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A janela partidária, que permitiu aos parlamentares trocar de legenda sem qualquer punição até a noite de sábado (7/4), alterou a configuração da Câmara Legislativa. De uma tacada só, eliminou a representação de quatro legendas na Casa: PPS, PTB, Podemos e PSDB, todas com pretensões de lançar candidaturas ao Palácio do Buriti, pelo menos até agora. Do total de 24 distritais, sete mudaram de “endereço”.

Acolhidos em novas siglas, os parlamentares contabilizam a quantidade de votos que precisam para manter os mandatos. Alguns, inclusive, ensaiam voos mais altos. Estão de olho na Câmara dos Deputados, Senado e, até, no GDF. Ao governador Rodrigo Rollemberg (PSB) cabe esperar uma oposição cada vez mais ferrenha e obstáculos maiores na aprovação de matérias de seu interesse.

A sorte é que o chefe do Palácio do Buriti fez o dever de casa direitinho e conseguiu aprovar os projetos necessários a fim de garantir um 2018 de bonança. As medidas são suficientes para embalar uma candidatura à reeleição.

Mas os partidos não acumulam apenas perdas. Teve legenda que cresceu. PDT, PR e MDB, por exemplo, ampliaram a representatividade. De dois, passaram a ter três parlamentares. PSD, PRB e Pros também dobraram de tamanho: de um para dois. Já o PP, sem assento na CLDF, tem agora Celina Leão. O ex-partido dela, o PPS, perdeu também Raimundo Ribeiro (agora MDB) e ficou sem cadeira (veja a composição abaixo).

Atingido por uma crise sem precedentes, o PSDB também ficou sem nominata no Legislativo local. Rogério Negreiros aproveitou a debandada tucana liderada por Maria de Lourdes Abadia — filiada ao PSB de Rollemberg –, e assinou com o PSD.

Na outra ponta, o PDT, partido do presidente da Casa, Joe Valle, se fortaleceu. Manteve o Professor Reginaldo Veras e agregou o sem legenda Cláudio Abrantes. Mas o ingresso dele teve uma condição: que eles não apoiassem o atual governo. Compromisso nada complicado, já que Joe Valle foi lançado pré-candidato ao Buriti.

Força eleitoral
Para o cientista político Aurélio Maduro, os partidos com mais representantes na CLDF somam, consequentemente, mais força para as eleições. “Essas siglas vão ter maior poder de negociação na formação de coligações porque vão receber mais votos e dinheiro”, pontua.

E não é só isso. A proximidade das eleições exige um posicionamento partidário mais claro dos parlamentares. “Eles precisam da legenda para se elegerem e manifestarem suas posições com clareza. Agora, não dá mais para ficar em partido da base fazendo oposição ao GDF. Da mesma forma, não pode ficar em partido que faz oposição, mas tem cargos no governo. É a hora do tudo ou nada”, completa o consultor político Pedro Henrique Lemos.

À frente do PSD-DF, o deputado federal Rogério Rosso reforça a tese: “A partir de agora, Robério e Cristiano Araújo deverão somar forças. Somos um time. Vamos tomar decisões juntos, seja em qualquer projeto de votação na Câmara”. A tarefa, entretanto, não será fácil. Os dois distritais têm indicações no GDF e a legenda — da qual também faz parte o vice-governador Renato Santana — não está alinhada com Rollemberg.

Problema semelhante pode enfrentar Rodrigo Delmasso na nova sigla, o PRB. O ex-Podemos também tem cargos no Executivo, mas seu partido fechou aliança com o PPS, PSDB, PTB e outras legendas, semana passada, para lançar chapa majoritária e concorrer contra a reeleição do governador.

Já Raimundo Ribeiro está em situação mais confortável. Ex-aliado de Rollemberg, rompeu com o socialista e entregou os cargos. Agora nos quadros do MDB, vai buscar a reeleição. O antigo partido dele, o PPS, ficou sem representação.

“A gente estabeleceu uma estratégia e, com ela, esperamos eleger dois ou três deputados distritais para 2019”, desdenha o presidente da agremiação, Chico Andrade. Segundo ele, a saída de Celina Leão e Ribeiro não trará prejuízo ao partido, já mobilizado para o pleito de outubro.

Quem também afirma não precisar de nomes na CLDF, pelo menos até 31 de dezembro de 2018, é o presidente do PTB-DF e pré-candidato ao GDF, Alírio Neto. Ele afirma que o partido nem contava com os votos de Liliane Roriz. A filha de Joaquim Roriz, por sua vez, mudou para o Pros e espera se reeleger graças ao prestígio político do pai.

Como ficaram os partidos que ganharam mais deputados:
PDT
Como era: Joe Valle e Reginaldo Veras
Como ficou: Joe Valle, Reginaldo Veras e Cláudio Abrantes.
PR
Como era: Agaciel Maia e Bispo Renato Andrade
Como ficou: Agaciel Maia, Bispo Renato Andrade e Sandra Faraj.
MDB
Como era: Wellington Luiz e Rafael Prudente
Como ficou: Wellington Luiz, Rafael Prudente e Raimundo Ribeiro
PSD
Como era: Cristiano Araújo
Como ficou: Cristiano Araújo e Robério Negreiros
PRB
Como era: Júlio César
Como ficou: Júlio César e Rodrigo Delmasso
Pros
Como era: 
Telma Rufino
Como ficou: Telma Rufino e Liliane Roriz
PP
Como era: não tinha
Como ficou: Celina Leão

O Partido dos Trabalhadores permaneceu com seus três fiéis escudeiros: Wasny de Roure, Chico Vigilante e Ricardo Vale. Complementam o quadro Legislativo Chico Leite (Rede), Lira (PHS), Professor Israel (PV), Juarezão e Luzia de Paula (ambos do PSB).

Confira as legendas que ficaram sem representação:
PPS

Tinha: Celina Leão e Raimundo Ribeiro
PTB
Tinha: Liliane Roriz
PSDB
Tinha: Robério Negreiros
Podemos
Tinha: Rodrigo Delmasso
*Sandra Faraj tinha sido expulsa do Solidariedade e Cláudio Abrantes estava há um ano sem partido.

 

 

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