O feriado religioso não freou as movimentações de partidos em torno dos dois candidatos que disputam o segundo turno das eleições para o Governo do Distrito Federal (GDF). O Patriota selou aliança com o emedebista Ibaneis Rocha (MDB) durante encontro na casa do ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no DF (OAB-DF). Já membros da Rede, sigla do candidato a vice na chapa de Rodrigo Rollemberg (PSB), acenaram positivamente para o projeto socialista um dia depois de anunciarem o rompimento em nota.

Em texto divulgado nesta sexta-feira (12/10), apesar de reconhecer os problemas de relacionamento com o comitê de Rollemberg, os nove filiados signatários argumentam não concordar “que tais problemas tenham em si a gravidade suficiente para motivar um rompimento”. Em outra justificativa, os filiados sustentam que a possível aproximação do postulante do MDB ao GDF com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) inviabiliza o apoio ao emedebista.

O Patriota fez parte da coligação de Eliana Pedrosa (Pros), que contou com 6,99% dos votos válidos e ficou de fora do segundo turno. Em troca do apoio, a legenda pediu a Ibaneis a criação da Secretaria da Família e atenção especial à Rádio Cultura Brasília FM, “que está sucateada”. Outros pleitos estão relacionados a escolas de governo, para que haja mais suporte aos servidores comissionados, e investimentos no turismo religioso. O emedebista também se reuniu com membros do PDT. O partido, no entanto, ainda não declarou adesão ao projeto do advogado.

Caminhada e saia justa
Rollemberg não abriu mão de fazer corpo a corpo no feriado. O candidato à reeleição caminhou pelos corredores da Feira dos Importados. Durante a agenda, explicou sua posição em relação à corrida presidencial: “Não sou neutro. Sou independente”. Desde quando anunciou que não apoiaria nem Jair Bolsonaro (PSL) nem Fernando Haddad (PT), o governador vem sendo cobrado por ter ficado em cima do muro.

Na feira, Rollemberg  tomou caldo de cana, comeu pastel e comprou presentes para os netos. Durante o trajeto, foi abordado por pessoas cobrando melhorias no sistema de saúde. Uma delas, mais exaltada, chegou a chamar Rollemberg de “mentiroso”.

Geraldo Luciano da Silva, 53 anos, contou ter perdido o pai, Valmiro Luciano da Silva, 90, esta semana. Muito nervoso, culpou o atendimento tardio nos hospitais regionais de Taguatinga e de Samambaia. “Ele chegou passando mal às 7h, com meu sobrinho, e demorou demais para passar pela triagem. Quando o atenderam, ele já estava enfartando e morreu”, lamentou o homem.

“Dia santo”
Ibaneis Rocha optou por não ter agenda de campanha nesta sexta (12) e criticou Rollemberg: “Ele está indo para rua porque não tem com quem se reunir. Não tem apoio partidário e está perdendo os que tinha. Não fui para rua porque acho uma falta de respeito. É um dia santo, religioso”.

O buritizável passou feriado em reuniões internas. Para os próximos dias, o emedebista garantiu que vai intensificar a agenda. “Vamos gastar muita sola de sapato para conversar com a população e entender as necessidades das pessoas”, comentou.

Propaganda eleitoral
Os dois postulantes ao Buriti reestrearam no horário eleitoral nesta sexta (12). Com cinco minutos cada, Ibaneis Rocha e Rodrigo Rollemberg usaram o primeiro dia de propaganda eleitoral gratuita na televisão para comover seus eleitores por meio de depoimentos de familiares, e deixaram as propostas para o Distrito Federal de lado.

O ex-presidente da Ordem dos Advogados no DF agradeceu àqueles que votaram nele no primeiro turno e ainda cutucou Rollemberg ao falar acerca da gestão do governador: “Acho que ele fez um mal para Brasília e tem de ser reparado. O legado dele será péssimo e é muito difícil a cidade esquecer o que ele fez”. Voltou a afirmar que não usará carro nem a residência oficial. O salário de governador, caso seja eleito, também será revertido aos cofres públicos.

Rollemberg também recorreu à família no retorno à telinha. A protagonista do primeiro programa foi a mãe do candidato. Dona Teresa teceu as qualidades do filho e disse que, por ela, o socialista não deveria concorrer. Mas afirmou entender o desejo dele “de ajudar as pessoas”.