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Na Mira

Vereadores são investigados por desvio de emendas após morte de professora

Simone Marques era presidente de associação acusada de receber R$ 1 milhão em recursos públicos de maneira irregular. Ela foi morta a tiros

03/09/2026 12:51, atualizado 03/09/2026 13:43
Reprodução / Redes sociais
Professora morta

Policiais civis de Pernambuco cumpriram, na manhã desta quinta-feira (3/9), a terceira fase da Operação Alvitre, que investiga uma organização criminosa estruturada para o desvio e a lavagem de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares no município de Ipojuca (PE).

Ao todo, foram expedidos 13 mandados de busca e apreensão, além da suspensão do exercício de função pública dos servidores, sequestro de bens móveis e imóveis e bloqueio de ativos financeiros que pode chegar a R$ 1,227 milhão, segundo a Polícia Civil.

As investigações foram iniciadas em junho de 2025 e apuram possíveis crimes de corrupção passiva, peculato, falsidade documental e lavagem de dinheiro.

De acordo com o delegado Ney Luiz, nesta terceira fase, as investigações apontam para uma atuação coordenada de vereadores, assessores e outros servidores públicos, além de advogados, contador, empresários e particulares.

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No centro do esquema estaria a Associação Cultural, Social e Recreativa (Mudart), que tinha como presidente a professora universitária Simone Marques da Silva (foto em destaque), assassinada a tiros em outubro de 2025. A instituição teria sido utilizada como instrumento para receber recursos públicos e, posteriormente, realizar transferências para pessoas ligadas ao esquema.

“A partir da segunda fase da operação, nós identificamos vínculos que nos levaram a aprofundar a investigação em relação à essa associação. As análises financeiras apontaram que parte dos recursos recebidos pela entidade retornava para pessoas investigadas, incluindo advogados, uma contadora e uma funcionária lotada em gabinete parlamentar”, explicou.

As fases anteriores, Alvitre I e Alvitre II, resultaram na prisão de parlamentares, advogados, empresários e operadores financeiros.

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Projetos e irregularidades
Movimentação financeira
Sede de Mudart
Investigação Alvitre
Policiais em diligências
Linha do tempo da investigação
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Morte da professora

Segundo a investigação, Simone tinha informações relevantes sobre o funcionamento do esquema e havia apresentado evidências relacionadas a pagamentos e à entrega de valores. Ela havia sido intimada a prestar depoimento na Delegacia de Porto de Galinhas, no inquérito que apura o desvio de recursos de emendas parlamentares da Câmara de Ipojuca.

Em 28 de outubro de 2025, Simone compareceu à delegacia, mas não chegou a ser ouvida porque outro procedimento estava sendo realizado na unidade. O depoimento foi reagendado. Poucas horas depois de deixar a delegacia, ela foi executada a tiros no quintal de casa.

Desvios e repasses

As investigações apontaram que, entre 2017 e 2024, a Mudart recebeu aproximadamente R$ 1,2 milhão em recursos públicos. Os investigadores identificaram indícios de direcionamento de emendas, liberação irregular de recursos, pagamento de vantagens indevidas e uso de documentação fiscal sem correspondência com os serviços efetivamente executados.

Ainda segundo a Polícia Civil, a própria Mudart teria repassado R$ 480 mil à empresa M. A. da Silva Festas. O endereço cadastrado pela empresa correspondia, na realidade, a um pequeno restaurante, sem estrutura empresarial compatível com a execução dos projetos que justificaram os pagamentos.

No núcleo financeiro da organização, uma das investigadas apresentou movimentação de aproximadamente R$ 16,7 milhões entre agosto de 2023 e dezembro de 2025.