Personal do DF que teve Covid-19: “Sentia dor até para respirar”

Caio Quemel, 24 anos, contraiu a doença e chegou a ficar isolado em uma UTI. Ele reagiu à fala de Bolsonaro: "Não é uma gripezinha"

Reprodução, Facebook

atualizado 25/03/2020 16:46

O discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na noite de terça-feira (24/03), em rede nacional, sobre o coronavírus, revoltou boa parte da população. Mais uma vez, Bolsonaro referiu-se à doença como “gripezinha” e ainda afirmou estar imune ao Covid-19 por ter “histórico de atleta”.

Entre a pessoas indignadas, está o personal trainer e professor de educação física Caio Henrique Quemel, 24 anos, que contraiu o coronavírus recentemente. Ele disse que, mesmo bem preparado fisicamente, não escapou da doença. O jovem chegou a ficar internado em uma unidade de tratamento intensivo (UTI) de um hospital de Brasília.

“Fui diagnosticado semana passada e cheguei a ficar internado em uma UTI. Não sou do grupo de risco, tenho histórico de atleta e sofri com a doença. Sentia dor até para respirar. Tive quadro de pneumonia e a todo momento me sentia cansado. Não é uma gripezinha. O discurso dele [Bolsonaro] foi patético e ridículo. Ele não pode falar isso diante de milhares de mortes no mundo inteiro. Foi uma frase irresponsável”, reagiu o personal, em entrevista ao Metrópoles.

O brasiliense ainda destacou perceber que, após o discurso do presidente, pessoas estão voltando a ir para a rua. “Por conta do que ele falou,vejo nas ruas, inclusive onde eu moro, que as pessoas estão voltando a sair”, reforçou.

Em um texto publicado em suas redes sociais, o jovem fez duras críticas ao discurso do presidente, que minimizou os impactos da doença na saúde das pessoas. “Fiquem em casa”, apelou.

Confira o relato:

Bolsonaro disse, na noite desta terça-feira (24/03), que a crise causada pelo avanço do coronavírus no Brasil “[em] breve passará”. O mandatário da República aproveitou para criticar medidas restritivas adotadas por governadores e prefeitos, sem citar nomes, e convocou o país a “voltar à normalidade”. Para o chefe do Executivo, os brasileiros devem “abandonar o confinamento em massa, pois “o grupo de risco é das pessoas acima de 60 anos”.

Nesta quarta, voltou a defender a abertura do comércio. Atacou governadores e defendeu o confinamento apenas para idosos e doentes.

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