Mortes em UTI: audiência chega ao último dia com oitivas de técnicos

Além dos réus, também serão escutadas outras 9 testemunhas no 4° dia de sessão da audiência de instrução, que será nesta segunda (8/6)

atualizado

metropoles.com

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Arte Metrópoles/Lara Abreu
funcionarios hospital anchieta (1)
1 de 1 funcionarios hospital anchieta (1) - Foto: Arte Metrópoles/Lara Abreu

Os técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva (imagem em destaque), acusados de matar pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), serão ouvidos na audiência de instrução, nesta segunda-feira (8/8).

Também serão escutadas outras nove testemunhas no 4°. O último dia da fase serve exclusivamente para produção de provas. Os técnicos serão os últimos a prestar depoimentos.

Segundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), 23 testemunhas comuns, dentre acusação e defesa, já prestaram depoimentos à Justiça.

As audiências tiveram início em 27 de maio e estão sendo realizadas no plenário do Tribunal do Júri de Taguatinga.

A previsão inicial era que a audiência seria concluída após três dias, em 1° de junho. Porém, o Tribunal do Júri de Taguatinga precisou alterar as datas previstas e acrescentar um dia na previsão em razão do número de testemunhas a serem escutadas.

Pelo fato do processo tramitar em segredo de Justiça, os depoimentos são acompanhados apenas pelas partes e interessados já cadastrados no processo, como os assistentes de acusação.

Mortes em UTI: audiência chega ao último dia com oitivas de técnicos - destaque galeria
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A fase de audiência de instrução serve exclusivamente para produção de provas e não se trata de um julgamento definitivo.
O primeiro dia de audiência começou oficialmente no dia 27 de maio
Nesta segunda-feira (8/6), nove testemunhas, além dos réus, serão escutadas. Com as oitivas feitas, a fase da audiência de instrução será concluída
Os técnicos Amanda Rodrigues Sousa, 28 anos, Marcos Vinicius Silva, 24, Marcela Camilly, 22, são acusados de três homicídios e cinco tentativas, ocorridos na UTI do Anchieta, entre novembro e dezembro do ano passado.
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Os técnicos Amanda Rodrigues Sousa, 28 anos, Marcos Vinicius Silva, 24, Marcela Camilly, 22, são acusados de três homicídios e cinco tentativas, ocorridos na UTI do Anchieta, entre novembro e dezembro do ano passado.

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
A fase de audiência de instrução serve exclusivamente para produção de provas e não se trata de um julgamento definitivo.
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A fase de audiência de instrução serve exclusivamente para produção de provas e não se trata de um julgamento definitivo.

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O primeiro dia de audiência começou oficialmente no dia 27 de maio
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O primeiro dia de audiência começou oficialmente no dia 27 de maio

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Nesta segunda-feira (8/6), nove testemunhas, além dos réus, serão escutadas. Com as oitivas feitas, a fase da audiência de instrução será concluída
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Nesta segunda-feira (8/6), nove testemunhas, além dos réus, serão escutadas. Com as oitivas feitas, a fase da audiência de instrução será concluída

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Vale lembrar que o TJDFT negou a quebra de sigilo do processo pedido do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT).

A medida havia sido solicitada na semana em que se iniciou a audiência. Na ocasião, o MPDFT alegou que o caso é de interesse público, o que justificaria a liberação das informações. No entanto, o juiz que conduz o processo negou o pedido durante a terceira sessão de audiência.

Entenda o caso

Os técnicos foram acusados e denunciados pelas mortes de Marcos Moreira, aos 33 anos, João Clemente Pereira, 63, e Miranilde Pereira da Silva, 75. 

Além dos três homicídios, o trio responde por cinco tentativas de homicídios qualificados, sendo quatro somente contra Miranilde, professora aposentada da Secretaria de Educação e uma contra o servidor da Caesb, João Clemente.


Veja a cronologia do caso:

  • Em 11 de janeiro, a Polícia Civil (PCDF) deflagrou a primeira fase da Operação Anúbis. Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente, e mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
  • Àquela altura, porém, o caso ainda não tinha vindo à tona. O teor da operação só foi noticiado em 19 de janeiro, quando a PCDF confirmou que três técnicos de enfermagem foram presos por suspeita de envolvimento em mortes de pelo menos três pacientes do Hospital Anchieta.
  • O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após a instituição notar estranheza nos óbitos e semelhança entre os casos.
  • Descobriu-se, então, que Amanda Rodrigues de Sousa, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo e Marcela Camilly Alves da Silva injetaram altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca. As vítimas foram João Clemente Pereira, 63, Marcos Moreira, 33, e Miranilde Pereira da Silva, 75.
  • Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as medicações, enquanto Amanda e Marcela davam cobertura.

Em 12 de março, o MPDFT denunciou o trio por homicídio doloso, quando há a intenção de matar. Com a anuência da Justiça, os técnicos se tornaram réus.

Marcos Vinícius e Marcela Camilly foram denunciados por três homicídios, enquanto Amanda Rodrigues irá responder por dois. 

Caso sejam condenados, a pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão por cada morte de paciente.

As defesas dos técnicos de enfermagem chegaram a apresentar novos pedidos de solturas. No entanto, todas foram negadas e os profissionais de saúde seguem presos. Marcos está detido no Complexo Penitenciário da Papuda, enquanto Amanda e Marcela estão na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF).

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) passou a investigar ainda em março outras seis mortes ocorridas no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). As mortes investigadas ocorreram em dezembro de 2025. A 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga) é responsável por apurar o caso.

De acordo com a delegacia, os óbitos sob investigação são de pessoas entre 73 e 83 anos. Todos tiveram paradas cardiorrespiratórias repentinas, o que fez as famílias procurarem a Polícia Civil.

Desde o início da investigação do caso, o Hospital Anchieta reforçou que foi a própria unidade de saúde que denunciou a ação criminosa dos suspeitos e informou que instituição acompanha com atenção o andamento das investigações.

Quem eram as vítimas

Marcos Moreira, 33 anos, era morador de Brazlândia (DF) e servidor dos Correios. Ele deixou uma filha de 5 anos. O servidor dos Correios deu entrada na UTI com dores abdominais e morreu em 1º de dezembro de 2025. O velório aconteceu no dia seguinte, no Campo da Esperança de Brazlândia.

Outra vítima é João Clemente Pereira. Ele tinha 63 anos e era servidor da Caesb. Segundo a família, o paciente reclamava de dores de cabeça. No hospital, foi constatado que ele estava com um coágulo na parte superior do crânio.

As vítimas de técnicos de enfermagem do Hospital Anchieta

Após cirurgia, o paciente apresentou algumas complicações pulmonares devido à intubação, mas melhorou com o passar dos dias. Em 18 de novembro, sofreu quatro paradas cardíacas e morreu. João Clemente se aposentaria em dois anos. Ele deixou a esposa, dois filhos e um neto.

A terceira vítima é a professora Miranilde Pereira da Silva, 75. Segundo a investigação policial, o técnico preso injetou desinfetante na mulher.

Os técnicos de enfermagem estão presos desde o dia 12 de janeiro e aguardam julgamento.

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