Parlamentares do DF repudiam mortes em UTI de hospital: “Estarrecedor”
Suspeitos de terem provocado as mortes são três técnicos de enfermagem que atuavam na UTI do Hospital Anchieta e foram presos
atualizado
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Parlamentares DF no Congresso Nacional repudiaram a morte de três pacientes dentro da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). Os suspeitos de terem provocado os óbitos são três técnicos de enfermagem que atuavam no local. A Polícia Civil investiga o caso.
Por meio de uma publicação no Instagram, o deputado federal Julio Cesar Ribeiro (Republicanos) descreveu o caso como “revoltante e profundamente estarrecedor”.
” Três pacientes perderam a vida pelas mãos de quem tinha o dever de cuidar”, comentou o parlamentar.
O deputado prestou solidariedade a familiares das vítimas e disse que crimes como esse “exigem punição exemplar”.
“Manifesto minha total solidariedade às famílias das vítimas — uma professora aposentada, um servidor público e um jovem de apenas 33 anos — que sofreram uma perda irreparável causada por tamanha brutalidade. Crimes como esse ferem a dignidade humana, abalam a confiança no sistema de saúde e exigem punição exemplar. Justiça precisa ser feita”, desabafou.
A senadora Damares Alves (Republicanos) também usou o perfil no mesmo aplicativo para declarar “perplexidade“.
“Estamos todos tristes e perplexos no Distrito Federal. Ainda não sabemos os motivos que levaram os jovens profissionais a cometerem crimes tão hediondos. Até agora são três vítimas identificadas em um único hospital, mas os assassinos trabalharam em outras unidades de saúde”, disse a parlamentar.
“Para quem não conhece Brasília, o Hospital Anchieta é uma instituição respeitada no DF com muitos anos de prestação de serviços, e foi o próprio hospital que desconfiou e internamente investigou as estranhas mortes. As investigações agora estão sob a coordenação da Polícia Civil, que está fazendo um excelente trabalho”, pontuou.
Tal como o colega de partido, a senadora também prestou condolências às famílias e assegurou que acompanhará o desfecho deste caso: “Abraço às famílias das vítimas, que já sofrendo com as perdas acabaram surpreendidos com a informação de que os entes queridos foram assassinados de forma cruel”
“Continuarei acompanhando o desfecho deste caso para entender se existe alguma brecha na legislação ou nos atos normativos de atendimento hospitalar que precisam ser aprimorados para evitar situações semelhantes. Quanta tristeza! Estamos perplexos”, finalizou.
Os crimes
As investigações da Polícia Civil apontam que o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa— em alguns casos, com o auxílio de duas técnicas de enfermagem, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, de 28 e 22 anos — injetou doses de um medicamento não prescrito aos pacientes.
As vítimas foram identificadas como João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, de 33, servidor dos Correios; e Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, de 75 anos.
No caso da professora aposentada, o homem ainda injetou mais de 10 seringas de desinfetante no organismo da mulher. A motivação dos crimes ainda está sendo investigada.
Ao receberem a substância aplicada na veia, as vítimas sofriam parada cardíaca quase que imediatamente. Para disfarçar o uso da aplicação, Marcos ainda realizava massagens de reanimação nos pacientes enquanto as técnicas apenas observavam de longe.
Os celulares dos suspeitos estão confiscados no Instituto de Criminalística da PCDF.
Denúncia do hospital
O caso passou a ser investigado após denúncias do próprio estabelecimento de saúde, que percebeu circunstâncias atípicas relacionadas aos três pacientes na UTI. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota.
Com base nas evidências, fruto da investigação interna, o hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos, os quais já haviam sido desligados da instituição.
“O hospital, enquanto também vítima da ação desses ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça.”
