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Na Mira

"Turbinada do Comboio" exibia BMWs, motos aquáticas e vida de luxo nas redes

Mulher presa durante operação da PCDF compartilhava vídeos e fotos de ostentação sempre com mensagens de autoafirmação nas redes sociais

18/06/2026 07:45, atualizado 18/06/2026 07:50
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Reprodução/Redes sociais
mulher de biquíni em cima de triciclo

Vídeos em motos aquáticas, passeios em dias ensolarados de biquíni, churrascos à beira do lago, hospedagens em hotéis 5 estrelas e registros ao lado de carros de luxo faziam parte da rotina exibida nas redes sociais por uma mulher presa na Operação Fornitori, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na manhã desta quinta-feira (18/6).

Embora a corporação não confirme oficialmente a identidade da investigada, a coluna Na Mira apurou tratar-se de Francyara da Silva, conhecida como “Turbinada do Comboio”.

Com pouco mais de 4,2 mil seguidores no Instagram, a morena, marcada por procedimentos estéticos e cirurgias plásticas, costuma publicar vídeos com mensagens de autoafirmação e comemorações pela aquisição de bens de alto valor.

Em diversas postagens, aparecia pilotando motos aquáticas, aproveitando dias de sol em clubes e lagos ou exibindo passeios em BMWs. O estilo de vida de elevado padrão aquisitivo contrastava com a renda declarada pelos investigados.

Segundo as investigações, o dinheiro utilizado para manter a rotina de luxo tinha origem no tráfico de drogas comandado pela facção criminosa Comboio do Cão. Os policiais identificaram que o companheiro da mulher utilizava contas bancárias em nome dela para movimentar recursos da organização criminosa e pulverizar valores provenientes da venda de entorpecentes.

Operação Fornitori

O casal, que mora em Anápolis (GO), foi alvo de mandados de prisão temporária com prazo de 30 dias. A ofensiva faz parte da Operação Fornitori, coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) em conjunto com a 4ª Promotoria de Entorpecentes, que busca atingir os braços financeiro e logístico da facção.

Ao contrário das etapas anteriores, voltadas para lideranças e executores, a nova fase concentra esforços nos responsáveis pelo abastecimento interestadual de drogas e no núcleo encarregado de lavar o dinheiro obtido com a atividade criminosa.

Cerca de 120 policiais cumprem 15 mandados de prisão temporária e 20 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e no Mato Grosso do Sul.

As investigações da Draco, iniciadas em 2023, revelaram uma estrutura criminosa altamente organizada, com divisão de tarefas e mecanismos sofisticados de ocultação patrimonial. Empresas de fachada, imóveis e veículos de luxo registrados em nome de terceiros eram utilizados para esconder os recursos acumulados pelo grupo.

Padrão incompatível

A ostentação de automóveis de alto padrão e embarcações, incompatível com os rendimentos oficiais dos investigados, chamou a atenção dos policiais e reforçou os indícios de lavagem de dinheiro. As apurações também apontam o uso de familiares e pessoas interpostas para movimentar os valores da facção.

A organização já foi associada à apreensão de mais de seis toneladas de maconha em 2023 e de outras duas toneladas da droga interceptadas recentemente no Mato Grosso do Sul. Além das prisões, a Justiça autorizou o sequestro de imóveis e veículos e determinou o bloqueio de contas bancárias em até R$ 1 milhão por investigado ou empresa vinculada ao esquema.

Os investigados poderão responder por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais. As penas somadas podem ultrapassar 40 anos de prisão.