Piora a saúde de bebê do DF com Down que aguarda por cirurgia cardíaca

Ana Vitória tem liminar, mas ainda não passou pelo procedimento. Grupo de mães estima que 73 crianças estejam na fila de espera: 30 têm Down

atualizado 03/11/2020 11:36

Mesmo com decisão judicial, bebê não consegue cirurgia cardíaca no DFMaterial cedido ao Metrópoles

O quadro de saúde da pequena Ana Vitória Souza Santos, de 6 meses, piorou nos últimos dias. A bebê está internada há mais de 40 dias no Hospital da Criança de Brasília (HCB) aguardando uma transferência para o Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF). A família continua sem saber quando a criança passará pela cirurgia.

Conforme conta a mãe de Ana Vitória, Zilene Souza Lopes, 38 anos, o estado da menina piorou no fim de semana.

“Não tem dormido direito, está tossindo muito, com o pulmão chiando… E ainda apareceu uma febre”, diz, preocupada.

Os médicos ainda não descobriram o que está acontecendo. Ana Vitória tem sido medicada para tratar a febre, mas os outros problemas só serão melhor avaliados nesta terça-feira (3/11), quando ocorrerá a análise de exames de raio-X aos quais a pequena foi submetida.

“Ela tem chorado muito e a gente não sabe o que é. Embaixo do olhinho tá ficando roxo e ela está mostrando que sente muita dor”, descreve a mãe.

Outra preocupação é com a reação que a bebê tem quando tosse. Várias bolas vermelhas passaram a aparecer no corpo dela. “Ainda bem que a médica viu isso acontecendo na hora para tentar descobrir o que é. Vamos ver se isso eles conseguem resolver”, acrescenta Zilene.

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No DF, 73 crianças aguardam cirurgia

Sobre a possibilidade de transferência para o ICDF, a mãe afirma que ainda não foi avisada de nada. Ana Vitória foi diagnosticada com Defeito de Septo Atrioventricular Total (DSAVT), uma cardiopatia que impede o desenvolvimento das válvulas do coração, e deveria ter passado por cirurgia de correção assim que nasceu. No entanto, a menina aguarda há mais de um mês, mesmo com uma decisão judicial favorável autorizando a realização do procedimento com urgência.

De acordo com Karoline Moreira – que passou por situação parecida há 8 anos, quando o filho dela nasceu, e hoje ajuda mães nas mesmas circunstâncias –, atualmente há 73 crianças aguardando na fila de cirurgia cardíaca no DF. Dessas, cerca de 30 possuem Síndrome de Down, a exemplo de Ana Vitória. “Após Maria Joana ter sido operada na última sexta-feira (30/10), o caso mais grave passou a ser o dela”, explica.

Acordo entre Defensoria e Secretaria de Saúde

O problema ocorre após o Metrópoles mostrar que, para acabar com a fila de crianças à espera de cirurgias cardíacas pediátricas, a Defensoria Pública do Distrito Federal e a Secretaria de Saúde fizeram um acordo, por meio do qual os atendimentos seriam normalizados a partir de um cronograma montado pelo governo.

Eram esperados 11 procedimentos até 31 de outubro. Em novembro, o número chegaria a 17.

Confira o restante do calendário:

  • A partir dezembro de 2020, serão feitas 25 cirurgias;
  • A partir de março de 2021, haverá 29 operações;
  • A partir de março de 2021, a Secretaria de Saúde se comprometeu a manter o atendimento mínimo mensal de 29 cirurgias cardíacas neonatais e pediátricas, sendo 21, entre críticas e eletivas, e oito eletivas.

Veja o acordo na íntegra:

O que diz a Saúde

Conforme o acordo, a Secretaria de Saúde avalia a possibilidade de ampliar o número de cirurgias de novembro para 21. A pasta também adotará medidas para aprimorar o atendimento, a exemplo da medição periódica da fila.

Procurada, nesta segunda-feira (2/11), para confirmar o tamanho da fila de espera para cirurgias cardíacas e dizer se o acordo com a DPDF foi cumprido no mês de outubro, a Secretaria de Saúde ainda não havia se pronunciado até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto a manifestações da pasta.

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