Mortes em UTI: após testemunhas, técnicos são ouvidos em audiência
Audiência de Instrução deverá determinar os próximos passos do processo. Três técnicos de enfermagem são acusados de matar pacientes na UTI
atualizado
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O último dia da audiência de instrução dos técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, acusados de matar pacientes no Hospital Anchieta, começou na manhã desta segunda-feira (8/6), no Tribunal do Júri de Taguatinga.
A audiência teve início por volta das 9h e se estendeu até as 12h30, quando foi interrompida para o almoço. Ao longo da manhã, três testemunhas das defesas dos acusados foram ouvidas. As outras seis que também iriam depor foram dispensadas. Os técnicos de enfermagem devem começar a ser ouvidos após o retorno do intervalo.
O trio é acusado e denunciado pelas mortes de Marcos Moreira, aos 33 anos, João Clemente Pereira, 63, e Miranilde Pereira da Silva, 75. Os técnicos de enfermagem estão presos desde o dia 12 de janeiro.
Em 12 de março, o Ministério Público (MPDFT) denunciou os envolvidos por homicídio doloso, quando há a intenção de matar. Com a anuência da Justiça, os técnicos agora se tornaram réus. Marcos Vinícius e Marcela Camilly foram denunciados por três homicídios, enquanto Amanda Rodrigues irá responder por dois. Os técnicos também devem responder por algumas tentativas de homicídio.
Pelo fato de o processo tramitar em segredo de Justiça, os depoimentos serão acompanhados apenas pelas partes e interessados já cadastrados no processo, como os assistentes de acusação.
A audiência de instrução no Tribunal do Júri é o ato processual da primeira fase do processo, exclusiva para apurar crimes dolosos contra a vida. O objetivo é colher provas, ouvir testemunhas e interrogar o réu para que o juiz decida se os acusados devem ou não ir a julgamento pelo júri popular.
O processo judicial
A audiência dos técnicos teve início em 27 de maio e ouviu oito testemunhas. A previsão inicial era que a audiência fosse concluída após três dias, em 1º de junho. Porém, o Tribunal do Júri de Taguatinga tinha interesse em ouvir 32 testemunhas e precisou alterar as datas previstas e acrescentar um dia na previsão.
Veja a cronologia do caso
- Em 11 de janeiro, a Polícia Civil do DF (PCDF) deflagrou a primeira fase da Operação Anúbis. Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente, e mandados de busca e apreensão foram cumpridos;
- Àquela altura, porém, o caso ainda não havia vindo à tona. O teor da operação só foi noticiado em 19 de janeiro, quando a PCDF confirmou que três técnicos de enfermagem foram presos por suspeita de envolvimento em mortes de pelo menos três pacientes do Hospital Anchieta;
- O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após a instituição notar estranheza nos óbitos e semelhança entre os casos;
- Descobriu-se, então, que Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, e
- Marcela Camilly Alves da Silva, 22 teriam injetado altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca em João Clemente Pereira, 63; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75;
- Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as medicações, enquanto Amanda e Marcela davam cobertura.
Quem eram as vítimas
Marcos Moreira, 33 anos, era morador de Brazlândia (DF) e servidor dos Correios. Ele deixou uma filha de 5 anos. O servidor dos Correios deu entrada na UTI com dores abdominais e morreu em 1º de dezembro de 2025. O velório aconteceu no dia seguinte, no Campo da Esperança de Brazlândia.
Outra vítima é João Clemente Pereira. Ele tinha 63 anos e era servidor da Caesb. Segundo a família, o paciente reclamava de dores de cabeça. No hospital, foi constatado que ele estava com um coágulo na parte superior do crânio.
Após cirurgia, o paciente apresentou algumas complicações pulmonares devido à intubação, mas melhorou com o passar dos dias. Em 18 de novembro, sofreu quatro paradas cardíacas e morreu. João Clemente se aposentaria em dois anos. Ele deixou a esposa, dois filhos e um neto.
A terceira vítima é a professora Miranilde Pereira da Silva, 75. Segundo a investigação policial, o técnico preso injetou desinfetante na mulher.







