Qual é a última peça que falta na investigação sobre a matança na UTI. Veja vídeo
Dois suspeitos confessaram o envolvimento na morte de três pacientes. As investigações da PCDF continuam

Apesar do avanço das investigações e das confissões obtidas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o caso dos técnicos de enfermagem suspeitos de matar pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, ainda tem um mistério a ser esclarecido antes de ser encerrado.
Desde que o inquérito foi instaurado, em 23 de dezembro de 2025, a polícia reuniu imagens, laudos, depoimentos e confissões. Ainda assim, uma pergunta principal permanece sem resposta, o que teria motivado os assassinatos.
Em entrevista à coluna, o delegado Maurício Iacozzilli afirmou que a ausência de uma motivação clara impede, por ora, o fechamento do inquérito
Após ser preso durante a deflagração da Operação Anúbis, Marcos Vinícius Silva Barbosa, de 24 anos, teria dito à polícia que não havia cometido crime nenhum, tendo somente administrado medicamentos prescritos pelos médicos.
Em posse de registros de câmeras de segurança, que flagraram toda a ação do técnico de enfermagem, os investigadores contestaram a afirmação do homem, que acabou confessando calmamente os crimes.
Em uma segunda versão, o técnico de enfermagem disse que teria tirado a vida dos pacientes com o intuito de “aliviar o sofrimentos das vítimas”. Em outro relato, Marcos chegou a dizer que o hospital “estava tumultuado” e que ele teria cometido os crimes “por estar nervoso”.
A polícia não acredita que Marcos Vinícius esteja falando a verdade. Um exemplo dado pelo delegado é o caso da vítima Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, de 75 anos, que já apresentava um quadro de saúde estável, descartando qualquer suposto sofrimento.
Ela teve uma injeção de desinfetante aplicada em sua veia e morreu na quinta parada cardíaca — antes de administrar o produto de limpeza, Marcos também aplicou um remédio não prescrito na veia da paciente.
Além dele, foram presas Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, de 28 e 22 anos, respectivamente.
Os pacientes João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb, e Marcos Moreira, de 33, servidor dos Correios, também foram vitimados pelo trio.
Quebra de sigilo
Os celulares e computadores dos técnicos de enfermagem serão analisados pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
O objetivo da quebra de sigilo é acessar pesquisas e possíveis trocas de mensagens entre os suspeitos para descobrir a real motivação por trás do plano cruel.
A análise também ajudará a polícia a descobrir se os técnicos fizeram outras vítimas, além das três já confirmadas.
“Ao término do inquérito principal, que foca nas três mortes, nós vamos instaurar um novo inquérito policial para apurar outras mortes que possam ter ocorrido durante os plantões deles, não só só no Hospital Anchieta, como em outros hospitais que eles tenham trabalhado ao longo da carreira”, revelou.
O delegado detalhou que será feito um cruzamento de dados com mortes que tenham ocorrido no dia dos plantões dos suspeitos para verificar se há similaridade com os homicídios já constatados.
O hospital
O caso passou a ser investigado após denúncias do próprio hospital, que percebeu circunstâncias atípicas relacionadas aos três na UTI. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota.
Com base nas evidências, fruto da investigação interna, o Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos, os quais já haviam sido desligados da Instituição.
“O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça.”















