Bolsonaro pede em rede nacional o fim do “confinamento em massa”

Presidente criticou, em rede nacional de rádio e TV na noite desta terça, medidas como fechamento de escolas e isolamento de jovens

Presidente Jair Bolsonaro em pronunciamento oficialIsac Nóbrega/PR

atualizado 25/03/2020 8:13

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse na noite desta terça-feira (24/03) que a crise causada pelo avanço do coronavírus no Brasil “[em] breve passará”. O mandatário da República aproveitou para criticar medidas restritivas adotadas por governadores e prefeitos, sem citar nomes, e convocou o país a “voltar à normalidade”. Para o chefe do Executivo, os brasileiros devem “abandonar o confinamento em massa“, pois “o grupo de risco é das pessoas acima de 60 anos”.

Ainda no pronunciamento oficial, o titular do Palácio do Planalto criticou o fechamento de escolas e medidas mais severas de distanciamento social.

“Por que fechar escolas? Raros são os casos fatais de pessoas sãs, com menos de 40 anos de idade”, questionou, antes de dizer que ele próprio, apesar de ter 65 anos, sentiria apenas uma “gripezinha”, um “resfriadinho”, já que tem “histórico de atleta”. Bolsonaro foi paraquedista no Exército.

O presidente ainda usou parte do seu tempo, nos cinco minutos de pronunciamento à nação, para ironizar Drauzio Varella, mesmo sem citar o nome do médico. Bolsonaro fez referência a um vídeo de Drauzio, de janeiro deste ano, com informações desatualizadas sobre o coronavírus, que até então não havia chegado ao Brasil.

O vídeo foi replicado nesta semana pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e retuitado por um dos filhos do mandatário do país, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). O Twitter decidiu remover as postagens, por identificá-las com fake news, já que o próprio médico vinha denunciando que o material estava sendo usado fora do contexto.

A mídia também foi atacada pelo chefe do Executivo por, segundo ele, ter criado uma “verdadeira histeria” sobre os riscos do coronavírus. O presidente destacou ainda que a Itália, país que mais sofre as consequências da pandemia atualmente, “tem grande número de idosos e um clima completamente diferente do nosso”.

A fala ocorreu por meio de pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão. Veja a íntegra da mensagem:

Outro tom
Mais cedo, nesta terça, o presidente teve reuniões virtuais com governadores das regiões Centro-Oeste e Sul, nas quais apresentou a proposta que havia discutido com os chefes do Executivo do Norte e do Nordeste na segunda-feira (23/03), de recompor os repasses do Fundo de Participação do Estados (FPE) e de suspender o pagamento da dívida dos estados com a União.

Na segunda-feira (23/03), no início do esforço para reconstruir pontes com governadores, o mandatário da República havia anunciado pacote econômico de socorro a estados e municípios. As ações para conter o novo coronavírus incluem suspensão de dívidas, facilitação de empréstimos, criação de linhas de crédito e transferências adicionais de recursos. O plano, conforme cálculos do governo federal endossados pelo titular do Planalto, soma R$ 85,8 bilhões.

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