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Rodrigo Rollemberg (PSB) começou o quarto e último ano de governo engrandecendo feitos, como o fechamento do Lixão da Estrutural e o equilíbrio das contas públicas, mas um incidente freou as comemorações no Palácio do Buriti: duas faixas do viaduto sobre a Galeria dos Estados, no Eixão Sul, desabaram na última terça-feira (6/2). E o mesmo bloco que despencou em plena área central de Brasília acertou em cheio o caminho do chefe do Executivo, já declarado pré-candidato à reeleição.

Governistas acreditam que o episódio estimula o debate sobre mobilidade e infraestrutura – que pode favorecer o governador caso ele imprima uma agenda positiva sobre esses temas. 

Já os adversários aproveitam o incidente para acusar Rollemberg de ter neglicenciado ao menos sete alertas sobre problemas em edificações da capital da República – problemas identificados pelo menos desde 2012, na gestão Agnelo Queiroz (PT). Esse grupo acredita que o desabamento afundará ainda mais a popularidade do atual governador.

Nos próximos meses será possível comparar os números aferidos em pesquisas para saber quem está certo. Em dezembro de 2017, a pesquisa Metrópoles/Dados mais recente apontou 73,4% de reprovação ao Rollemberg. Índice verificado em algumas aparições públicas do socialista.

Na última quarta-feira (7),por exemplo, cidadãos manifestaram publicamente a insatisfação com o governador ao hostilizá-lo no restaurante Cantucci, da 403 Norte. Eles fizeram uma paródia com a música O Bêbado e o Equilibrista, composição de João Bosco e Aldir Blanc eternizada na voz de Elis Regina: “Caía a tarde feito um viaduto. E o Rollemberg roubando o nosso salário bruto…”. Um dia antes, ele tinha sido vaiado ao vistoriar o local do desabamento no Eixão Sul.

Oposição
Para a deputada federal Erika Kokay, presidente do PT-DF, a imagem de Rollemberg já estava deteriorada por conta do reajuste de até 25% na tarifa do transporte público, implantado em janeiro de 2017, e da insegurança refletida, por exemplo, no aumento do número estupros registrados no Distrito Federal. “O nome está marcado pela incompetência e autoritarismo. A queda do viaduto poderia ter matado várias pessoas. Era uma tragédia anunciada”, dispara.

O deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) reconhece não ser possível culpar exclusivamente Rollemberg pela queda de parte do viaduto, mas, para o político, isso não exime o socialista da responsabilidade, porque ele não tomou nenhuma medida preventiva que pudesse evitar o incidente.

A imagem de Rollemberg tinha melhorado com propagandas, mas agora desabou que nem o viaduto"
Alberto Fraga, deputado federal

A distrital Celina Leão (PPS) é ainda mais enfática: “Ninguém vai reeleger incompetente”. Para ela, Rollemberg, que assistiu ao desembarque de siglas como PSD, PDT e Rede da base governista, deve enfrentar mais resistência de outros partidos para angariar alianças no pleito de 2018. “A população não vai perdoá-lo pela tragédia que poderia ter acontecido se houvesse mortes. Tombou pra ele”, opina.

Por outro lado, o cientista político Gabriel Amaral enxerga a situação com menos pessimismo. Para ele, o incidente no Eixão não deve influenciar a campanha de Rollemberg, pois os relatórios que apontavam os riscos de construções ruírem são antigos e atravessaram outros governos.

Dentro da linha de eventual oposição, dificilmente vai ter alguém que não esteja conectado a governos anteriores. Rollemberg, então, entraria na vala comum"
Gabriel Amaral, cientista político

Ele avalia que a discussão sobre transporte público como alternativa para mobilidade urbana deve ser mais constante por conta das consequências causadas pelo buraco na importante via brasiliense. “Em Brasília, quem tem condições financeiras prioriza o uso do carro porque o transporte público é ineficiente e caro. A reivindicação que tendia ser apenas para as pessoas carentes se torna de todo o cidadão do DF”, pontua.

Veja fotos do acidente de terça (6)

O outro lado
Ao Metrópoles, o secretário de Comunicação, Paulo Fona, deu uma resposta que pressupõe uma volta por cima, diferentemente do esperado pelos opositores de Rollemberg. O secretário usou uma metáfora para comentar o assunto. “De um limão se faz uma limonada. Uma boa limonada se faz a partir de um limão bem azedo”, disse.

Já o líder do governo na Câmara Legislativa, Agaciel Maia (PR), saiu em defesa de Rollemberg no mesmo dia do incidente no Eixão. Segundo o distrital, a falta de manutenção na estrutura foi decorrente da escassez de recursos que, segundo ele, se deu devido à situação econômica deixada por gestões passadas.

“O governo não fez a manutenção dos viadutos porque, em três anos e meio, não tinha dinheiro para o pagamento nem da limpeza dos hospitais. Para cobrar [o governador], esta Casa tem que dar condições para que o governo trabalhe, como temos feito, aprovando a liberação de recursos”, disse Agaciel.