Delegado e policiais são afastados por desvio de cargas de R$ 1,4 milhão
MP investiga suposto desvio e venda da carga de vergalhões apreendida na Operação Fogo Amigo. Delegado, escrivão e agente foram afastados

O delegado da Polícia Civil de Goiás Alexandre Bruno de Barros (foto em destaque), o escrivão Sílvio Pereira de Macedo e o agente Antônio Gomes de Assis Sobrinho foram afastados das funções por 90 dias por determinação da Justiça. Os três são investigados em um inquérito que apura o suposto desvio de cargas de vergalhões — barras de aço utilizadas na construção civil — avaliadas em R$ 1,4 milhão.
A decisão foi proferida pelo 1º Juízo das Garantias de Goiânia, que determinou o afastamento cautelar dos servidores no âmbito da investigação sobre um suposto esquema de desvio e venda clandestina de cargas e veículos apreendidos pela Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (DECAR).
Além do afastamento, a Justiça determinou o recolhimento das armas, dos distintivos e das carteiras funcionais dos investigados, bem como o bloqueio de seus acessos aos sistemas da Polícia Civil.
Eles também estão proibidos de frequentar repartições policiais durante o período da medida. O afastamento tem prazo inicial de 90 dias e não implica suspensão da remuneração dos servidores.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA coluna Na Mira tenta localizar a defesa dos citados. O espaço permanece aberto para manifestações.
Por nota, a PCGO informou, nesta quarta-feira (2/9), que a Corregedoria da instituição instaurou procedimento para apurar as condutas relacionadas aos fatos investigados na Operação Depositário Infiel II, sendo realizadas diligências, que estão em sigilo.
A Polícia Civil também informa que foram cumpridas administrativamente todas as medidas cautelares determinadas pelo Poder Judiciário.
Operação Fogo Amigo
Segundo o Ministério Público, o ponto de partida da investigação foi o suposto desvio de uma carga de vergalhões apreendida durante a Operação Fogo Amigo, deflagrada em 2021. De acordo com o órgão, o delegado Alexandre Bruno, o escrivão Sílvio Pereira e o agente Antônio Gomes participaram da ação.
Os vergalhões, avaliados em R$ 1,4 milhão, teriam sido encaminhados para o depósito do empresário Silvio Dutra, conhecido como Carioca, segundo as investigações.
Ainda de acordo com o Ministério Público, bens apreendidos pela DECAR teriam sido levados informalmente para galpões ligados a integrantes do grupo investigado. O órgão afirma que o armazenamento ocorria sem contrato, licitação ou controle judicial.
Suposto desvio de cargas
Segundo os promotores, Carioca seria responsável por armazenar cargas e veículos apreendidos pela delegacia durante a gestão do delegado Alexandre Bruno.
As investigações apontam que o dinheiro obtido com a suposta venda das cargas seria dividido entre Carioca e agentes públicos vinculados à DECAR, incluindo o delegado.
Em 2023, a Polícia Civil realizou buscas em um dos galpões ligados ao empresário e apreendeu o celular dele. Segundo a investigação, mensagens encontradas no aparelho tratariam de supostos roubos, furtos e desvios de cargas.
O processo também registra o relato de um parceiro de Carioca, que teria afirmado ter entregue uma sacola.




