O governador Ibaneis Rocha (MDB) indicou o ex-deputado distrital Cristiano Araújo (PSD) para ocupar a Diretoria de Administração da Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF). É o quarto distrital derrotado nas urnas em outubro de 2018 acomodado pelo emedebista no GDF. Também conseguiram cargos na estrutura do governo local os ex-deputados Wellington Luiz (MDB), que comanda a Codhab; Raimundo Ribeiro (MDB), na diretoria da Adasa; e Bispo Renato (PR), que ficará na articulação política com a Câmara Legislativa.

Cristiano Araújo compõe a lista de cinco nomes apontados pelo chefe do Executivo local para a cúpula do Metrô. O presidente será Handerson Cabral Ribeiro. Nas empresas públicas, o governador indica a diretoria, mas a decisão final precisa ser referendada pelo Conselho de Administração, que representa o órgão e seus acionistas, conforme explicou a assessoria de imprensa da companhia. Se o nome de Cristiano Araújo for aprovado, ele passará a receber salário de R$ 14.925,09, mais benefícios.

Cristiano Araújo é réu por corrupção passiva no processo decorrente da Operação Drácon, que investiga recebimento de propina por parte dos distritais em troca de liberação de emendas parlamentares para a área de saúde.

Ele também responde por improbidade administrativa em suposto esquema na Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF). De acordo com denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), teria havido fraude em processo seletivo em 2012, quando ele era secretário de Ciência e Tecnologia, para atender interesses particulares e contemplar bolsistas com indicação política.

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Documento em que Ibaneis indica nova diretoria do Metrô-DF

 

 

MPDFT de olho
Esta é a segunda vez que Ibaneis sugere um ex-deputado distrital para o alto escalão do Metrô-DF. O emedebista havia anunciado o ex-parlamentar Wellington Luiz (MDB) para a presidência, mas recuou após recomendação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

O órgão ressaltou que a Lei Federal nº 13.303/16 proíbe a nomeação de dirigente de partido político ou membro do Legislativo para direção ou conselho de administração de empresa pública e sociedade de economia mista. Além disso, é vedada a indicação de pessoa que atuou, nos últimos 36 meses, como participante de estrutura decisória de partido político ou em trabalho vinculado à organização, estruturação e realização de campanha eleitoral.

Araújo concorreu à reeleição nas eleições de 2018. Amealhou 8.676 votos e acabou ficando na 39ª posição. Ele foi deputado distrital por três mandatos: de 2007 a 2010, 2011 a 2014 e 2015 a 2018. O ex-parlamentar é formado em administração de empresas e atuou como secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, entre 2011 e 2012, e de Desenvolvimento Econômico, em 2012.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) disse ao Metrópoles que está, no momento, analisando todas as nomeações de diretores e integrantes de conselhos de administração das estatais distritais. Segundo o órgão de controle, se houver violação à legislação, especialmente à Lei das Estatais, serão tomadas todas as medidas judiciais cabíveis.

Chefias
A cúpula do Metrô-DF será encabeçada por Handerson Cabral Ribeiro, engenheiro civil pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e pós-graduado em gestão da administração pública pela Universidade Castelo Branco (UCB). Ele então ocupava a presidência da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A.

Servidor público federal, Ribeiro ascendeu ao posto mais alto da empresa por indicação do ex-ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil Valter Casimiro Silveira, em abril de 2018. O próximo presidente do Metrô-DF também foi superintendente de Licitações e Contratos da Valec entre 2014 e 2015 e superintendente regional de Goiás e do Distrito Federal do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) entre 2012 e 2014. Antes, exerceu a função de gerente de Projeto do Ministério dos Transportes entre 2011 e 2012.

Próximo diretor de Operação e Manutenção do Metrô-DF, Flávio Murilo Gonçalves Prates de Oliveira assumiu a presidência do Departamento de Trânsito de Goiás (Detran-GO) em 2018. Entre 2014 e 2018, foi superintendente do Dnit em Goiás e no Distrito Federal. Oliveira tem formação em engenharia civil pela Universidade Católica de Goiás (PUC-GO).

Escolhido para a Diretoria Financeira e Comercial, Bruno Vale Sarmento de Menezes foi superintendente executivo da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), cargo do qual foi exonerado, a pedido, em 15 de agosto de 2018. Durante a gestão de Cid Gomes no Governo do Ceará, Menezes ocupou o cargo de presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam) entre 2013 e 2014. Natural de Fortaleza, foi coordenador de promoções e eventos da Secretaria de Turismo da capital cearense.

Para a Diretoria Técnica, Ibaneis escolheu Luiz Carlos Tanezini, ex-diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF). O engenheiro civil formado na Universidade de Brasília (UnB) esteve à frente da autarquia de 2007 a 2010. Em maio de 2018, foi nomeado como diretor de Engenharia da Valec.

O ex-deputado distrital Cristiano Araújo não retornou o contato até a última atualização deste texto. A avaliação da indicação do ex-parlamentar ocorreria em reunião do conselho do Metrô-DF nesta terça-feira (8/1), mas foi adiada porque a documentação necessária estava incompleta.