu
funcionarios hospital anchieta (1)
1 de 1 funcionarios hospital anchieta (1) - Foto: Arte Metrópoles/Lara Abreu

A audiência de instrução dos técnicos de enfermagem acusados de matar três pacientes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta foi retomada na tarde desta segunda-feira (8/6) com o depoimento dos acusados.

O primeiro a depor foi o técnico Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo. O investigado recusou o direito de permanecer em silêncio e disse que responderia apenas às perguntas do advogado que o representa.

No início, Marcos falou mais sobre a relação que tinha com Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, as outras duas técnicas investigadas. Ele admitiu que era visto com frequência ao lado de Amanda.

Com relação a Marcela Camilly, o réu declarou que ficou responsável por treiná-la. “Quando a Marcela chegou, a treinei por três dias. Como o hospital tinha quadro de funcionário sem experiência, não treinaram a Marcela pela quantidade de meses que devia”, alegou.

O técnico também contou brevemente o contato que teve com as vítimas, João Clemente Pereira, 63, Marcos Moreira, 33, e Miranilde Pereira da Silva, 75.  Marcos contou que Miranilde deu entrada no Hospital Anchieta com crise de ansiedade e que não tinha justificativa para que ela ficasse na UTI.

“Presenciei vários pacientes indo embora sem avisar por não entender o motivo de terem sido mandados para a UTI”, declarou.

Com relação à vítima João Clemente, Marcos contou que o homem chegou no Anchieta com “quadro debilitado”. “Antes de eu tê-lo atendido, ele já havia tido paradas cardíacas.”

Marcos Raimundo, terceira vítima, foi descrito pelo técnico como “paciente gravíssimo”. “Eu era responsável pelo leito dele”, declarou. “Quando colocamos o Marcos na tomografia, ele sofreu uma parada cardíaca lá dentro”, informou, momentos antes de dizer que o hospital lucrava com a realização de exames.

O depoimento do técnico Marcos Vinícius durou cerca de 30 minutos.

Técnica chora e diz que é inocente

Segunda a depor, Marcela Camilly Alves da Silva se declarou inocente.

A mulher explicou que foi chamada para trabalhar no Anchieta após passar em um processo seletivo do hospital e contou que nunca tinha trabalhado em UTI antes de ser contratada no local. “Conquistei experiência quando comecei a trabalhar lá”, disse.

Marcela confirmou que foi treinada por Marcos e disse que confiava nas instruções do técnico. “Todos gostavam dele”, pontuou.

A técnica chorou ao falar que não fazia ideia do que teria acontecido com as vítimas. Ao ser indagada se Marcos teria utilizado a presença dela para cometer os crimes sem ser descoberto, Marcela confirmou que sim.

“Fiquei muito nervosa quando fui para a delegacia. Não sabia o motivo e ninguém me explicava. Disseram que eu voltaria para casa, mas eu não voltei.”

“Esperava que ele assumisse”

Terceira a depor, a técnica Amanda Rodrigues de Souza contou que tinha a expectativa de que Marcos assumisse a responsabilidade e tirasse dela e de Marcela a culpa pelos crimes.

“Eu esperei esse momento com expectativa e tinha a esperança de que ele tivesse a hombridade de falar a verdade, como e quando planejou e que não participamos disso. Ele estragou minha vida, a vida da minha única filha, da minha família e da Marcela”, alegou Amanda.

“Esperávamos que ele falasse a verdade e que desse uma explicação para todos, para vocês advogados, para a população, para a mídia. Sou ameaçada de morte no presídio e falam que vão fazer comigo o que foi feito com as vítimas.”

A acusada alegou ter descoberto sobre os fatos na delegacia. Durante a fala, ela disse que apareceu nas imagens de câmeras de segurança porque estava ajudando nas ressuscitações ou estava de costas, sem poder presenciar o que Marcos supostamente fazia.


Entenda o caso

  • Em 11 de janeiro, a Polícia Civil do DF (PCDF) deflagrou a primeira fase da Operação Anúbis. Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente, e mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
  • Àquela altura, porém, o caso ainda não havia vindo à tona. O teor da operação só foi noticiado em 19 de janeiro, quando a PCDF confirmou que três técnicos de enfermagem foram presos por suspeita de envolvimento em mortes de pelo menos três pacientes do Hospital Anchieta.
  • O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após a instituição notar estranheza nos óbitos e semelhança entre os casos.
  • Descobriu-se, então, que Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, teriam injetado altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca em João Clemente Pereira, 63; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75.
  • Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as medicações, enquanto Amanda e Marcela davam cobertura.

Quem eram as vítimas

Marcos Moreira, 33 anos, era morador de Brazlândia (DF) e servidor dos Correios. Ele deixou uma filha de 5 anos. O servidor dos Correios deu entrada na UTI com dores abdominais e morreu em 1º de dezembro de 2025. O velório aconteceu no dia seguinte, no Campo da Esperança de Brazlândia.

Outra vítima é João Clemente Pereira. Ele tinha 63 anos e era servidor da Caesb. Segundo a família, o paciente reclamava de dores de cabeça. No hospital, foi constatado que ele estava com um coágulo na parte superior do crânio.

Após cirurgia, o paciente apresentou algumas complicações pulmonares devido à intubação, mas melhorou com o passar dos dias. Em 18 de novembro, sofreu quatro paradas cardíacas e morreu. João Clemente se aposentaria em dois anos. Ele deixou a esposa, dois filhos e um neto.

A terceira vítima é a professora Miranilde Pereira da Silva, 75. Segundo a investigação policial, o técnico preso injetou desinfetante na mulher. Os técnicos de enfermagem estão presos desde o dia 12 de janeiro e aguardam julgamento.

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