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Depois de idas e vindas, o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), informou a interlocutores do partido, na noite deste sábado (4/8), que não será mais candidato neste ano. Ou seja, não vai disputar sequer a reeleição ao Legislativo local.

O deputado começou a pré-campanha como nome da legenda para concorrer ao Senado. Depois, chegou a ser alçado pela cúpula nacional da sigla a postulante ao Palácio do Buriti, mas desistiu. Valle queria mesmo, segundo pessoas próximas dele, era ser candidato ao Senado em uma chapa encabeçada pelo ex-secretário Jofran Frejat (PR), tendo Cristovam Buarque (PPS) como aliado na corrida pela outra cadeira.

Porém, a coligação ficou inviável com a desistência do ex-secretário de Saúde e a dificuldade em acomodar interesses distintos.

Neste sábado, o distrital compartilhou a sua decisão com companheiros de partido e alegou motivos pessoais para desistir da campanha. “Ele [Valle] já havia dito, algumas vezes, que não concorreria, mas aproveitou o dia de hoje para oficializar sua saída. Tem uma questão pessoal, familiar”, disse uma fonte, sob condição de anonimato: “É uma pena, mas as pessoas precisam fazer opções”, lamentou.

Em convenção realizada durante o dia, o PDT lançou Fábio Barcellos para a vaga ao Senado em uma coligação a ser definida ainda neste domingo (5), prazo-limite para a escolha de candidatos e alianças, segundo o calendário eleitoral. Nas últimas horas, as negociações se intensificaram com duas chapas: a de Eliana Pedrosa (Pros) e a de Rogério Rosso (PSD).

Convenção
Caberá à Executiva regional da legenda definir se o partido vai lançar candidatura própria ou, caso contrário, com quem se coligará para as eleições de outubro. “Vamos conversar com todos os partidos que estão nos procurando. Também estamos esperando a decisão da Nacional para tentar replicar uma coligação”, explicou Georges Michel, presidente regional do PDT. A sigla aguarda ainda o PSB.

Sob tensão, o PDT-DF abriu sua convenção. O clima de divisão que dominou a legenda nas últimas semanas deu o tom do evento. O partido está totalmente rachado.

Entre os mais revoltados com a situação, está o ex-distrital Peniel Pacheco. Ele também foi lançado a pré-candidato ao GDF, mas não há entendimento entre a maioria da agremiação pedetista de que esse seria o melhor caminho a seguir: “O problema não é eu não ser o candidato, mas esse cenário é o pior dos mundos, conosco aberto para todo mundo e todo mundo aberto para nós. Corremos o risco de cair no colo de alguém que não tem o nosso ideal”.

O trajeto mais provável, entretanto, é a união com a chapa de Eliana Pedrosa (Pros) e Alírio Neto (PTB). Porém, novamente, não há unanimidade. O deputado distrital Reginaldo Veras disse ter “odiado” o encaminhamento. “Foi aprovado que não teremos candidatura própria. Ir com a Eliana ainda não está certo, mas, se for, farei campanha contra. Isso é ferir minhas bandeiras políticas e do PDT”, disparou o parlamentar.

Opções
Além da possibilidade de apoiar Eliana e Alírio, nova alternativa para o PDT – considerada como mais difícil – seria entrar no projeto de reeleição do governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Por último, uma composição com o deputado federal Rogério Rosso (PSD), que disputará o Buriti, em chapa com Cristovam Buarque (PPS), o qual tentará permanecer no Senado.

Em uma última tentativa de aproximação, o PSB soltou, na manhã deste sábado (4), uma hora antes de a convenção começar, nota oficial reiterando “apoio à candidatura de Ciro Gomes para a presidência do Brasil, pelo partido irmão, o PDT”.

O texto finaliza: “Com Ciro presidente do país e Rollemberg governador da capital da República, certamente o Brasil encontrará o caminho da paz social e da prosperidade”.

O presidente regional do PSB-DF, Tiago Coelho, foi pessoalmente à convenção pedetista para reforçar ainda mais a disposição da legenda em uma coalizão.