Justiça aceita denúncia, e técnicos viram réus por mortes de pacientes
Juiz entendeu que há indícios suficientes de materialidade e autoria para dar início à denúncia de homicídio qualificado contra o trio
atualizado
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A Justiça do Distrito Federal aceitou denúncia contra os técnicos de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa, 28, Marcela Camilly Alves da Silva, 22, e Marcos Vinicius Silva Barbosa de Araújo (todos na foto em destaque), 24, pelas mortes de pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
O juiz entendeu que há indícios suficientes de materialidade e autoria para dar início à denúncia de homicídio qualificado contra o trio.
De acordo com as investigações, o trio teria injetado altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca em ao menos três pacientes, matando João Clemente Pereira, 63; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75.
Na última quinta-feira (12/3), o Ministério Público (MPDFT) denunciou o trio por homicídio doloso, quando há a intenção de matar. Com a anuência da Justiça, os técnicos agora se tornaram réus.
O Metrópoles apurou que Marcos Vinícius e Marcela Camilly foram denunciados por três homicídios, enquanto Amanda Rodrigues irá responder por dois. Os técnicos também devem responder por algumas tentativas de homicídio.
Caso sejam condenados, a pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão por cada morte de paciente.
O inquérito policial conduzido pela Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP) foi concluído no último dia 6/3 e, então, remetido para o MPDFT, que nesta semana ofereceu a denúncia contra os profissionais de saúde.
A Justiça do Distrito Federal deu prazo de 10 dias para os técnicos de enfermagem apresentarem defesa.
Prisão convertida em preventiva
Os três técnicos de enfermagem tiveram a prisão temporária convertida em preventiva, na semana passada, após solicitação da PCDF e decisão da Justiça do DF.
O Metrópoles obteve imagens dos técnicos de enfermagem injetando substâncias que mataram os três pacientes supracitados. Os acusados aumentavam as doses dos remédios em até 10 vezes, tornando-os tóxicos e fatais.
Em um dos casos, eles chegaram a ministrar detergente nas vítimas.
Entenda o caso
- O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após observar circunstâncias atípicas relacionadas aos três pacientes supracitados. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota.
- A primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada pela PCDF na manhã de 11 de janeiro.
- Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas (GO).
- Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.
Em nota enviada nesta quarta, o Hospital Anchieta disse que “foi oficialmente comunicado da conclusão do inquérito conduzido pela Polícia Civil do Distrito Federal sobre os ilícitos envolvendo ex-colaboradores”.
“Cabe lembrar que foi a própria instituição que identificou tais condutas e comunicou imediatamente o caso às autoridades competentes. Desde então, o hospital vem atuando na condição de denunciante e colaborando de forma integral com as investigações”, afirmou.
Segundo o hospital, a PCDF concluiu que “este caso se trata de conduta criminosa dolosa, individual e deliberada, absolutamente incompatível com os princípios que norteiam as ações da instituição”.
“O Anchieta reafirma sua confiança no trabalho ético, técnico e comprometido de seus profissionais, que atuam com incansáveis dedicação e responsabilidade no cuidado aos pacientes, tendo este episódio sido um caso isolado, já investigado e com a responsabilização criminal dos envolvidos em andamento”, acrescentou.















