Delegado investigado por desviar carga teria recebido propina de R$ 200 mil
Segundo o processo que apura o crime, Alexandre Bruno de Barros teria recebido a sacola de empresário que teve cargas apreendidas pela PCGO

O delegado da Polícia Civil de Goiás Alexandre Bruno de Barros (foto em destaque), suspeito de desviar e vendar cargas apreendidas, teria recebido uma sacola de R$ 200 mil em propina do empresário Sílvio Gonçalves Dutra, que recebeu em seu depósito vergalhões, avaliados em R$ 1,4 milhão, recolhidos pela PCGO. É o que revela o processo que apura o crime contra a administração pública, que investiga também o escrivão Sílvio Pereira de Macedo e o agente Antônio Gomes de Assis Sobrinho.
Os três servidores foram afastados cautelarmente das funções por 90 dias por determinação da Justiça. Eles são investigados em um inquérito que apura o suposto desvio de cargas de vergalhões — barras de aço utilizadas na construção civil — avaliadas em R$ 1,4 milhão.
A decisão foi proferida pelo 1º Juízo das Garantias de Goiânia no âmbito da investigação sobre um suposto esquema de desvio e venda clandestina de cargas e veículos apreendidos pela Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar).
Segundo a investigação, os servidores teriam participação no esquema, que envolve o desvio de bens apreendidos pela unidade policial. As medidas cautelares foram determinadas para preservar a apuração dos fatos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAlém do afastamento, a Justiça determinou o recolhimento das armas, dos distintivos e das carteiras funcionais dos investigados. Também foi determinado o bloqueio de seus acessos aos sistemas da Polícia Civil. Eles também estão proibidos de frequentar repartições policiais durante o período da medida.
O afastamento tem prazo inicial de 90 dias e não implica suspensão da remuneração dos servidores.
Em nota, a defesa de Alexandre Bruno de Barros afirmou receber a decisão judicial com respeito e tranquilidade e disse confiar que as provas apresentadas demonstrarão a atuação regular do delegado.
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Ver todasSegundo a defesa do delegado, a Polícia Civil de Goiás não tinha estrutura própria para armazenar as cargas recuperadas pela Decar. Por isso, de acordo com ele, as vítimas autorizavam, por procuração, o encaminhamento dos materiais para depósitos privados. De acordo com a nota, ele teria comunicado a cúpula da Polícia Civil sobre o problema em maio de 2022, e acionado o Ministério Público em janeiro de 2023 e levou o caso ao Gaeco, com documentos e pedido de providências em junho de 2024.
A defesa afirma ainda que o empresário citado no caso já atuava como depositário antes de Alexandre Bruno assumir a titularidade da unidade.
A defesa nega que o delegado tenha recebido ou dividido valores em espécie e classifica a acusação como sem fundamento, afirmando que Alexandre Bruno abriu voluntariamente os sigilos bancário e fiscal à Justiça antes do avanço das investigações.
A coluna Na Mira tenta localizar a defesa dos outros citados. O espaço permanece aberto para manifestações.
PCGO apura condutas
Por nota, a PCGO informou, nesta quarta-feira (2/9), que a Corregedoria da instituição instaurou procedimento para apurar as condutas relacionadas aos fatos investigados na Operação Depositário Infiel II, sendo realizadas diligências, que estão em sigilo.
A Polícia Civil também informa que foram cumpridas administrativamente todas as medidas cautelares determinadas pelo Poder Judiciário.
Operação Fogo Amigo
Segundo o Ministério Público, o ponto de partida da investigação foi o suposto desvio de uma carga de vergalhões apreendida durante a Operação Fogo Amigo, deflagrada em 2021. De acordo com o órgão, o delegado Alexandre Bruno, o escrivão Sílvio Pereira e o agente Antônio Gomes participaram da ação.
Os vergalhões, avaliados em R$ 1,4 milhão, teriam sido encaminhados para o depósito do empresário Silvio Dutra, conhecido como Carioca, segundo as investigações.
Ainda de acordo com o Ministério Público, bens apreendidos pela Decar teriam sido levados informalmente para galpões ligados a integrantes do grupo investigado. O órgão afirma que o armazenamento ocorria sem contrato, licitação ou controle judicial.
Segundo os promotores, Carioca seria responsável por armazenar cargas e veículos apreendidos pela delegacia durante a gestão do delegado Alexandre Bruno.
As investigações apontam que o dinheiro obtido com a suposta venda das cargas seria dividido entre Carioca e agentes públicos vinculados à Decar, incluindo o delegado.
Em 2023, a Polícia Civil realizou buscas em um dos galpões ligados ao empresário e apreendeu o celular dele. Segundo a investigação, mensagens encontradas no aparelho tratariam de supostos roubos, furtos e desvios de cargas.
O processo também registra o relato de um parceiro de Carioca, que teria afirmado ter entregue uma sacola.










