PCDF descarta exumar corpos de vítimas de técnicos de enfermagem

Segundo o delegado Maurício Iacozzilli, exames realizados na época das mortes detectaram a presença da substância letal

atualizado

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Vítimas técnicos enfermagem hospital anchieta
1 de 1 Vítimas técnicos enfermagem hospital anchieta - Foto: Arte/Metrópoles

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) descartou a possibilidade de exumar os corpos das três pessoas que morreram no Hospital Anchieta, entre novembro e dezembro de 2025, após terem uma substância injetada em suas veias por técnicos de enfermagem que trabalhavam no local.

Ao Metrópoles o delegado Maurício Iacozzilli, da Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), disse que o Instituto Médico Legal (IML) informou que a exumação é desnecessária.

A substância utilizada (nos pacientes) não é detectável em análises post-mortem. Além disso, os exames laboratoriais realizados no hospital na época e, posteriormente, analisados pelo IML, foram suficientes para comprovar a presença”, ressaltou.

Entenda o caso

  • A primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada na manhã de 11 de janeiro, com o apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE).
  • Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do DF.
  • Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.
  • A polícia busca esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e se houve participação de outras pessoas.
  • As investigações tiveram um novo avanço na última quinta-feira (15/1), com a deflagração da segunda fase da Operação Anúbis.
  • Nesta etapa, a PCDF cumpriu mais um mandado de prisão temporária contra uma investigada e realizou novas apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

Indiciamento

Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 anos, podem pegar de 12 a 30 anos de prisão por cada uma das mortes.

Três profissionais são investigados pelo crime

O trio foi indiciado por homicídios dolosos qualificados por meio insidioso e por impossibilidade de defesa das vítimas, visto que as vítimas receberam a substância sem consentimento enquanto estavam inconscientes e intubadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta.

Os três técnicos estão presos temporariamente por 30 dias, mas podem ter a prisão temporária prorrogada ou transformada em preventiva conforme o andamento das investigações da PCDF.

Motivações

Os técnicos de enfermagem detidos pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) teriam matado João Clemente Pereira, 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, 33 anos, servidor dos Correios; Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, de 75 anos.

A motivação do crime ainda é investigada. A coluna Mirelle Pinheiro apurou, com exclusividade, detalhes das diferentes versões apresentadas por Marcos Vinícius.

Apesar de negar, num primeiro momento, ele acabou confessando calmamente os crimes, após ser confrontado por registros de câmeras de segurança, que flagraram toda a ação do técnico de enfermagem.

Em uma segunda versão, o técnico de enfermagem disse que teria tirado a vida dos pacientes com o intuito de “aliviar o sofrimento das vítimas”. Em outro relato, Marcos chegou a dizer que o hospital “estava tumultuado” e que ele teria cometido os crimes “por estar nervoso”.

Nas imagens, Marcos Vinícius aparece prescrevendo as receitas, buscando medicamentos e preparando para injetá-los nas vítimas. Diante do flagra, ele teria dito que “parece que fez isso mesmo”.

O caso foi levado à polícia pelo próprio hospital que observou um padrão atípico em três mortes na UTI da unidade de saúde.

“Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes”, afirmou o Anchieta em nota.

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