Professor que matou ex a tiros e voltou a dar aula é desligado de escola
Igor Azevedo Bomfim, 46 anos, vinha dando aulas em colégio da Estrutural. Ele responde pela morte da ex-esposa em crime cometido em 2010
atualizado
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O professor Igor Azevedo Bomfim (foto em destaque), 46 anos, não mais integra o quadro de profissionais do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 03 da Estrutural. A decisão foi anunciada após reportagem publicada pelo Metrópoles, nesta terça-feira (10/3).
A decisão foi confirmada à reportagem pela Secretaria de Educação do Distrito Federal. A medida é válida a partir desta terça. A pasta não explicou se Igor será remanejado para outra instituição de ensino ou se sofrerá afastamento e/ou exoneração.
O Metrópoles contou que a comunidade escolar do CEF 03 da Cidade Estrutural foi tomada por medo e revolta com o fato de Igor Azevedo Bomfim, assassino confesso da ex-esposa dele, ter sido nomeado para a instituição e começado a dar aulas no início deste ano. Relatos feitos à reportagem ansiavam para que a Secretaria de Educação tomasse atitudes em relação à presença do acusado no quadro de professores do colégio.
A Educação pontuou que, no momento da contratação, Igor “apresentou toda a documentação exigida para o ingresso no serviço público temporário, incluindo certidões negativas de antecedentes criminais, com resultado ‘nada consta’, expedidas pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Justiça do DF”.
“Esclarece-se, ainda, que a Corregedoria da Pasta adotou as providências cabíveis, mediante a instauração de procedimento de natureza sigilosa”, confirmou a pasta.
O professor responde pela morte da ex-mulher em processo que corre no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Entenda o crime envolvendo o docente
- Em 2 de novembro de 2010, Igor Azevedo Bomfim invadiu a casa da então ex-esposa Mayara de Souza Lisboa, em Santa Rita de Cássia (BA), e atirou nela. A vítima morreu no local.
- À época do crime, Igor tinha 31 anos, e Mayara, 22. Eles mantiveram relacionamento durante 1 ano e 8 meses.
- Igor tinha ciúmes que “extravasavam os limites da normalidade” e monitorava Mayara a cada passo, de acordo com inquérito policial. O relacionamento foi tomado por brigas. O réu chegou a apontar arma de fogo na cara da vítima em uma discussão.
- Na data dos fatos, Igor saltou o muro dos fundos da casa de Mayara, encontrou a ex-companheira no banheiro e a executou. A vítima chegou a pedir, dias antes, que um amigo vigiasse a casa dela para que ela pudesse tomar banho.
- Depois de 12 dias foragido, Igor se apresentou à polícia e confessou o crime. O professor alegou que matou a ex-esposa “em defesa da honra”.
- Igor virou réu e, em 2013, foi absolvido pelo Tribunal do Júri. Ele se mudou para o DF logo após a absolvição, e vive na capital federal desde então.
- A defesa de Mayara recorreu para anular a decisão que absolveu o criminoso. Em 2019, nova decisão condenou o professor a 10 anos, 10 meses e 18 dias de prisão.
- Igor recorreu e seguiu em liberdade até novembro de 2024, quando o caso transitou em julgado e ele foi preso, em novembro de 2024, em casa, no Guará (DF).
- Dias depois, porém, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou o trânsito em julgado do caso, e o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) determinou a soltura de Igor.
- O processo retornou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e segue sem atualizações relevantes.
O que diz o acusado
Em nota enviada ao Metrópoles antes da publicação da primeira reportagem, a defesa de Igor Azevedo Bomfim confirmou que aguarda decisão do STJ a respeito da acusação contra o réu no caso da morte da ex-namorada.
“A defesa de Igor se limita à atuação nos autos do processo. E, a respeito disso, [a defesa] tem a informar que, nos termos do que preceitua a Constituição Federal, qualquer pessoa é presumidamente inocente até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”, encerrou.
A reportagem fez novo contato após a informação de que Igor foi afastado do CEF 03 da Estrutural. Em caso de manifestações, o texto será atualizado.
