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Na Mira

Polícia Civil caça fornecedores que abastecem Comboio do Cão no DF

Operação da Draco tem como alvo desmantelar rede de fornecedores da facção Comboio do Cão e bloquear patrimônio milionário dos criminosos

18/06/2026 07:43, atualizado 18/06/2026 08:32
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Arte/Metrópoles
carros de polícia e dinheiro

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18/6), a Operação Fornitori, uma ofensiva destinada a atingir os braços financeiro e logístico da facção criminosa Comboio do Cão.

A ação, coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) em conjunto com a 4ª Promotoria de Entorpecentes do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), busca desarticular a estrutura responsável pelo fornecimento interestadual de drogas e pela movimentação dos recursos obtidos com a atividade ilícita.

Ao contrário das fases anteriores, que tiveram como foco líderes e executores ligados à organização, a nova etapa concentra esforços no núcleo considerado essencial para manter o funcionamento do esquema criminoso: os fornecedores responsáveis por transportar e distribuir grandes carregamentos de entorpecentes e o grupo encarregado de ocultar e lavar os valores obtidos com o tráfico.

Cerca de 120 policiais participam da operação, que cumpre simultaneamente 15 mandados de prisão temporária e 20 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e Mato Grosso do Sul. Também foram determinadas medidas patrimoniais para bloquear recursos e retirar da organização bens acumulados por meio das atividades ilegais.

Estrutura organizada

As investigações, conduzidas pela Draco desde 2023, apontam a existência de uma organização criminosa estruturada, hierarquizada e com funções bem definidas. Segundo a apuração, uma liderança histórica do tráfico no DF comandava o esquema a distância, utilizando identidades falsas e intermediários para reduzir a exposição e dificultar a ação das autoridades.

O abastecimento das drogas era realizado por um núcleo instalado em regiões de fronteira, enquanto operadores no Distrito Federal e no Entorno cuidavam do armazenamento, fracionamento e distribuição dos entorpecentes.

Um dos principais articuladores da organização já havia sido preso em dezembro de 2025, em Redenção, no Pará, em ação conjunta entre a PCDF e a Polícia Civil paraense. Foragido desde 2008, ele havia sido condenado a mais de 30 anos de prisão por triplo homicídio, mas continuava exercendo influência sobre o tráfico mesmo fora da capital da República.

As investigações também revelaram um sofisticado sistema de lavagem de dinheiro. Empresas de fachada, imóveis e veículos de luxo registrados em nome de terceiros eram utilizados para ocultar o patrimônio acumulado.

A movimentação financeira ainda incluía contas bancárias de familiares e de pessoas interpostas, utilizadas para pulverizar os recursos provenientes do tráfico. A ostentação de embarcações e automóveis de alto padrão, incompatíveis com a renda declarada pelos investigados, reforçou os indícios de ocultação patrimonial.

Toneladas de maconha

A estrutura criminosa já havia sido relacionada a apreensões expressivas realizadas nos últimos anos. Entre elas, uma carga superior a seis toneladas de maconha, interceptada em 2023, e outras duas toneladas da droga apreendidas recentemente em Mato Grosso do Sul, ambas atribuídas aos investigados.

Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou o sequestro de imóveis e veículos localizados no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo, bem como o bloqueio de contas bancárias em até R$ 1 milhão por investigado ou empresa ligada ao esquema. Também foram quebrados os sigilos fiscal e financeiro de pessoas físicas e jurídicas relacionadas à organização.

As diligências ocorreram em Taguatinga, Ceilândia e no Recanto das Emas, no Distrito Federal; em Novo Gama, Caldas Novas, Anápolis e Abadiânia, em Goiás; e em Campo Grande e Bela Vista, em Mato Grosso do Sul.

A operação contou com apoio do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garras), das polícias Civil de Mato Grosso do Sul, de Goiás e da Divisão de Operações Especiais da PCDF.

Os investigados poderão responder por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais. As penas previstas para os crimes, somadas, podem ultrapassar 40 anos de prisão.