Adolescente e adulto suspeitos de participar de chacina são liberados

PMs detiveram jovem de 17 anos e um adulto por suposto envolvimento no crime, na noite dessa 3ª feira. Os dois foram liberados horas depois

atualizado 25/01/2023 10:01

Vinícius Schmidt/Metrópoles

O adolescente de 17 anos levado à 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), na noite dessa terça-feira (24/1), por suspeita de envolvimento na chacina de nove pessoas da mesma família, foi liberado pouco depois de chegar ao local conduzido por policiais militares. Além dele, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) soltou, por falta de provas, um homem detido com o jovem por suposta participação no crime.

O jovem chegou à delegacia por volta das 21h, após a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) receber denúncia anônima de que ele estaria escondido dentro de um apartamento, no Itapoã.

O suspeito foi levado para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) por ter em aberto dois mandados de busca e apreensão relacionados à prática análoga aos crimes de roubo e tráfico de drogas. No entanto, a PCDF o liberou, pois as ordens judiciais haviam expirado no último sábado (21/1).

Em depoimento informal aos PMs, o rapaz teria dito que recebeu R$ 2 mil e, depois, ganharia mais R$ 3 mil de Horácio Barbosa para ajudar no plano criminoso. Mecânico, Horácio é um dos três presos por participação na chacina. Ele tem 49 anos.

A função do adolescente apreendido, segundo a PMDF, seria ajudar a cuidar da logística do cativeiro, inclusive com transporte de móveis e auxílio na transferência das vítimas para o local.

Um adulto, também preso na noite dessa terça-feira (24/1), negou envolvimento na chacina e alegou que apenas estava no mesmo lote onde o jovem foi abordado pelos PMs.

O detido passou cerca de duas horas na delegacia e, após comprovar que não teria relação com o caso, acabou liberado. “Ele [o adulto] fazia uso de entorpecente com o menor e tinha conhecimento do delito cometido pelo adolescente, mas, a princípio, não tem envolvimento direto com a situação [da chacina]”, comentou o tenente Yuri, da PMDF.

Veja a chegada dos dois à delegacia:

Três homens acusados pelo crime estão presos. Contudo, o quarto suspeito, Carlomam dos Santos Nogueira, 26, segue foragido. Durante as apurações, a PCDF localizou impressões digitais de Carlomam no cativeiro e no carro de uma das vítimas.

Mais cedo, também nesta terça, chegou a confirmação de que os corpos encontrados carbonizados em um carro na BR-251, na cidade de Unaí (MG), em 14 de janeiro, são de Renata Juliene Belchior, 52 anos, e Gabriela Belchior de Oliveira, 25, respectivamente esposa e filha de Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54.

Com isso, agora, passam a ser nove mortes entre as 10 pessoas de uma mesma família que desapareceram no Distrito Federal. A informação, adiantada pelo Metrópoles, foi confirmada em coletiva de imprensa pela médica-legista e diretora do Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte (MG), Naray Jesimar Aparecida Paulino.

Mantidas em cativeiro

Renata e Gabriela são as duas vítimas que foram mantidas por duas semanas num cativeiro em Planaltina. Segundo o depoimento de Fabrício Silva Canhedo, 34, elas ficavam vendadas e amarradas.

Fabrício relatou ter recebido R$ 2 mil pelo serviço. Ele disse que fazia comida, vigiava e levava as vítimas ao banheiro, mas voltava à noite para casa.

Ainda de acordo com o vendedor, Gideon e Horácio Barbosa, os outros suspeitos pelo crime, ficavam no cativeiro e dormiam no local. Os dois falavam com pessoas ao telefone, dizendo que estava tudo certo, mas Fabrício disse não saber quem era do outro lado da ligação.

No depoimento, Fabrício afirmou ter ficado por duas semanas cuidando de Renata e Gabriela no cativeiro. O documento não esclarece mais detalhes, mas reportagem anterior do Metrópoles mostrou que os criminosos usavam os celulares das vítimas e se passavam por elas, dando uma falsa aparência de que estaria tudo bem.

Veja imagens do cativeiro:

A Polícia Civil do DF acredita que a motivação do crime seja uma extorsão por dinheiro, como comentou o delegado responsável pelo caso, Ricardo Viana.

“Reforça a nossa segunda linha de investigação, de que a família tenha sido morta para que os criminosos ficassem com o dinheiro das vítimas. A família foi levada ao cativeiro, onde pode ter sofrido violência e ter sido obrigada a fornecer senhas, contas bancárias e outros dados pessoais. Depois, mataram um por um”, disse o delegado.

PCDF não descarta novos envolvidos

Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) não descarta o envolvimento de novas pessoas na chacina contra 10 membros de uma mesma família do DF.

O delegado Ricardo Viana, chefe da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), responsável pelo caso, usou a analogia de uma “casa escura” para definir os próximos passos da investigação.

“A polícia abre um cômodo, acende a luz, tem que afastar vários móveis para chegar ao próximo. Não descarto nada do que pode vir”, disse.

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