Mortes em UTI: audiência chega ao último dia com oitivas de técnicos
Além dos réus, também serão escutadas outras 9 testemunhas no 4° dia de sessão da audiência de instrução, que será nesta segunda (8/6)
atualizado
Compartilhar notícia

Os técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva (imagem em destaque), acusados de matar pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), serão ouvidos na audiência de instrução, nesta segunda-feira (8/8).
Também serão escutadas outras nove testemunhas no 4°. O último dia da fase serve exclusivamente para produção de provas. Os técnicos serão os últimos a prestar depoimentos.
Segundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), 23 testemunhas comuns, dentre acusação e defesa, já prestaram depoimentos à Justiça.
As audiências tiveram início em 27 de maio e estão sendo realizadas no plenário do Tribunal do Júri de Taguatinga.
A previsão inicial era que a audiência seria concluída após três dias, em 1° de junho. Porém, o Tribunal do Júri de Taguatinga precisou alterar as datas previstas e acrescentar um dia na previsão em razão do número de testemunhas a serem escutadas.
Pelo fato do processo tramitar em segredo de Justiça, os depoimentos são acompanhados apenas pelas partes e interessados já cadastrados no processo, como os assistentes de acusação.
A medida havia sido solicitada na semana em que se iniciou a audiência. Na ocasião, o MPDFT alegou que o caso é de interesse público, o que justificaria a liberação das informações. No entanto, o juiz que conduz o processo negou o pedido durante a terceira sessão de audiência.
Entenda o caso
Os técnicos foram acusados e denunciados pelas mortes de Marcos Moreira, aos 33 anos, João Clemente Pereira, 63, e Miranilde Pereira da Silva, 75.
Além dos três homicídios, o trio responde por cinco tentativas de homicídios qualificados, sendo quatro somente contra Miranilde, professora aposentada da Secretaria de Educação e uma contra o servidor da Caesb, João Clemente.
Veja a cronologia do caso:
- Em 11 de janeiro, a Polícia Civil (PCDF) deflagrou a primeira fase da Operação Anúbis. Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente, e mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
- Àquela altura, porém, o caso ainda não tinha vindo à tona. O teor da operação só foi noticiado em 19 de janeiro, quando a PCDF confirmou que três técnicos de enfermagem foram presos por suspeita de envolvimento em mortes de pelo menos três pacientes do Hospital Anchieta.
- O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após a instituição notar estranheza nos óbitos e semelhança entre os casos.
- Descobriu-se, então, que Amanda Rodrigues de Sousa, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo e Marcela Camilly Alves da Silva injetaram altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca. As vítimas foram João Clemente Pereira, 63, Marcos Moreira, 33, e Miranilde Pereira da Silva, 75.
- Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as medicações, enquanto Amanda e Marcela davam cobertura.
Em 12 de março, o MPDFT denunciou o trio por homicídio doloso, quando há a intenção de matar. Com a anuência da Justiça, os técnicos se tornaram réus.
Marcos Vinícius e Marcela Camilly foram denunciados por três homicídios, enquanto Amanda Rodrigues irá responder por dois.
Caso sejam condenados, a pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão por cada morte de paciente.
As defesas dos técnicos de enfermagem chegaram a apresentar novos pedidos de solturas. No entanto, todas foram negadas e os profissionais de saúde seguem presos. Marcos está detido no Complexo Penitenciário da Papuda, enquanto Amanda e Marcela estão na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF).
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) passou a investigar ainda em março outras seis mortes ocorridas no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). As mortes investigadas ocorreram em dezembro de 2025. A 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga) é responsável por apurar o caso.
De acordo com a delegacia, os óbitos sob investigação são de pessoas entre 73 e 83 anos. Todos tiveram paradas cardiorrespiratórias repentinas, o que fez as famílias procurarem a Polícia Civil.
Desde o início da investigação do caso, o Hospital Anchieta reforçou que foi a própria unidade de saúde que denunciou a ação criminosa dos suspeitos e informou que instituição acompanha com atenção o andamento das investigações.
Quem eram as vítimas
Marcos Moreira, 33 anos, era morador de Brazlândia (DF) e servidor dos Correios. Ele deixou uma filha de 5 anos. O servidor dos Correios deu entrada na UTI com dores abdominais e morreu em 1º de dezembro de 2025. O velório aconteceu no dia seguinte, no Campo da Esperança de Brazlândia.
Outra vítima é João Clemente Pereira. Ele tinha 63 anos e era servidor da Caesb. Segundo a família, o paciente reclamava de dores de cabeça. No hospital, foi constatado que ele estava com um coágulo na parte superior do crânio.

Após cirurgia, o paciente apresentou algumas complicações pulmonares devido à intubação, mas melhorou com o passar dos dias. Em 18 de novembro, sofreu quatro paradas cardíacas e morreu. João Clemente se aposentaria em dois anos. Ele deixou a esposa, dois filhos e um neto.
A terceira vítima é a professora Miranilde Pereira da Silva, 75. Segundo a investigação policial, o técnico preso injetou desinfetante na mulher.
Os técnicos de enfermagem estão presos desde o dia 12 de janeiro e aguardam julgamento.







